O ex-prefeito de Bento Gonçalves, Diogo Siqueira (PL), esteve em Flores da Cunha nesta segunda-feira (27) para cumprir agenda com lideranças e empresários. Pré-candidato a deputado federal, ele afirmou que pretende representar a Serra Gaúcha em Brasília, defendeu pautas ligadas ao desenvolvimento regional e criticou o assistencialismo.
Na entrevista ao jornal O Florense, Siqueira também falou sobre sua experiência durante as enchentes de 2024 e relembrou a crise envolvendo o setor vitivinícola em Bento Gonçalves. Confira abaixo a entrevista:
O Florense: Qual o objetivo da visita em Flores da Cunha?
Diogo Siqueira: O objetivo principal é me apresentar. Deixei a Prefeitura de Bento Gonçalves para ser pré-candidato a deputado federal e a intenção é disputar uma vaga para representar a nossa região. Acho que os municípios menores da Serra Gaúcha precisam ter uma voz mais forte em Brasília. A nossa visão é diferente de quem está na Capital Federal. Aqui a gente baixa a cabeça e trabalha. É isso que eu quero defender.
A mão de obra é um dos principais desafios da Serra?
Nós sentimos isso em Bento Gonçalves durante a gestão e vejo que todos os municípios produtores enfrentam o mesmo problema. Tenho um diagnóstico muito claro de que o assistencialismo está travando o Brasil. Existe um excesso de benefícios para pessoas que, muitas vezes, têm condições de trabalhar e acabam permanecendo fora do mercado. O que buscamos fazer em Bento foi colocar quem tinha condições de trabalhar de volta no mercado de trabalho. Essa experiência deu resultado e acredito que pode ser replicada em outras regiões do país.
Por que decidiu deixar a Prefeitura para disputar uma vaga na Câmara Federal?
Porque o grande poder de decisão e os principais recursos estão em Brasília. Vejo uma janela de oportunidade para que a Serra Gaúcha tenha alguém que pense como quem trabalha. Acredito que existe potencial eleitoral na região para chegar à Câmara Federal, mas preciso mostrar que posso representar essa missão.
O PL terá vários candidatos a deputado federal. Por que o eleitor de Flores da Cunha deveria escolher o senhor?
Há muita gente boa disputando, e eu respeito todos. Mas acredito que uma eleição se vence demonstrando liderança. Quero mostrar o trabalho que realizamos em Bento Gonçalves, as ações implementadas e como algumas delas podem ser levadas para o restante do Brasil. Sempre procurei ouvir entidades, lideranças e a população. As decisões tomadas não foram populistas. Muitas vezes foram medidas antipolíticas, mas necessárias para resolver problemas. Nunca pensei em agradar politicamente. Sempre procurei resolver os principais problemas do município, mesmo que isso gerasse desgaste.
O senhor é um critico do Bolsa Família?
Acredito que precisamos discutir esse tema sem constrangimento. Hoje são milhões de brasileiros recebendo benefícios. Precisamos refletir se, em regiões como a Serra Gaúcha, onde há muitas vagas de emprego, todas essas pessoas realmente não têm condições de trabalhar. Na minha visão, é preciso equilibrar direitos e deveres e revisar algumas prioridades das políticas públicas.
Durante as enchentes de 2024, Bento Gonçalves foi um dos municípios mais atingidos na Serra. O que essa experiência lhe ensinou?
Aprendi que não podemos esperar pelos outros. Em um primeiro momento sempre existe a expectativa de que alguém venha resolver o problema, mas isso não aconteceu. A principal ajuda veio dos voluntários. Quando percebemos que não conseguiríamos enfrentar a situação sozinhos, chamamos toda a comunidade. As pessoas não olharam partido político nem interesses pessoais. Simplesmente ajudaram. Desde então, passei a tomar decisões com base nesse aprendizado: fazer o que considero certo, sem ficar preocupado com eventuais desgastes políticos.
Flores da Cunha e Bento Gonçalves compartilham características como agricultura familiar, vitivinicultura e indústria. Quais pautas pretende defender para esses setores?
O agricultor de Bento, Flores ou Santa Tereza tem a mesma forma de pensar: acorda cedo, trabalha, valoriza a família e a comunidade. Lembro da crise envolvendo o setor vitivinícola após as denúncias relacionadas ao trabalho análogo à escravidão (em fevereiro de 2023, 207 trabalhadores foram resgatados em operação do Ministério do Trabalho e Emprego). Naquele momento, senti novamente que estávamos sozinhos. Na minha avaliação, Bento Gonçalves foi julgada pela opinião pública antes da conclusão das investigações. Entendo que isso poderia ter acontecido em qualquer município da Serra. A nossa região é formada por pequenas propriedades rurais, conduzidas por famílias que vivem da própria terra. Considero que esse modelo foi responsável pelo desenvolvimento da Serra Gaúcha e precisa ser valorizado e defendido em Brasília.

