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“Não é momento para se encolher”, declara Afonso Hamm

Candidato pelo PP busca o sexto mandato como deputado federal e cita atuação pelo setor vitivinícola e pelo agronegócio
(Foto: Nadine Dilkin)

Deputado federal pelo PP, Afonso Hamm esteve em Flores da Cunha nesta sexta-feira (25) durante a campanha pela reeleição. Com cinco mandatos como titular na Câmara Federal, além de um período como suplente, o parlamentar destacou a experiência acumulada em Brasília e a atuação em pautas ligadas ao agronegócio, à vitivinicultura e à saúde.

Em entrevista ao jornal O Florense, Hamm também falou sobre o projeto que reconhece Flores da Cunha como Capital Nacional da Vindima, recursos destinados à região e propostas para infraestrutura e desenvolvimento.

O Florense: O que ainda o motiva a continuar na política?
Afonso Hamm: 
A primeira razão é que este não é o momento de se encolher. Não é momento para covardia. Se tenho a experiência e o reconhecimento que tenho, também tenho responsabilidade. Hoje estou na coordenação da Bancada Gaúcha, liderando os 31 deputados federais e três senadores. Também trabalho no PL 51/2022, que trata de uma política para o alongamento da dívida dos agricultores, penalizados por estiagens e enchentes. Um deputado poderia dizer que já fez sua parte, mas não é assim. Neste momento, é preciso ter responsabilidade e coragem para continuar fazendo política.

Qual é sua relação com Flores da Cunha e com a Serra Gaúcha?
Tenho uma relação muito forte com os agricultores, os viticultores e toda a cadeia vitivinícola. Sou engenheiro agrônomo e viticultor há 27 anos. Sou produtor de uvas viníferas em Bagé e forneço uvas também para a região. Hoje me sinto um representante de Flores da Cunha e da Serra Gaúcha, especialmente do setor vitivinícola, mas também atuo em outras áreas, como saúde e assistência social. Na eleição passada, tive cerca de 24 mil votos na Serra Gaúcha. Também fui o deputado federal mais votado em oito municípios da região. Trabalhei nesses quatro anos para ser merecedor de continuar ocupando esse espaço, e agora as urnas vão dizer se isso vai acontecer.

O deputado lidera o projeto para reconhecer Flores da Cunha como Capital Nacional da Vindima. Como avalia essa proposta?
Tenho o apoio integral a esse projeto. Flores da Cunha é um município com números muito importantes na produção de uva e na elaboração de vinhos, além de ter um grande número de cantinas. Como Bento Gonçalves já é reconhecida como Capital Nacional do Vinho, considero plenamente justo que Flores da Cunha seja reconhecida como Capital Nacional da Vindima, que representa a colheita e toda essa festa. O projeto está avançado na Câmara e deverá seguir para o Senado. Queremos entregar esse título ao município. Presido há muitos anos a Frente Parlamentar em Defesa da Uva, do Vinho, dos Sucos e dos Espumantes e trabalho com toda a cadeia produtiva, inclusive seus derivados.

Quais são hoje os principais desafios para o setor vitivinícola?
A cadeia produtiva está sendo impactada pelo acordo entre o Mercosul e a União Europeia e também pela reforma tributária. O setor do vinho foi incluído no imposto seletivo, embora o percentual ainda não esteja definido. Precisamos diminuir a carga tributária e defender a nossa produção. Trabalho junto com outros parlamentares da região para fortalecer toda a cadeia da uva e do vinho. Também precisamos olhar para o enoturismo. A produção, a elaboração, os empregos e o turismo se complementam. Hoje vemos turistas de outros Estados vindo para a Serra para conhecer nossas vinícolas. A partir do momento em que Flores da Cunha for reconhecida como Capital Nacional da Vindima, acredito que isso poderá ajudar a fortalecer as políticas de atração de turistas. Cada turista deixa recursos nos restaurantes, vinícolas, bares e hotéis. Temos um turismo forte na região e precisamos trabalhar para que Flores se consolide como um destino ligado à vindima, à vitivinicultura, aos vinhos e à agricultura familiar.

As dificuldades para contratação de trabalhadores na agricultura são uma preocupação. O que o deputado tem feito nessa área?
Tenho uma lei que foi desenvolvida a partir de uma demanda do sindicato e dos pequenos produtores. O projeto trata da simplificação da contsratação de safristas e da desoneração desses trabalhadores. Ampliei o contrato de curtíssimo prazo para até 120 dias. A ideia é permitir uma contratação formal, com recolhimento dos tributos e segurança jurídica. Quando houve problemas na Serra com agricultores e cooperativas, denunciei a situação e entendi que era necessário tomar providências. Se as leis não estão adequadas, precisamos modernizá-las. Hoje, na Frente Parlamentar da Agropecuária, sou responsável pela relação de trabalho no campo. Tudo o que envolve essa legislação é uma área em que atuamos na Câmara dos Deputados.

Como avalia o atual modelo de emendas parlamentares?
Enquanto as emendas existirem, considero que são importantes para atender onde há necessidade. Mas não usamos emendas para barganha. Procuramos colocar recursos nos municípios onde temos atuação. Na saúde, por exemplo, a tabela do SUS gera uma defasagem para os hospitais. Sem as emendas, muitos gestores têm dificuldade para manter os serviços. Eu não teria problema em extinguir as emendas, desde que houvesse gestão por programas e fossem cumpridos os percentuais constitucionais de investimento. Precisamos pensar em programas plurianuais. Não podemos trabalhar apenas com o orçamento de um ano. É preciso planejar 2027, 2028, 2029 e 2030 e trabalhar obras estruturantes e regionais, como hospitais e outras obras de infraestrutura. Na coordenação da Bancada Gaúcha, estamos trabalhando nessa ideia de direcionar recursos para obras estruturantes depois das eleições.

Como atuou com as suas emendas em seus mandatos?
Entregamos, segundo nosso levantamento, R$ 64 milhões em emendas para a Serra Gaúcha, sendo R$ 26 milhões para a saúde. Temos recursos também para o Hospital Nossa Senhora de Fátima e para unidades básicas de saúde. Em Flores da Cunha, foram mais de R$ 5 milhões destinados a obras importantes. Na área do turismo, os investimentos ainda são pequenos, mas quero começar a trabalhar mais políticas para o setor.

Depois de cinco mandatos, o que o deputado pretende fazer caso seja reeleito?
Não quero apenas mais um mandato. Quero contribuir para reorganizar o país e para reerguer e reconstruir o Rio Grande do Sul. Tenho experiência, tenho uma trajetória e uma relação muito forte com a agricultura, com a vitivinicultura e com a Serra. Entendo que ainda posso contribuir em Brasília e continuar trabalhando pelas demandas da nossa região.

Eleições 2026:

Na cobertura das Eleições 2026, O Florense realiza uma série de entrevistas com os candidatos a deputado estadual e federal que visitam Flores da Cunha e Nova Pádua desde o período de pré-campanha. O espaço permanece aberto a todos os postulantes que procurarem a redação para participar da série. Confira as entrevistas:

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