O deputado estadual Claudio Branchieri (PL) cumpriu agenda em Flores da Cunha na sexta-feira (19) e defendeu a inclusão da duplicação da ERS-122 entre Flores da Cunha e Caxias do Sul em uma futura renegociação do contrato de concessão do Bloco 3. Acompanhado pelo deputado federal Maurício Marcon (PL) e pelo vereador Deivid Schenato (PP), o pré-candidato à reeleição para a Assembleia Legislativa visitou empresas e se reuniu com lideranças locais para ouvir demandas do município. No sábado (20), ele participou da abertura da 37ª Feira de Inverno.
Em entrevista ao jornal O Florense, Branchieri criticou a falta de negociações do Governo do Estado com a concessionária Caminhos da Serra Gaúcha (CSG) e afirmou que a revisão do contrato da concessão da ERS-122 abre uma janela de oportunidade para discutir a inclusão de novas obras na região. Em sua opinião, a ligação entre Flores da Cunha e Caxias do Sul merece atenção por conectar dois importantes polos econômicos da Serra Gaúcha.
O Florense: O deputado tem uma relação próxima com Flores da Cunha. Quais pautas tem acompanhado no município?
Claudio Branchieri: Estamos em Flores da Cunha com muita frequência. Participamos de eventos e mantemos uma proximidade muito grande com a cidade, que admiramos bastante. Eu e o Maurício Marcon somos caxienses e costumamos dizer que temos uma pontinha de inveja do que Flores da Cunha se tornou. Hoje visitamos algumas empresas e vimos de perto a organização, o cuidado com a qualidade e o desenvolvimento do município. Também acompanho as demandas que chegam por meio do vereador Deivid Schenato e de outras lideranças locais. Costumo dizer que Flores da Cunha tem um deputado estadual mais do que Caxias do Sul, porque realmente gosto daqui e estou sempre à disposição da população.
Como o deputado avalia a busca por recursos para a reconstrução da Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes?
Sabemos que o deputado estadual tem menos capacidade de destinação de recursos, especialmente porque a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul não possui emendas impositivas. Mesmo assim, buscamos auxiliar na interlocução com o Estado. Existem fundos voltados à cultura e à preservação do patrimônio histórico que podem ser acionados. A igreja é um patrimônio não apenas de Flores da Cunha, mas de toda a Serra Gaúcha. Precisamos reconstruí-la e colocá-la de pé novamente, de preferência ainda melhor do que estava antes.
O deputado participou ativamente do debate sobre os pedágios. Como vê a situação da ERS-122 e a reivindicação pela duplicação entre Flores da Cunha e Caxias do Sul?
O Bloco 3 foi muito mal estruturado. Hoje existe uma distorção em que apenas 25% dos usuários pagam pedágio, enquanto 75% utilizam as rodovias sem contribuir diretamente. Flores da Cunha é uma das cidades mais afetadas por esse modelo, porque paga uma tarifa elevada (no pedágio para Antônio Prado) e não possui obras relevantes previstas dentro do município. Existe uma oportunidade futura de renegociar o contrato da concessão e esse será o momento adequado para discutir tanto a redução das tarifas quanto a inclusão de obras importantes, como a duplicação entre Flores da Cunha e Caxias do Sul, pois estamos falando da ligação entre dois polos econômicos importantes da Serra. O G
As vinícolas demonstram preocupação com o acordo entre Mercosul e União Europeia. Como o deputado avalia os impactos para o setor?
Existe preocupação legítima em relação ao vinho, porque a redução gradual das tarifas aumentará a concorrência com produtos europeus. Ao mesmo tempo, surgiu uma oportunidade importante para o suco de uva brasileiro, que passa a ter melhores condições de acesso ao mercado europeu. Internamente, acredito que precisamos melhorar a competitividade do setor, reduzindo burocracias e a carga tributária. Uma discussão importante é retirar o vinho da classificação de bebida alcoólica e tratá-lo como alimento, reconhecendo suas características culturais e econômicas. Hoje o principal desafio é tributário.
O deputado será candidato à reeleição. Em um cenário com vários nomes da direita disputando espaço, qual considera ser seu diferencial?
No campo dos costumes, defendemos pautas conservadoras muito claras, como a liberdade individual, a oposição ao aborto e à legalização das drogas. Na economia, acredito no liberalismo e na redução da interferência do Estado. Meu diferencial é defender essas posições mesmo quando isso significa divergir de pessoas do próprio campo político. Muitas vezes é fácil enfrentar adversários ideológicos; mais difícil é questionar propostas do próprio lado quando elas prejudicam empreendedores ou aumentam a burocracia. Sempre procurei atuar dessa forma, defendendo menos poder para os políticos e mais liberdade para as pessoas.

