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Marcon vê possibilidade futura de ajudar na reconstrução da Igreja Matriz de Flores da Cunha

Com emendas parlamentares já "fechadas" e ano de eleição, deputado federal considera envio de verbas federais a partir de 2028 caso a obra ainda não esteja concluída
(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)

O deputado federal Maurício Marcon (PL) cumpriu agenda em Flores da Cunha nesta sexta-feira (19) e comentou a mobilização em busca de recursos para a reconstrução da Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, atingida por um incêndio no último mês. Acompanhado pelo deputado estadual Claudio Branchieri (PL) e do vereador Deivid Schenato (PP), o pré-candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados em 2026, visitou escolas, empresas e se reuniu com lideranças locais para ouvir demandas do município.

Em entrevista ao jornal O Florense, Marcon afirmou que, caso seja reeleito e a obra ainda não esteja concluída até 2028, pretende buscar recursos para complementar o financiamento da reconstrução. Segundo ele, após receber novas informações sobre a situação patrimonial do templo, passou a considerar viável a destinação de verbas federais para a iniciativa.

O deputado retorna a Flores da Cunha neste sábado (20), quando participa da abertura da Feira de Inverno, no Parque da Vindima Eloy Kunz.

O Florense: Qual o objetivo desta visita a Flores da Cunha?
Maurício Marcon: Ouvimos o chamado do Deivid (Schenato, vereador florense), que é o nosso representante do mandato por aqui, e viemos ouvir as demandas da comunidade e entender de que forma podemos ajudar ainda mais o município. Tenho me colocado como parceiro de Flores da Cunha porque considero que é uma administração séria. Conheço praticamente todos os prefeitos do Rio Grande do Sul e considero o prefeito César Ulian e o vice Márcio Rech entre os melhores gestores que temos. Também vamos visitar o escolas e algumas empresas durante a agenda.

Como o deputado avalia a busca por recursos para a reconstrução da Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes após o incêndio?
Do jeito que eu tinha recebido as informações inicialmente, não seria possível destinar recursos, porque entendíamos que a igreja não era tombada. Agora fui informado de que ela está catalogada e inserida no contexto do campanário tombado. Os recursos públicos têm prazos e as minhas emendas para 2027 já estão basicamente fechadas.  mandei tudo o que tinha para mandar. Mas, se a obra não estiver concluída até lá e eu for reeleito, coloco meu mandato à disposição para, em 2028, complementar o que faltar da verba, porque é um patrimônio da Serra.

Como surgiu sua relação com Flores da Cunha e os recursos destinados ao município?
Essa relação começou por meio do Deivid (Schenato), que me acompanha desde antes de ser vereador. Criamos uma amizade e passei a acompanhar também o trabalho do prefeito César (Ulian). Ajudei e acho que fui importante na campanha. A gente viabilizou o encontro com o Jair Bolsonaro à época e tivemos aquela ideia de mostrar quem era de direita e quem era de esquerda no município. Ao contrário de Caxias do Sul, que é extremamente mal administrado, basta chegar em Flores da Cunha para ver a diferença de município. Tem que premiar e ajudar quem realmente tem um compromisso. Desde 2023, quando tive acesso às emendas parlamentares, comecei a encaminhar recursos para Flores da Cunha. Se o Deivid diz que são R$ 10 milhões (enviados), você pode acreditar, até porque todos os recursos podem ser consultados publicamente no meu site. Meu compromisso com o município existe porque vejo uma gestão séria, que busca melhorar a cidade e atender a população.

O deputado passou por diferentes partidos ao longo da trajetória política. Como explica essas mudanças?
Minha trajetória teve motivos diferentes em cada momento. O PSDB, no início do século, era oposição ao PT — e eu sempre tive claro ser oposição ao PT. Depois, eu conheci o Novo, um partido recém-criado, onde me elegi vereador. Acabei sendo expulso do partido pelo João Amoedo que queria impor a vontade dele de ser o candidato à presidência. Depois, fiquei seis meses sem partido esperando o presidente Jair Bolsonaro decidir para onde ia. Só que eu estava sem tempo para falar (na Câmara de Vereadores de Caxias), por isso fui para o Podemos, partido pelo qual me elegi deputado federal. Desde o início do mandato já tinha a intenção de migrar para o PL, partido em que me sinto em casa por ser alinhado ao presidente Bolsonaro e aos valores conservadores que defendo. Hoje pretendo permanecer no PL por toda a minha vida política.

Como o deputado vê o atual cenário de fusões e mudanças partidárias no Brasil?
A cláusula de barreira está provocando uma reorganização do sistema político. Muitos partidos devem desaparecer nos próximos anos. Eu considero isso positivo porque fortalece legendas que têm identidade ideológica clara. Hoje as pessoas exigem posicionamento dos políticos. Partidos que não conseguem demonstrar claramente o que defendem tendem a perder espaço. O papo de ficar em cima do muronão cola mais.

O deputado foi um dos primeiros políticos da Serra a utilizar intensamente as redes sociais. Como avalia esse processo?
Vejo as redes sociais como uma ferramenta de transparência. Elas permitem que a população acompanhe diretamente o trabalho do parlamentar. Todos os domingos faço uma live prestando contas da semana. Hoje temos cerca de 3 milhões de seguidores somando todas as plataformas. A tecnologia aproximou muito os eleitores dos seus representantes e permitiu que as pessoas acompanhem votações, discursos e posicionamentos quase em tempo real. As pessoas querem votar em pessoas que as representam e que não sumam depois que foram eleitas. Quem não se atualizar e souber mexer em rede social, num curto espaço de tempo, vai estar fora da política.

Com o aumento de candidatos de direita usando as redes sociais, qual é o seu diferencial?
Meu diferencial está no trabalho realizado e na forma como conduzo o mandato. Sempre procurei representar um eleitorado que busca posicionamento e enfrentamento daquilo que considera errado. Além disso, desenvolvemos mecanismos de participação popular para decidir a destinação de recursos. Em muitas situações, a própria comunidade escolheu para onde seriam encaminhadas as minhas emendas parlamentares. Esse é um ponto que bato bastante:  esse dinheiro é do povo, não tem que agradecer por emenda. Então, sempre procuro ouvir para que a comunidade decida (onde vai o recurso). Isso permitiu atender demandas que muitas vezes eu não conheceria em detalhes nos 497 municípios gaúchos.

Como funciona o modelo de participação popular utilizado pelo seu mandato?
Criamos editais para que a população vote e decida onde os recursos serão aplicados. Acredito que o dinheiro público pertence ao povo e que a comunidade deve ter voz sobre sua destinação. em Brasília, normalmente, uma troca de emenda por voto. O vereador ou o prefeito tal vai lá, consegue 300 ou 500 votos e tu manda o valor X de emenda. Assim, os municípios pequenos sempre ficavam desassistidos. Por isso, criei a emenda do R$ 1 milhão, que é para municípios com menos de 30 mil habitantes, e assim beneficiei Vista Alegre do Prata, que deve ser o terceiro menor município do Rio Grande do Sul, por que eles foram atrás, batalharam e ganharam este R$ 1 milhão para fazer o asfalto de ligação que queriam.

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