O incêndio da Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes comoveu Flores da Cunha. Desde a segunda-feira (25), muitas perguntas são feitas em busca de respostas sobre o que aconteceu e o futuro. O jornal O Florense organizou 10 dos questionamentos mais comuns e as respostas de momento:
O que causou o fogo?
Ainda não há uma resposta definitiva. Na manhã seguinte ao incêndio, quatro peritos do Instituto Geral de Perícias (IGP) estiveram no local e conseguiram determinar o foco inicial e a dinâmica, contudo a causa dependia “de uma investigação mais aprofundada”. A hipótese de um curto-circuito foi afastada, pois não foram encontrados quaisquer vestígios na rede ou entrada da energia, mas não está descartada.
O fogo teve origem na reforma que acontecia do telhado?
Chamou atenção dos populares o incêndio ocorrer enquanto uma reforma estava em andamento no telhado, contudo é precipitada qualquer conclusão. O IGP confirma que irá ouvir os trabalhadores envolvidos e que pediria à paróquia informações sobre a empresa responsável. A obra envolvia a troca das telhas de zinco e estava em seu último dia. A perícia apontou que o foco inicial do incêndio foi “na parte superior da edificação, próximo ao forro e ao telhado“. Os relatos de testemunhas também apontam que as chamas se desenvolveram na área onde os trabalhos aconteciam.
A estrutura restante será demolida?
A resposta virá após análises posteriores. Com o incêndio, a igreja foi interditada pelos bombeiros “por risco iminente de colapso estrutural” e foi cientificado o responsável técnico da edificação. Caberá a este engenheiro civil ou arquiteto que responde pela área de segurança contra incêndio da igreja apresentar um laudo de segurança estrutural. A mensagem positiva veio do perito e engenheiro civil Cainã Amaral:
— Embora a análise estrutural não seja o foco principal da perícia, a avaliação preliminar indica que a estrutura de alvenaria está bem preservada e não apresenta risco estrutural relevante. O dano maior ocorreu nas partes de madeira, como o mezanino e a cobertura do telhado.
A Igreja possuía seguro?
Sim, a Igreja Matriz possuía um seguro contratado, contudo o frei Jadir Segala estima que o valor da apólice será muito inferior ao necessário para uma reconstrução.
— Vamos apostar em 10% (do valor). Nossa paróquia não tem dinheiro, vivemos com o caixa estrangulado. Iremos precisar contar com a ajuda da comunidade (para a reconstrução), por isso (foi lançado) o Pix solidário. Não sei os detalhes do seguro, mas quando contratamos nunca imaginamos que teria uma destruição total — lamentou.
O que poderá ser restaurado?
Até quinta-feira (28), representantes da seguradora trabalhavam na igreja e no que foi salvo para avaliar o que a apólice cobre. Até por isso, não há muitas definições sobre o que poderá ser restaurado. O incêndio consumiu tudo que era de madeira, contudo o que era de alvenaria como as paredes, o altar e estátuas próximas às paredes resistiram ao calor, conforme relato dos peritos após análise do local e fotos divulgadas.
Quanto custará reconstruir?
Antes de prospectar valor, é preciso definir se será possível aproveitar as paredes centenárias que se mantiveram de pé. A decisão entre reconstruir com o que existe ou começar do zero impacta todo o processo. Outro fator importante é que este tipo de obra de restauro histórico exige um profissional especialista e qualificado — o que não é comum na região.
Em um palpite ainda muito precoce, engenheiros e arquitetos citam um projeto de no mínimo R$ 30 milhões, mas que facilmente poderia ultrapassar R$ 50 milhões dependendo da precisão do que será feito.
Quanto tempo levará para reconstruir?
Como não há projeto nem orçamento, é outra pergunta difícil de responder neste momento. Se tudo ocorrer de forma profissional, com especialistas neste tipo de obra histórica, ainda assim a estimativa é que leve de oito a dez anos para uma reinauguração. No prazo mais otimista, especialista sugerem que ainda levaria cinco anos para conclusão.
A Prefeitura pode usar dinheiro público para reconstruir a igreja?
A Constituição Brasileira estabelece que o Estado é laico, portanto, os governos não podem financiar uma religião específica. Apesar de ser entendida como um patrimônio de Flores da Cunha, a centenária Igreja Matriz pertencia à paróquia e não era tombada como patrimônio público. Contudo, a Prefeitura é parceira da Paróquia na organização de iniciativas para angariar recursos e viabilizar a reconstrução da igreja.
— Quando eu e todos dizemos “vamos reconstruir”, nos referimos a Flores da Cunha. Todos falam com um sentimento de que perdemos uma parte de nossa casa — afirma o prefeito em exercício, Marcio Rech.
Onde ocorrerão as missas?
Como já ocorreu em momentos de reforma da igreja matriz, o salão paroquial será utilizado para as celebrações religiosas no Centro. No dia seguinte ao incêndio, o local recebeu mais de 300 pessoas para a cerimônia, alusiva ao dia de Nossa Senhora de Caravaggio. O calendário da paróquia está mantido.
— Podemos estar abalados fisicamente e emocionalmente, mas nós não podemos estar abalados na fé — salientou o frei Daniel Costella na primeira missa após o incêndio.
Corpus Christi continua?
Sim, tanto a parte religiosa quanto a comunitária do Corpus Christi ocorrerão como previsto na próxima semana. A palavra do pároco frei Jadir Segala foi a mais importante na reunião pós-incêndio:
— A vida continua.
O evento também será utilizado para apoiar as iniciativas de apoio à reconstrução da Igreja Matriz. A Prefeitura anunciou que parte da arrecadação das vendas da segunda edição do Festival Vinhos e Menarosto será destinada para esta obra. Confira a programação completa do evento na próxima semana.
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