Home Destaque “Para governar, você tem que construir consenso e não confronto”, defende Ernani Polo

“Para governar, você tem que construir consenso e não confronto”, defende Ernani Polo

Em visita a Flores da Cunha, candidato a vice-governador na chapa de Gabriel Souza (MDB) e falou sobre propostas para a Serra
(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)

Faltando cinco dias para a eleição, o candidato a vice-governador Ernani Polo (PSD) visitou Flores da Cunha nesta quarta-feira (30). Em encontros com lideranças locais e empresários, apresentou as principais propostas da chapa que forma com Gabriel Souza (MDB) para o governo do Rio Grande do Sul. O plano está estruturado em quatro eixos: contas públicas, cuidado com as pessoas, desenvolvimento econômico e resiliência climática.

Em sua passagem por Flores da Cunha, o candidato esteve acompanhado pelo ex-governador José Ivo Sartori, o deputado estadual Carlos Búrigo, o vereador Claudimir Kremer Alemão e os ex-prefeitos de Flores da Cunha, Lídio Scortegagna e Renato Cavagnoli.

Em entrevista ao jornal O Florense, Polo abordou demandas específicas da Serra, como a duplicação da ERS-122 entre Caxias do Sul e Flores da Cunha, a qualificação de trabalhadores, o setor vitivinícola, o turismo e as políticas de prevenção ao granizo.

O Florense: O que a candidatura de vocês pretende apresentar ao eleitor neste momento?
Ernani Polo:
Estamos propondo à sociedade gaúcha um processo de evolução, de avanços. O Estado passou por um período de dificuldades financeiras e, a partir do governo (José Ivo) Sartori, começou um processo de enfrentamento, ajuste das contas públicas e reorganização da máquina pública. Houve concessões, privatizações e reformas importantes, especialmente para reduzir o déficit previdenciário. Isso possibilitou que o Estado voltasse a investir mais em segurança pública, saúde e educação. Tivemos avanços significativos nos últimos anos, mas naturalmente ainda há muita coisa a ser feita. Temos novos desafios e novas demandas. Nosso plano de governo está centrado em quatro eixos: cuidar das contas, cuidar das pessoas, liberdade para o desenvolvimento econômico e resiliência climática.

Falando especificamente da Serra, quais são as prioridades?
Precisamos ampliar e melhorar a logística. É um gargalo que ainda temos. As concessões que estão sendo feitas já estão trazendo investimentos, com terceiras faixas e duplicações, mas o Estado precisa melhorar a mobilidade e os acessos. A infraestrutura é um dos pontos que precisamos enfrentar para gerar mais desenvolvimento e atrair investimentos para a região.

A duplicação da ERS-122 entre Caxias do Sul e Flores da Cunha é uma dessas demandas?
É uma demanda importante. O levantamento que foi feito mostra que o trecho de Caxias a Flores tem o movimento necessário para a duplicação. São cerca de 11 quilômetros. É uma necessidade da região que precisa ser deixada registrada. Mesmo não estando prevista inicialmente na concessão, existe possibilidade de, posteriormente, fazer alterações e colocar recursos. Quando estivemos aqui com o Gabriel, no Centro Empresarial, esse assunto também foi colocado. É uma demanda importante.

A falta de mão de obra é uma das principais reclamações das empresas. Como enfrentar esse problema?
O grande problema do Rio Grande do Sul é que não conseguimos atrair pessoas para cá. Precisamos trazer investimentos, principalmente nas áreas de tecnologia e serviços, que gerem oportunidades para reter quem está aqui e também atrair pessoas de fora. Ao mesmo tempo, precisamos qualificar nosso capital humano. Essa é uma demanda muito forte do setor empresarial.

E qual é a proposta para a formação profissional?
Nós apresentamos o programa Profissão na Mão, que pretende fazer o maior programa de ensino técnico da história do Estado, integrado ao ensino médio. A ideia é oferecer ensino técnico nas escolas de tempo integral e também comprar vagas no Sistema S. Com a adesão ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), existe a previsão de investimento equivalente a 1% dos juros da dívida em ensino técnico. Isso permite criar um programa robusto. A formação também precisa considerar as necessidades de cada região, com cursos voltados ao turismo, biocombustíveis, mineração e outras áreas. Queremos que o jovem saia do ensino médio com uma profissão.

E o setor vitivinícola, tão importante para Flores da Cunha?
O setor avançou muito nos últimos anos. A partir de iniciativas próprias e de políticas públicas, subimos muito a régua em qualidade e produção. O desafio agora é conseguir acessar outros mercados. Temos um produto de qualidade, mas o custo acaba impactando. Precisamos criar mecanismos para abrir possibilidades de comercialização e fortalecer o setor. Também precisamos potencializar o turismo. Foram feitos investimentos importantes nos últimos anos, inclusive na abertura de novas rotas aéreas. Com mais conexões, mais pessoas vêm para cá, o que cria oportunidades para o setor vitivinícola e para outros produtos da região, como o azeite de oliva.

As concessões rodoviárias são alvo de críticas de diferentes setores. Como vocês avaliam esse modelo?
As concessões são importantes porque, nas rodovias em que há condições de concessão, o Estado se libera daquela responsabilidade de fazer investimentos e pode direcionar recursos para outras estradas que não têm essa possibilidade. É claro que é importante discutir com a sociedade questões como tarifa e ajustes. Mas dizer que é possível ampliar a capacidade logística sendo contra as concessões é uma contradição. Precisamos chamar o setor privado para fazer investimentos e ampliar nossa infraestrutura.

As mudanças climáticas também estão no plano de governo?
A resiliência climática é um dos quatro pilares. Precisamos nos preparar cada vez mais para as mudanças que estão acontecendo. Aqui na região, estamos avançando em parceria com os municípios em um Sistema Antigranizo, uma iniciativa que surgiu justamente pela necessidade que a região tem em função do granizo. O Estado também vem investindo mais em Defesa Civil, equipamentos e capacidade de resposta. Não temos como evitar todos esses eventos, mas precisamos melhorar os alertas, a prevenção e a capacidade de agir quando eles acontecem.

Que mensagem deixa para os leitores de Flores da Cunha e Nova Pádua?
Quero renovar nosso compromisso com a região. O Gabriel tem uma trajetória na vida pública, foi deputado, líder do governo Sartori e é o atual vice-governador. É alguém que conhece e tem experiência. Eu me somo a ele com a minha experiência na agricultura e na vida pública, como secretário estadual e presidente da Assembleia. Ninguém é dono da verdade, mas a experiência dá uma condição melhor para fazer uma gestão que entregue resultados. Para governar, você tem que ter capacidade, articulação e construir consenso, não confronto. Tem que unir a sociedade, e não dividi-la. Hoje vivemos um momento de muita radicalização. É briga, e você tem que brigar com os problemas. O Rio Grande do Sul tem muitos desafios, mas também muitas oportunidades. Temos um povo empreendedor e trabalhador. Precisamos seguir avançando, corrigindo o que precisa ser corrigido e enfrentando os problemas que ainda temos.

Eleições 2026:

Na cobertura das Eleições 2026, O Florense realiza uma série de entrevistas com os candidatos a deputado estadual e federal que visitam Flores da Cunha e Nova Pádua desde o período de pré-campanha. O espaço permanece aberto a todos os postulantes que procurarem a redação para participar da série. Confira as entrevistas:

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