A deputada federal Any Ortiz (PP) esteve em Flores da Cunha nesta sexta-feira (25), acompanhada pelo vereador Diego Tonet (PP). Na passagem pelo município, visitou empresas e conversou com moradores e comerciantes sobre as conquistas do seu mandato em Brasília.
Em entrevista ao jornal O Florense, a parlamentar, que busca a reeleição à Câmara dos Deputados, falou sobre sua atuação no Congresso, a relação com a Serra, a concessão das rodovias, habitação e participação feminina na política.
O Florense: Qual a sua relação com Flores da Cunha?
Any Ortiz: Tenho no Diego (Tonet, vereador florense) um grande parceiro. Destinamos uma emenda de R$ 400 mil para investimentos em uma escola do município, a partir de uma demanda que chegou por meio dele. Fiz questão de vir a Flores durante a campanha eleitoral, que é muito curta, apenas 45 dias. Na última eleição, eu fiz votos em 495 dos 497 municípios gaúchos. Tenho campanha em praticamente todas as regiões do Estado e não consigo estar em todas as cidades, mas fiz questão de estar aqui pela parceria e pela forma como o Diego faz política. Tenho, nas minhas pautas, uma defesa muito grande do empreendedorismo, de quem empreende, trabalha e produz. Sou presidente da Frente Parlamentar pelas Mulheres Empreendedoras e da comissão especial que trata da atualização do teto de faturamento para MEIs e empresas do Simples. Essa relação também surgiu por conta dessas pautas. Não poderia passar o período eleitoral sem estar aqui e ter esse contato olho no olho com as pessoas.
A deputada está encerrando seu primeiro mandato na Câmara Federal e busca a reeleição. O que considera como diferencial nessa disputa?
Eu já fui vereadora e, por duas vezes, deputada estadual no Rio Grande do Sul. Na reeleição, fui eleita a mulher mais votada para a Assembleia Legislativa. Fui autora da lei que terminou com a aposentadoria vitalícia dos governadores e da lei que terminou com a aposentadoria vitalícia dos deputados estaduais. Também nunca votei aumento de impostos. Sou uma deputada que tem coragem para enfrentar temas que, às vezes, são mais complicados dentro da política. O que me diferencia é que eu não vim a Flores prometer absolutamente nada. Ando pelo Rio Grande do Sul contando o que já fiz, quais são minhas bandeiras e qual é o meu posicionamento. A partir daí, as pessoas conseguem conhecer o que vou fazer. Eu não sou uma surpresa. É o meu mandato. O trabalho que fiz e as legislações que apresentei mostram o que entreguei para a população.
A infraestrutura é um desafio que a Serra não consegue avançar. O que pode ser feito por uma região tão pujante para a economia?
Não podemos enxergar o pedágio apenas pela lógica da empresa que vai assumir a concessão e ter retorno dos investimentos. Precisamos olhar primeiro para os investimentos em infraestrutura e para o desenvolvimento do Estado. O Rio Grande do Sul está perdendo competitividade, não apenas para Santa Catarina, mas também para o Paraguai. Vemos empresas saindo do Estado, e precisamos investir em infraestrutura. Também não podemos inviabilizar nossos distritos e regiões industriais aumentando os custos a ponto de prejudicar a competitividade dos produtos. Acredito que tem que voltar tudo do zero e rediscutir toda a nossa malha rodoviária, olhando principalmente para regiões com grande produção, potencial de crescimento e que são referências nacionais. Flores da Cunha, Caxias do Sul e toda essa região da Serra são muito importantes e precisam ter um olhar diferenciado, para que a infraestrutura não crie dificuldades para o desenvolvimento, mas possa impulsioná-lo.
A falta de mão de obra também é uma preocupação dos empresários da região. Como o poder público pode atuar?
Precisamos discutir os benefícios sociais. Entendo que programas como o Bolsa Família devem funcionar como uma passagem, uma rampa, um degrau para sair da extrema pobreza, e não como algo permanente. Tenho um projeto protocolado na Câmara dos Deputados que trata o benefício do Bolsa Família de forma transitória. A pessoa precisa receber, mas também ter uma porta de saída, com qualificação e preparação para retornar ao mercado de trabalho. Na habitação, precisamos trabalhar os recursos da Bancada Gaúcha de forma conjunta. Para isso, é necessária a participação do governador e dos Executivos municipais, mas não trabalhando apenas de forma individual. É preciso trazer o debate regional para dentro da bancada. Quando fui coordenadora da Bancada Gaúcha, conseguimos avançar em investimentos importantes para o Estado, inclusive na saúde e na pavimentação e duplicação de estradas. Precisamos fortalecer esse diálogo com o governo do Estado para trazer recursos para cá. É dinheiro do pagador de impostos e do povo gaúcho que está em Brasília e precisa retornar para o Estado por meio de projetos estruturantes.
A deputada votou pela criação de um Fundo Constitucional para a Região Sul. Em que estágio está essa proposta?
Depois das enchentes, voltou a ser discutida a criação de um fundo constitucional para equiparar a Região Sul a outras regiões que já contam com esse tipo de recurso. O projeto já foi aprovado na comissão especial criada na Câmara e agora aguardamos a votação em plenário. Durante o período eleitoral, estamos sem sessões regulares. Espero que, terminando o período eleitoral, possamos aprovar o Fundo Constitucional. Entendo que ele seria importante neste momento que estamos vivendo.
As mulheres são maioria do eleitorado, mas ainda ocupam menos espaço no Congresso. Como vê essa falta de equiparação?
Estamos avançando passo a passo. Por isso gosto de reforçar que fui a mulher mais votada da Assembleia Legislativa. Acho que isso é um marco importante para mim, que comecei jovem na vida pública e saí do meu comércio para fazer política porque entendo a política como uma missão e uma ferramenta de transformação da sociedade. Precisamos pensar em votar nas mulheres e levar mais mulheres para dentro do Parlamento. Mas não adianta apenas dizer que precisamos votar em mulheres. A eleitora precisa enxergar, entre as candidatas, alguém que a represente. Espero que isso também seja um diferencial para quem pensa em votar em uma mulher, mas precisa, dentro do seu aspecto político, enxergar alguém que represente seus valores e anseios. Sou mãe de dois meninos e sei quais são os obstáculos e as dificuldades que as mulheres enfrentam, não apenas na política. Precisamos mostrar que dentro da direita também existem mulheres que querem ocupar esses espaços e representar a população.
Eleições 2026:
Na cobertura das Eleições 2026, O Florense realiza uma série de entrevistas com os candidatos a deputado estadual e federal que visitam Flores da Cunha e Nova Pádua desde o período de pré-campanha. O espaço permanece aberto a todos os postulantes que procurarem a redação para participar da série. Confira as entrevistas:
- Daiane Mello (PL) — “A briga vai estar lá”
- Carlos Búrigo (MDB) — “Sou um deputado municipalista”
- Pepe Vargas (PT) — “Projetos de lei são importantes, mas mais importante é o orçamento”
- Fabiano Feltrin (PL) — “Quero ser uma voz da Serra Gaúcha na Assembleia”
- Eriane Pacheco (PSB) — “A política pode transformar vidas”
- Moacir Ascari Fera (Republicanos) — “Flores da Cunha sente falta de ter uma voz própria”
- Leandro Golin (PL) — “Quero mostrar que a inclusão precisa estar em todas as áreas”
- Comandante Nádia (PL) — “Mulheres fazem política todos os dias”
- Germano Rigotto (MDB) — “Hoje se debate mais nomes do que projetos”
- José Fortunati (PT) — “Não dá para ficar dialogando somente com os seus”
- Marisol Santos (PSDB) — “A Serra precisa ter cada vez mais voz”
- Diogo Siqueira (PL) — “Os municípios menores da Serra precisam ter uma voz mais forte em Brasília”
- Claudio Branchieri (PL)— “Defendendo menos poder para os políticos e mais liberdade para as pessoas”
- Maurício Marcon (PL) — “
- Divaldo Lara (Republicanos) — “Não precisa votar em louquinho da direita”
- Luis Fernando Rosa (PDT) — “Quero ser um pré-candidato da Serra”
- Carlos Gomes (Republicanos) — “Precisamos avançar na renegociação da dívida dos estados”

