Enquanto alguns pré-candidatos apostam na polarização para conquistar votos nas eleições de 2026, o ex-prefeito de Bagé, Divaldo Lara (Republicanos), defende o retorno do “político raiz”. Mais do que vídeos e gritaria, o pré-candidato a deputado federal acredita da defesa de princípios e projetos que representem e ajudem o Rio Grande do Sul. Este foi o discurso que ele apresentou em sua passagem por Flores da Cunha no mês passado, ainda antes das notícias do incêndio da Igreja Matriz tomarem o noticiário estadual.
Acompanhado do ex-vereador e presidente do Republicanos em Flores da Cunha, Moacir Ascari, o Fera, Divaldo Lara teve encontros com partidários e simpatizantes. Apesar da pouca relação com a região, Lara afirma que se identifica com as características da Serra: fé, trabalho e conservadorismo. Por isso, veio se apresentar e pretende disputar este eleitorado de direita que, em sua análise, ficará sem representação pois alguns deputados federais atuais não concorrerão à reeleição para a Câmara dos Deputados.
— Não precisa votar em louquinho da direita. Tem os dois louquinhos: os da direita e os da esquerda também. Não existe santo de nenhum lado. Mas, existem nomes qualificados postulando estas três vagas. Eu sou um dos nomes que me coloco à disposição de dialogar com pessoas desse perfil — declara Divaldo Lara, ao defender que há “nomes qualificados” para representar o campo conservador no Rio Grande do Sul.
Abaixo, confira trechos da entrevista exclusiva do pré-candidato Divaldo Lara ao jornal O Florense:
O Florense: O que motiva sua visita a Flores da Cunha?
Divaldo Lara: Tenho feito uma jornada por diversas cidades do Rio Grande do Sul. Muitas delas têm relação com a história da minha família e com trabalhos realizados ao longo de décadas. Hoje, como pré-candidato a deputado federal, estou me apresentando à população e dialogando especialmente com os eleitores que se identificam com pautas da direita, como liberdade econômica, redução do tamanho do Estado, segurança pública e educação cívico-militar. São temas que fazem parte da minha trajetória e também da minha experiência como prefeito de Bagé por dois mandatos.
O que apresenta como diferencial para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados?
Minha principal credencial é a gestão. Em Bagé, fomos reconhecidos nacionalmente na área da liberdade econômica. A cidade recebeu prêmios do Sebrae e foi destaque por reduzir a burocracia e ampliar atividades econômicas dispensadas de alvará. O que ofereço ao eleitor é uma combinação de posicionamento claro e resultados concretos. Entendo que um parlamentar precisa ter lado e representar de forma transparente as ideias que defende.
O pré-candidato faz críticas ao atual modelo de atuação dos parlamentares. Por quê?
Porque muitos deputados passaram a ser avaliados apenas pelo volume de emendas que destinam. Eu considero isso secundário. A principal função de um parlamentar é representar a população e defender posições. O deputado não pode ser apenas um distribuidor de recursos; ele precisa atuar em temas que impactam diretamente a vida das pessoas e o desenvolvimento do Estado.
Qual sua avaliação sobre as emendas parlamentares?
As emendas são recursos públicos retornando para a própria população. Não vejo motivo para que um parlamentar seja exaltado por isso. Além disso, o impacto das emendas costuma ser pequeno diante das necessidades dos municípios. O que realmente transforma uma região são grandes projetos, menos burocracia e condições para quem quer investir e gerar empregos.
Caso eleito, quais seriam suas prioridades para o Rio Grande do Sul?
Uma das prioridades seria ampliar o acesso à saúde de alta complexidade. Defendo a descentralização de serviços como a radioterapia. Em Bagé, conseguimos implantar uma unidade desse tipo durante a pandemia. Também pretendo atuar fortemente na redução da burocracia, na defesa da liberdade econômica e na valorização de quem empreende e produz.
O pré-candidato declara que não pretende fazer carreira como deputado. O que isso significa?
Meu objetivo é fazer um mandato com resultados. Não pretendo permanecer indefinidamente na Câmara dos Deputados. O projeto político que defendo passa também pela construção de uma alternativa para governar o Rio Grande do Sul no futuro. Vou trabalhar para estar preparado para esse desafio quando chegar o momento.
Quando prefeito, o pré-candidato teve uma repercussão nacional diante de um protesto contra a passagem de Lula por Bagé. Como concilia esse episódio com o discurso de foco na gestão?
Uma coisa não exclui a outra. Como prefeito, eu representava uma instituição e tomava decisões conforme entendia ser o melhor para a cidade. Naquele episódio, considerei inadequado o uso de uma universidade federal para um ato político de pré-campanha. Tenho posições ideológicas claras, mas também tenho experiência administrativa e resultados de gestão. Não me considero apenas um político ideológico.
Quais pautas da Serra Gaúcha o pré-candidato considera prioritárias?
A Serra tem uma economia muito forte baseada no trabalho, no empreendedorismo, na agricultura e na indústria. Defendo a redução da burocracia nos processos de licenciamento e a proteção dos setores produtivos. Também fui um dos primeiros a me manifestar em defesa das vinícolas da região durante a crise envolvendo denúncias de trabalho análogo à escravidão. Naquele momento, entendi que havia um julgamento precipitado de um setor fundamental para a economia gaúcha.
Sem esta a proximidade geográfica, como pretende representar a Serra caso seja eleito?
Quero defender quem produz, gera empregos e investe. Estarei à disposição para apoiar projetos importantes para a Serra Gaúcha, mas meu foco principal será combater medidas que prejudiquem o desenvolvimento da região e do Estado. Acredito que o papel do deputado vai muito além da destinação de emendas.
Por que se filiou ao Republicanos?
Fui filiado ao PTB durante toda a minha trajetória política. Recentemente aceitei o convite para ingressar no Republicanos, partido que entendo oferecer condições para construir uma candidatura competitiva à Câmara Federal. O partido já possui representação consolidada e trabalha para ampliar sua bancada no Rio Grande do Sul.
Qual sua relação com a pré-candidatura de Fera a deputado estadual?
Pretendo apoiar sua candidatura. Vejo nele um perfil de gestor e empreendedor, alguém que conhece a realidade de quem trabalha e produz. Acredito que podemos construir uma parceria política voltada ao desenvolvimento de Flores da Cunha, da Serra Gaúcha e do Rio Grande do Sul.

