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Nova Pádua abre colheita da noz-pecã com expectativa de safra histórica no Rio Grande do Sul

Evento reuniu produtores, pesquisadores e autoridades em meio à projeção de até 8 mil toneladas nesta safra
Participantes acompanharam debates sobre os desafios e o crescimento da noz-pecã no cenário gaúcho (Foto: Klisman Oliveira)

O som das máquinas balançando os galhos das nogueiras interrompeu o silêncio típico do interior de Nova Pádua na manhã desta sexta-feira (8). Entre parreirais já conhecidos da Serra e pomares ainda recentes de noz-pecã, produtores, pesquisadores e autoridades acompanharam o início simbólico de uma safra que pode levar o Rio Grande do Sul a colher até 8 mil toneladas da fruta nos próximos meses.

A 8ª Abertura Oficial da Colheita da Noz-Pecã ocorreu na comunidade do Travessão Bonito e transformou a propriedade de Arlindo Maróstica em vitrine de uma cultura que busca consolidar espaço em uma região historicamente marcada pela produção de uva.

O evento funcionou como uma espécie de termômetro do crescimento da pecanicultura no Estado. O debate sobre irrigação dominou palestras, números e conversas de bastidores, sobretudo após os impactos climáticos registrados nos últimos anos no Rio Grande do Sul.

Da monocultura à diversificação

No Pequeno Paraíso Italiano, conhecido pelas pequenas propriedades rurais e pela tradição vitivinícola, o avanço da noz-pecã começa a redesenhar o perfil produtivo das famílias do interior. O prefeito Itamar Bernardi relacionou o crescimento da cultura a um movimento de diversificação que ganha força nas comunidades.

— Esse município é dividido em pequenas propriedades, numa média de 20 hectares por família, mas que produzem muito. Há duas décadas, a gente usava mais a monocultura aqui. A uva continua sendo o nosso carro-chefe, mas hoje os produtos se diversificaram — afirmou o prefeito.

O interesse pela cultura também já começou a chegar ao poder público municipal. Segundo Kiko, produtores têm procurado a Secretaria da Agricultura em busca de informações sobre implantação e manejo dos pomares.

— Muitos produtores paduenses estão procurando a Secretaria de Agricultura para ter informações sobre a cultura. Eventos como esse evidenciam e despertam a curiosidade dos agricultores que buscam novas alternativa no campo — acrescentou.

Irrigação vira aposta para ampliar produtividade

Um tema bastante discutido durante o encontro foi a irrigação. Técnicos e produtores defenderam o investimento como ferramenta para reduzir perdas e garantir estabilidade produtiva diante das oscilações climáticas.

Secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, Márcio Madalena afirmou que o crescimento da cultura no Estado passa diretamente pelo uso da tecnologia no campo.

— É motivo de muito orgulho para nós, enquanto Estado, ver a noz-pecã se desenvolvendo e o Rio Grande do Sul mais uma vez na vanguarda do processo produtivo. Praticamente 90% da produção nacional está aqui. Certamente, um fator muito importante para qualquer cultura — e não seria diferente para a noz-pecã — é a irrigação. Nosso governo contribuiu muito com o programa Irriga+RS e a pecanicultura se fortaleceu nos últimos anos por meio dessa política pública — destacou o secretário.

Cultura cresce e atrai novos produtores

O aumento do interesse pela pecanicultura foi percebido também pelo Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), organizador do evento. Presidente da entidade, Claiton Wallauer avaliou que a presença de novos participantes na abertura da colheita reflete o momento de expansão vivido pela cultura.

— É um privilégio ter essa abertura em Nova Pádua e ver cada vez mais pessoas querendo conhecer sobre a noz-pecã. Isso é resultado do amadurecimento da cultura dentro do nosso Estado. O IBPecan traz há oito anos informação e apoio para os nossos produtores — afirmou.

Durante a programação, também foi lançado o livro Nogueira-pecã, da Embrapa, reunindo 82 autores em uma publicação voltada ao manejo e à produção da cultura no Brasil. O evento também discutiu custos de produção, mercado e estratégias para ampliar a competitividade da noz-pecã gaúcha.

Após os debates, os participantes seguiram até a propriedade de Arlindo Marostica, onde ocorreu o ato simbólico de abertura da colheita. A expectativa do setor é que a safra deste ano esteja entre as maiores já registradas no Estado.

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