A paisagem do outono ganhará contornos de produtividade em Nova Pádua, no próximo dia 8 de maio. O município foi escolhido para sediar a Abertura da Colheita da Noz-Pecã, evento que integra a agenda oficial do Estado e reúne a cadeia produtiva para marcar o início de um ciclo promissor.
O encontro simboliza a maturidade de uma cultura que já coloca o Brasil como o quarto maior produtor mundial, com o Rio Grande do Sul detendo mais de 90% desse total, segundo o IBGE. A noz-pecã avança como alternativa de renda no período que sucede à safra da uva, combinando diversificação produtiva e rentabilidade no campo.
— Nós temos produtores de noz que se destacam no município, mas acompanhamos movimento de outras famílias que miram esse mercado, que é uma cultura relativamente nova para Nova Pádua, mas que tem um valor econômico muito importante. É uma satisfação muito grande poder receber a 8ª Abertura da Colheita de Noz-pecã no nosso município — destaca o prefeito Itamar Bernardi.
Safra da retomada
Após ciclos marcados por instabilidades climáticas, o Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan) projeta uma safra de 7 mil toneladas no Estado. A antecipação da colheita indica uma janela de trabalho mais extensa e reforça a expectativa de recuperação do setor, com reflexos tanto no abastecimento interno quanto nas exportações.
— A colheita deu uma antecipada em algumas variedades de árvores e em algumas regiões, mas está bem espalhada. Como tem áreas que ainda não abriram, provavelmente vai ser uma colheita mais longa do que a habitual. Pelo que temos recebido de relatos dos produtores, esperamos chegar a uma safra bem significativa frente aos outros anos — projeta o presidente do IBPecan, Claiton Wallauer.
“Qualidade se constrói no pós-colheita”
Referência técnica da pecanicultura em Nova Pádua, a propriedade de Arlindo Maróstica reúne manejo, mecanização e cuidados de pós-colheita que ajudaram a transformar o pomar em unidade de referência em parceria com a Embrapa. No próximo dia 8, o local receberá parte da programação da Abertura da Colheita.
— Eu não sou vaidoso, mas sinto um certo orgulho de receber um evento como este aqui na minha propriedade. Realmente é um sentimento de orgulho — confessa Maróstica.
O produtor atribui o diferencial da noz local tanto ao sabor quanto ao rigor no controle de qualidade, etapa que, segundo ele, define o resultado final do produto.
— As nozes que a gente come no mercado, em sua maioria, são chilenas e não são gostosas como as nossas. Não é porque eu produzo, mas é que as nossas são bem mais saborosas. A noz, para estar gostosa, precisa estar seca, com cerca de 4% de umidade. Tenho adotado um sistema que não é de secador, mas um desumidificador, porque se revela mais eficiente — explica Maróstica.
O produtor detalha ainda o processo de colheita mecanizada adotado na propriedade e como o manejo pós-colheita contribui para preservar a qualidade do fruto por longos períodos.
— Na nossa propriedade, temos um maquinário que chamamos de vibrador. É um equipamento acoplado ao trator que abraça a nogueira no tronco e chacoalha a árvore, fazendo as nozes caírem no chão. Se pode dizer que o ano passado foi o maior preço que a gente já conseguiu na venda da noz em casca. Para isso, é preciso ter qualidade, que seja uma noz bem produzida, bem colhida e com o pós-colheita melhor ainda — pontua Maróstica.
“Uma cultura de fácil comercialização”
No Travessão Bonito, o otimismo atravessa o pomar de nogueiras. A facilidade de escoamento e o valor de mercado — que superou os R$ 24 por quilo em 2025 — ajudam a explicar o apelo da cultura entre os produtores.
— Eu planto a noz-pecã aqui em Nova Pádua já faz 15 anos. Tenho 4 hectares e essa safra está muito boa. No ano passado não deu tanto, mas neste ano está bem melhor — observa o produtor Roberto Baggio.
Além do desempenho da safra, o produtor aponta o potencial de valorização da pecã e a baixa exigência de mão de obra como fatores que tornam a cultura estratégica.
— Para termos uma boa safra e noz de qualidade é importante termos bastante horas de frio, o que no ano passado tivemos bastante. A gente considera uma cultura bem valorizada, até porque temos poucos produtores investindo na pecã. Ano passado, por exemplo, vendemos a R$ 24 o quilo. Este ano a gente acredita que esse valor deve até ser ultrapassado. Temos muita procura — relata.
Baggio ainda destaca que a facilidade de venda e o encaixe da cultura na entressafra ampliam seu apelo econômico.
— Como são poucos produtores, é uma cultura de fácil comercialização, tem gente vindo de casa em casa procurando se temos. É uma atividade que não te dá muita mão de obra. (o cultivo) é muito importante porque a colheita acaba sendo na entressafra da uva, colhemos normalmente em maio — completa o agricultor do Travessão Bonito.
PL dos subsídios
Para o secretário de Agricultura, Vancarlos Oro, o apoio do município à atividade se dá principalmente pelo projeto de subsídios, aprovado no fim do ano passado.
— Nada mais interessante do que um evento como este que incentiva outras culturas em Nova Pádua. A noz-pecã é uma que vem crescendo com o tempo. Nós temos três produtores no município e graças ao nosso programa de subsídios, já temos outros produtores nos contatando, querendo entender o apoio do município com terraplanagens — conclui.
Você sabe a diferença?
Apesar de muitas vezes confundidas, a noz-pecã e a noz-inglesa são frutos distintos, com diferenças que vão da origem ao sabor e ao valor nutricional.
A noz-pecã (Carya illinoinensis) é originária da América do Norte, enquanto a noz-inglesa (Juglans regia) tem origem na Eurásia. No consumo, a pecã apresenta sabor mais doce e suave, com textura macia e perfil mais amanteigado, enquanto a noz-inglesa tem sabor mais intenso e levemente amargo, além de textura mais firme. No aspecto nutricional, ambas são alimentos calóricos, mas com variações. A noz-inglesa chega a 650 kcal a cada 100 gramas, enquanto a noz-pecã pode ultrapassar 690 kcal.
Confira a programação da 8ª Abertura Oficial da Colheita da Noz-Pecã:
- 8h às 9h30 — Credenciamento e visita aos estandes;
- 9h30 às 10h — Abertura, boas-vindas e novidades da pecanicultura, com lançamento simbólico do livro “Nogueira-pecã: cultivo, benefícios e perspectivas” e nova edição da Revista Brasil Pecan;
- 10h às 11h — Painel temático com convidados: “Entre o pomar e a colheita: experiências, desafios e decisões que constroem uma boa safra”;
- 11h às 11h30 — Cerimônia oficial;
- 11h30 às 12h15 — Deslocamento ao pomar e colheita simbólica;
- 12h30 às 14h — Retorno e almoço com programação cultural;
- 14h às 17h — Visitação aos estandes e apresentações comerciais.

