Em sua sétima eleição, Moacir Ascari Fera enfrenta um novo desafio. Eleito vereador de Flores da Cunha em quatro oportunidades, exerceu o cargo entre 2005 e 2020, e candidato a prefeito nas duas últimas eleições municipais, Fera concorre pela primeira vez como candidato a deputado estadual pelo Republicanos. Sua proposta principal é levar a voz da Terra do Galo para o debate estadual.
Nesta entrevista ao jornal O Florense, o empresário fala sobre os motivos que o levaram a concorrer, defende a necessidade de representação regional na Assembleia Legislativa e aponta como prioridades a discussão dos pedágios, a duplicação da ERS-122 e a prevenção aos eventos climáticos.
O Florense: Por que decidiu disputar uma vaga neste momento?
Moacir Ascari Fera: Eu gosto da política. Faço política por convicção. Tive quatro mandatos de vereador, concorri a prefeito e não me elegi, mas nunca deixei de lado as questões políticas, tanto do município quanto do Estado e do país. Sempre tivemos uma ligação muito forte com os deputados, até para conseguir recursos para o município. Meu deputado federal é o Carlos Gomes, que também é presidente do meu partido. Foi ele que chegou até mim e entendemos que precisávamos encontrar uma liderança que abraçasse essa causa na região e divulgasse mais o Republicanos. Somos um dos que mais cresceram nacionalmente na última eleição.
Como está sendo, pela primeira vez, pedir votos fora de Flores da Cunha?
É um desafio novo. Até então, quando eu me apresentava para as pessoas, muitas diziam: “Mas eu não voto aqui”. Agora é diferente, porque a eleição é estadual. Estamos há pouco tempo do dia da eleição e muitas pessoas ainda não se deram conta. Estamos participando das convenções do partido e da coligação, apresentando as nossas propostas para a região.
O candidato defende que Flores da Cunha tenha representantes próprios. Por quê?
Quando a gente precisa votar para deputado estadual ou federal, acaba escolhendo alguém de outros municípios. Flores da Cunha nunca teve um candidato com força suficiente para chegar à Assembleia. Isso também acontece com São Marcos, Antônio Prado, Nova Pádua e outros municípios da região. É difícil termos candidatos próprios. Eu sou de Flores da Cunha, nasci aqui, fiz minha carreira política aqui e investi na área empresarial aqui. Hoje, sou o único candidato a deputado estadual que reside no município e está construindo sua carreira política aqui. Acredito que a população precisa ter alguém que represente seus interesses e esteja mais presente nas necessidades e nos anseios da sociedade. Não pode ser candidato de Copa do Mundo, que aparece apenas de quatro em quatro anos para pedir voto. Temos políticos que estão no sexto, sétimo ou oitavo mandato na Assembleia. Isso já virou um emprego. Está na hora de mudar.
O que Flores da Cunha ganha tendo um representante na Assembleia?
Flores da Cunha sente falta de ter uma voz própria. Quando precisamos de alguma coisa do governo do Estado, temos que recorrer a representantes de outros municípios. Essa pessoa pode ouvir nossa reivindicação, buscar uma solução ou simplesmente deixar passar e esperar o mandato terminar. Eu já tenho um compromisso com o município. Tenho raízes aqui. Independentemente de quem esteja no poder ou de onde as pessoas que moram em Flores da Cunha vieram, precisamos pensar no bem maior, que é o município e a nossa região.
Qual seria sua principal prioridade se eleito deputado estadual?
A primeira é discutir muito mais os projetos e não simplesmente receber “goela abaixo” aquilo que vem do governo do Estado. Um exemplo são os pedágios. Tivemos a instalação de uma praça na região da ponte do Rio das Antas, com uma tarifa que, na minha avaliação, deveria ter sido muito mais discutida. Nossos deputados votaram quase unanimemente o projeto, e hoje está aí. Precisamos discutir mais os projetos antes de aprová-los e cobrar aquilo que é importante para a região.
A duplicação da RS-122 também está entre suas prioridades?
Com certeza. A duplicação da RS-122 é urgente e necessária. Ela representa desenvolvimento para a nossa indústria, para o comércio e para toda a região. Somos um povo muito empreendedor e trabalhador, mas precisamos de infraestrutura adequada para continuar crescendo. Precisamos olhar para isso com mais seriedade, assim como para o desenvolvimento da nossa região. Outro ponto que sou a favor, há anos, é do sistema antigranizo.
Os eventos climáticos dos últimos anos também mostraram a importância da prevenção?
E, nas enchentes, vimos o governo do Estado muito tímido na resposta aos incidentes. Flores da Cunha se mobilizou. Eu lembro que nós, do Lions Club, nos reunimos para ajudar pessoas de outros municípios que também haviam sido atingidos. Isso mostra a força da nossa região e a capacidade que temos de ajudar quando necessário. Essas são bandeiras que precisamos defender para toda a região. Não importa se a pessoa gosta ou não gosta de determinado candidato. Precisamos entender que a região precisa de representação.
É possível reunir eleitores de diferentes grupos políticos em torno de uma candidatura local?
Sim, se as pessoas entenderem o recado de que precisamos mudar. A mudança é urgente e necessária, não apenas no Estado, mas no Brasil como um todo. Mudar as pessoas, trazer pensamentos diferentes, ideias e sugestões novas e aumentar a cobrança da população pode impulsionar ainda mais o papel do deputado estadual e também do deputado federal. Eu sou uma pessoa que gosta de ajudar. Muitas vezes faço as coisas sem ficar divulgando. Acho que política também deve ser feita dessa maneira: trabalhando pelas pessoas e pelo município.
Eleições 2026:
O Florense realiza uma série de entrevistas com os candidatos a deputado estadual e federal que visitam Flores da Cunha e Nova Pádua durante o período de pré-campanha. O espaço permanece aberto a todos os postulantes que procurarem a redação para participar da série. Confira as entrevistas:
- Daniel Golin – “Quero mostrar que a inclusão precisa estar em todas as áreas”
- Comandante Nádia – “Mulheres fazem política todos os dias”
- Germano Rigotto (MDB) – “Hoje se debate mais nomes do que projetos”
- José Fortunati (PT) – “Não dá para ficar dialogando somente com os seus”
- Marisol Santos (PSDB) – “A Serra precisa ter cada vez mais voz”
- Diogo Siqueira (PL) – “Os municípios menores da Serra precisam ter uma voz mais forte em Brasília”
- Claudio Branchieri (PL) – “Defendendo menos poder para os políticos e mais liberdade para as pessoas”
- Maurício Marcon (PL) – “
- Divaldo Lara (Republicanos) – “Não precisa votar em louquinho da direita”
- Luis Fernando Rosa (PDT) – “Quero ser um pré-candidato da Serra”
- Carlos Gomes (Republicanos) – “Precisamos avançar na renegociação da dívida dos estados”

