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“Sou um deputado municipalista”, ressalta Carlos Búrigo

Em busca da reeleição, candidato do MDB pretende manter atuação voltada às demandas locais e cita a ERS-122 como exemplo
(Foto: Nadine Dilkin)

Candidato à reeleição para a Assembleia Legislativa, Carlos Búrigo (MDB) esteve em Flores da Cunha nesta quarta-feira (24). O deputado veio ao município para uma reunião com integrantes do partido com o objetivo de alinhar as ações para os últimos dias de campanha.

Com 33 anos de vida pública, Búrigo já foi secretário e prefeito de São José dos Ausentes, secretário da Fazenda de Caxias do Sul, secretário de Planejamento do Estado e exerce o segundo mandato consecutivo como deputado estadual. Em entrevista ao jornal O Florense, citou sua relação com Flores da Cunha e o porquê a duplicação da ERS-122 ficou de fora da concessão, além de outros tópicos sobre falta de mão de obra e sua atuação parlamentar.

O Florense: O que lhe o motiva a concorrer novamente a Assembleia?
Primeiro, porque eu adoro política. Gosto de fazer política. As coisas da nossa vida passam pela política. Tenho 33 anos de vida pública, inclusive integrando o governo (José Ivo) Sartori em uma época difícil e, agora, com dois mandatos de deputado. Tenho uma bagagem e uma experiência. Aprendi com meus pais e com meus líderes políticos, como Sartori, (Pedro) Simon e (Germano) Rigotto, a praticar a política com muita seriedade e transparência. Acredito que ainda posso ajudar a melhorar a vida das pessoas e o nosso Estado, para que volte a atrair empresas, tenha um desenvolvimento maior, gere emprego e renda e ofereça melhor qualidade de vida. Sou um deputado municipalista. Em cada município que visito, procuro saber quais são os gargalos e os problemas. Usando a credibilidade e o relacionamento que construímos, trabalhamos para resolver essas questões.

Sobre a concessão da ERS-122, o trecho de Flores da Cunha para Caxias do Sul ficou fora. O que pode ser feito?
Flores da Cunha ficou de fora porque não teve força política. Infelizmente, os prefeitos da região não priorizaram a duplicação entre Caxias do Sul e Flores da Cunha. Priorizaram fazer uma ciclovia de Caxias a Farroupilha, no meio de uma rodovia de alta velocidade, o que considero um erro estratégico. Infelizmente, não priorizaram nem brigaram pela duplicação de Caxias a Flores da Cunha, que está mais do que necessária. Já venho trabalhando junto à CSG para que consigamos concluir um estudo técnico mostrando que precisamos da duplicação pelo volume de veículos e pela segurança. Essa é uma rota que talvez nem seja mais alternativa, mas a principal ligação da Serra com o centro do país. Passa muita coisa por aqui, e é fundamental que tenhamos a duplicação. Essa é uma das grandes prioridades do meu mandato: trabalhar pela duplicação.

A falta de mão de obra é uma reclamação recorrente nas empresas. Como esse problema pode ser enfrentado?
Acredito que existem três questões fundamentais que o poder público precisa enfrentar para que o desenvolvimento aconteça. A primeira é ter uma política para a indústria. Não podemos mais ter uma indústria que não consiga competir com outras indústrias do mundo inteiro. Precisamos de políticas para o setor industrial, porque estamos perdendo competitividade. A segunda é ter políticas para o agronegócio e para a agricultura familiar. Até temos algumas políticas, mas, para o Rio Grande do Sul, depois de três ou quatro secas e das enchentes, elas se tornaram insuficientes. Temos agricultores que estão quebrados. A terceira é a habitação. A construção civil movimenta a economia e também cria condições para que pessoas migrem de regiões onde não há oferta de emprego para regiões que precisam de trabalhadores. Assim, conseguem se instalar com suas famílias, viver com dignidade e trabalhar. Estamos vivendo um período muito difícil. Falta mão de obra especializada e não especializada, em todos os ramos e setores. Acredito que precisamos de mais cursos profissionalizantes para que os jovens e os trabalhadores possam se especializar e ocupar as vagas disponíveis, principalmente na Serra.

Sobre a habitação, como o poder público pode atuar?
Precisamos de uma política habitacional que permita às pessoas se deslocarem para regiões onde existam oportunidades de trabalho. A construção civil tem esse papel duplo: movimenta a economia e oferece condições para que as famílias possam se estabelecer. É necessário pensar no desenvolvimento de forma integrada, com políticas para a indústria, para a agricultura e para a habitação.

Que outras demandas de Flores da Cunha que o deputado tem acompanhado?
Uma das questões que trabalho há dois anos e meio é a faixa de domínio da ERS-122. A quilometragem da rodovia foi modificada depois que o trecho de 1,2 quilômetro entre o viaduto da ERS-453 e o acesso a Flores da Cunha. Aquele trecho foi municipalizado (para Caxias do Sul) quando o Sartori era prefeito e eu era secretário, e o quilômetro zero da ERS-122 mudou de lugar. Com isso, toda a quilometragem foi alterada em 1,2 quilômetro, e a faixa de domínio também acabou sendo modificada. As empresas que foram construir seus empreendimentos consultaram os órgãos responsáveis para saber qual era a faixa de domínio, em determinado ponto, recebiam a informação de que eram 40 metros. Depois, passaram a ser considerados 15 metros. Trabalhamos para reverter essa situação e está para ser assinado em breve que a faixa de domínio volte a seguir o mesmo modelo e a mesma tabela que existiam anteriormente, com o DAER.

Muitos candidatos estreantes afirmam que querem ser a voz da Serra na Assembleia. Como percebe esta critica?
Infelizmente, temos na política uma situação em que, por tudo o que acontece em Brasília, por causa das falcatruas e da corrupção, muitas pessoas de bem não querem mais ser candidatas a nenhum cargo político, seja deputado, vereador ou outro. Essas pessoas acabam se afastando da política. Com isso, pessoas que não têm boa índole, que não são sérias e honestas, acabam se filiando a um partido e colocando seus nomes à disposição para entrar na política e, quando eleitas, usar o cargo para fazer coisas que não são corretas. A população tem dificuldade para identificar quem é sério e quem não é. Com o surgimento das redes sociais, algumas pessoas fazem discursos bonitos e inflamados, criam personagens e acabam mentindo para a sociedade. Mas, se tirarmos o celular da frente dessas pessoas, sejam candidatos ou deputados, muitas vezes elas não têm capacidade de sentar ao redor de uma mesa, apresentar os problemas de uma comunidade ou de uma região e discutir com quem pensa diferente para construir soluções. Eu sou daqueles que preferem não fazer gritaria nem barulho nas redes sociais. Prefiro trabalhar para conseguir realizar entregas. Fazer entregas é trabalhar com responsabilidade, sem precisar gritar ou fazer barulho nas redes sociais.

Eleições 2026:

Na cobertura das Eleições 2026, O Florense realiza uma série de entrevistas com os candidatos a deputado estadual e federal que visitam Flores da Cunha e Nova Pádua desde o período de pré-campanha. O espaço permanece aberto a todos os postulantes que procurarem a redação para participar da série. Confira as entrevistas:

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