A vereadora de Porto Alegre Nádia Gerhard, conhecida como Comandante Nádia (PL), esteve em Flores da Cunha na quarta-feira (19) durante o roteiro de campanha pelo Estado. A intenção era participar de uma caminhada ao lado do candidato a governador Luciano Zucco (PL), mas o compromisso foi cancelado após problemas com o transporte do candidato.
Mesmo assim, Nádia manteve a agenda na região e seguiu para Caxias do Sul para encontros com lideranças. Em entrevista ao jornal O Florense, a candidata a deputada estadual falou sobre suas propostas para a Serra, segurança pública, ensino técnico e participação das mulheres na política.
O Florense: O que busca neste início de campanha?
Comandante Nádia: Estou retornando à Serra, a Flores da Cunha, Caxias do Sul e Bento Gonçalves, como tenho feito durante todo esse período, não apenas de pré-campanha, mas também durante o meu período como parlamentar. Estou no meu terceiro mandato de vereadora e já fui candidata ao Senado. Como brigadiana, como tenente-coronel da Brigada Militar, sinto-me muito apropriada, afinal a Brigada Militar está em todo o Estado. Conheci as várias regiões do Rio Grande do Sul e entendi que segurança pública é feita de acordo com as características de cada região. O que a Serra precisa não é necessariamente o mesmo que o Litoral, a Fronteira ou Porto Alegre precisam. Chega de parlamentares que não entendem de segurança fazendo leis inócuas, que não mudam a vida das pessoas nem a perspectiva de elas poderem andar na rua sem serem assaltadas. Precisamos de pessoas que conheçam a guerra estando na trincheira, e não apenas os teóricos da guerra.
A segurança pública é a sua principal bandeira?
Sem dúvida. Não existe uma região que diga que não precisa de segurança. Temos muitos casos de feminicídio. Fui criadora da Patrulha Maria da Penha, que atua no enfrentamento à violência e na proteção das famílias. Quando falo em famílias, estou falando das mulheres e também dos filhos. Hoje temos o chamado crime vicário, quando o agressor, ao não conseguir atingir a mulher, acaba utilizando os filhos como forma de violência. Essa é uma questão que precisa ser enfrentada com políticas públicas efetivas.
O que mais defende que atende aos interesses de Flores da Cunha e da Serra?
Uma escola técnica de ensino médio que corresponda à vocação da região. Não adianta mais nossos alunos saírem do ensino médio apenas com um certificado na mão. Eles precisam sair com uma oportunidade de emprego. É a partir de um ensino médio técnico, vocacionado e de acordo com a realidade de cada região, que podemos fazer uma grande mudança. Também defendo o empreendedorismo, o agronegócio e, principalmente, a infraestrutura. Sou uma defensora de que o Estado não está no fim do Brasil. Nós estamos na entrada do Brasil. Para isso, precisamos de estradas adequadas às mercadorias que entram e saem e aos insumos necessários para a nossa produção.
No seu campo político, há vários candidatos disputando votos semelhantes. Qual é o seu diferencial?
Coragem para enfrentar o sistema, defender as pessoas, fazer as mudanças necessárias e não ficar em cima do muro. Sou muito bem posicionada. Bandido é bandido, e mocinho é mocinho. Muitos candidatos têm medo de se posicionar, de dizer o que pensam e como pretendem votar e fiscalizar. Eu tenho coragem para fazer essas transformações e demonstrei isso ao longo dos meus três mandatos como vereadora. Também demonstrei isso em 2022, quando fui candidata ao Senado e renunciei à candidatura para que o nosso Estado não tivesse mais um senador do campo ideológico da esquerda. Para mim, política é coletivo.
Como vê a participação das mulheres na política?
Sou defensora da meritocracia. Homens e mulheres precisam ter qualidade, qualificação, conhecimento, história, caminhada e entregas. Mas ter mulheres na política é muito importante porque homens e mulheres têm competências diferentes. Quando essas competências são unidas, podemos melhorar muito mais o ambiente onde moramos, estudamos e trabalhamos. Defendo que as mulheres tenham mais coragem para ocupar posições de destaque, seja na presidência de uma empresa, na direção de um jornal, na política, na segurança ou onde quer que seja. As mulheres precisam confiar mais no próprio potencial. Hoje somos 52% do eleitorado e, infelizmente, somos menos de 12% das pessoas eleitas. Muitas mulheres não querem se colocar à disposição porque sabem que podem ter sua imagem e sua história atacadas. Na política existe muita disputa e muita gente prefere destruir o outro em vez de falar das próprias qualidades. Muitas mulheres não querem isso no seu dia a dia.
Por que ainda há poucas mulheres eleitas?
Muitas vezes, a mulher acaba votando em quem o marido, o pai ou o irmão indicam. Precisamos entender que as mulheres fazem política todos os dias. A mulher faz política quando convence o filho a escovar os dentes, quando reclama do preço do pão, quando vai à escola do filho pedir um horário que permita conciliar o trabalho com a busca da criança ou quando defende um colega no trabalho. Ela faz política quando reclama da falta de iluminação pública ou da necessidade de poda de árvores. Nós fazemos política naturalmente. Precisamos apenas entender que essa participação é necessária.
Eleições 2026:
O Florense realiza uma série de entrevistas com os candidatos a deputado estadual e federal que visitam Flores da Cunha e Nova Pádua durante o período de pré-campanha. O espaço permanece aberto a todos os postulantes que procurarem a redação para participar da série. Confira as entrevistas:
- Germano Rigotto (MDB) – “Hoje se debate mais nomes do que projetos”
- José Fortunati (PT) – “Não dá para ficar dialogando somente com os seus”
- Marisol Santos (PSDB) – “A Serra precisa ter cada vez mais voz”
- Diogo Siqueira (PL) – “Os municípios menores da Serra precisam ter uma voz mais forte em Brasília”
- Claudio Branchieri (PL) – “Defendendo menos poder para os políticos e mais liberdade para as pessoas”
- Maurício Marcon (PL) – “
- Divaldo Lara (Republicanos) – “Não precisa votar em louquinho da direita”
- Luis Fernando Rosa (PDT) – “Quero ser um pré-candidato da Serra”
- Carlos Gomes (Republicanos) – “Precisamos avançar na renegociação da dívida dos estados”

