Home Destaque Ex-subprefeito de Otávio Rocha será ordenado diácono na Igreja Matriz do terceiro distrito

Ex-subprefeito de Otávio Rocha será ordenado diácono na Igreja Matriz do terceiro distrito

Casado, pai e avô, Remi Damin dará importante passo na vida religiosa neste sábado (29), às 10h
Remi Damin optou por receber sua Ordenação Diaconal na igreja de Otávio Rocha, por sua relação com o Terceiro Distrito (Foto: Karine Bergozza)

Casado há 44 anos, pai de dois filhos e avô de uma neta, o ex-subprefeito de Otávio Rocha, Remi Damin, é reconhecido por ser uma pessoa bastante atuante na comunidade e vive uma realidade curiosa para os padrões tradicionais da Igreja. Aos 68 anos, este homem de “rotina comum” dará um grande passo na vida religiosa neste sábado (29), às 10h, quando será ordenado diácono na Igreja Matriz São Marcos, no terceiro distrito de Flores da Cunha.

O diaconato é o primeiro dos três graus do sacramento da Ordem, a etapa anterior para se tornar presbítero (padre). Mas, afinal, a que esse religioso se dedica?

— O diácono tem como foco a caridade, o servir. O que não podemos fazer é a celebração, a consagração, e nós não podemos confessar. Podemos assistir e abençoar casamentos, velórios, batizados, ministrar a comunhão, visitar doentes, dar bênçãos; fazemos praticamente o que o padre faz — explica o próprio Damin, que mora em Otávio Rocha desde a infância.

O religioso detalha que, na “missa comum”, o diácono costuma preparar o altar para o padre e, após sua autorização durante a cerimônia, proclama o Evangelho e distribui a comunhão.

Outra diferença entre padres e diáconos está nas vestimentas. Apesar de ambos utilizarem uma túnica branca, chamada de alva, em eventos festivos, os primeiros se vestem com uma casula, enquanto os últimos com a dalmática. A estola também é usada pelos dois, contudo padres a colocam caída verticalmente sobre o peito, em duas linhas paralelas. Os diáconos usam de forma transversal.

O aposentado revela que, para se tornar um diácono, é preciso equilibrar o tripé: família, trabalho e diaconato.

— Pode ser casado e pode ser solteiro também. Só que o solteiro tem que fazer o juramento do celibato no dia da ordenação. No meu caso, se a esposa falecer, eu posso continuar estudando e ser padre. Eu não posso mais casar, mas posso me formar padre — descreve.

Fé que vem de berço

A relação de Damin com a religião começou desde a infância, quando, ao lado dos falecidos pais Teodoro Piagi Damin e Olinda Maria Baldasso Damin, colaborava com a Igreja como coroinha.

— Quando eu estudava na Francisco Zilli, tinha os padres Josefinos que passavam nas escolas pedindo quem queria estudar para padre. Eu, desde aquela época, disse que queria estudar para padre. Mas, depois troquei de ideia — lembra Damin.

O tempo passou e quis o destino que o aposentado se casasse com Solange Trentin Damin, 66, com quem vive há 44 anos. Os filhos Maicon, 41, e Natália, 38, são fruto desta união, que também presenteou Remi com uma neta de oito anos, Luzia.

Contudo, nessas mais de quatro décadas de matrimônio, Damin não se afastou da Igreja. Pelo contrário, uniu forças com a esposa, que é catequista, e os dois participam da liturgia e se envolvem com as festas da comunidade. Ele também atuou como ministro da Eucaristia e participa do coral de Otávio Rocha.

(Em 2022,) eu recebi o convite para participar do diaconato. Em princípio, eu fiquei em dúvida. Fui convidado pelo então padre Paulo Nodari, que hoje já não é mais padre. Ele me conhecia, foi um tempo vigário aqui e, como a gente ajudava na Igreja, ele achou que eu tinha condições de ser diácono — conta o florense.

A partir daquele momento, Damin pesquisou sobre o diaconato e decidiu seguir este caminho de “servir as pessoas”.

— Começamos os estudos em 2022 e encerramos as atividades agora em junho. Nós íamos a Caxias do Sul, ali no Centro Diocesano de Formação Pastoral, uma vez por mês, todo sábado e todo domingo. E todas as terças-feiras à noite, das 20 às 22h, nós tínhamos aulas on-line — relata.

O religioso comenta que a rotina era bastante agitada, com muitas provas e trabalhos. Ele precisou, inclusive, realizar uma espécie de trabalho de conclusão de curso para ser aprovado.

Religioso poderá auxiliar nas cerimônias de Otávio Rocha e Nova Pádua (Foto: Karine Bergozza)

Uma Ordenação três décadas depois

A Ordenação Diaconal de Damin também é um marco para o terceiro distrito, afinal, a última celebração deste tipo foi realizada em Otávio Rocha há 30 anos e ordenou Ivanor Calgaro como diácono.

— É um momento histórico para Otávio Rocha, com certeza. Eu sempre digo que é muito emocionante. No sábado passado (dia 22), senti que não vai ser tão fácil assim. Mas estou tranquilo, sabe? Estou sentindo que está “apertando o cerco”, mas estou pedindo ao Divino Espírito Santo que me ajude, estou rezando bastante — revela Damin, na véspera deste passo tão importante em sua vida.

O religioso adianta que a cerimônia será conduzida pelo atual bispo da Diocese de Caxias do Sul, Dom José Gislon, e que incluirá diversas etapas.

— Até o Evangelho vai ser normal. Depois o bispo me interroga, me faz cinco perguntas onde eu digo que eu quero e prometo. Após são feitas as ladainhas, em que a gente deita aqui no chão da Igreja. Depois, a minha esposa, os meus filhos e a minha neta vão me vestir com as roupas de diácono — detalha Damin, acrescentando que, ao final da celebração, haverá seu pronunciamento.

A partir deste momento, o religioso poderá auxiliar nas cerimônias de Otávio Rocha, ministradas pelo padre Olavo Bombardelli, e de Nova Pádua, conduzidas por Ilvo Bottega. Contudo, ele pretende ir além.

— Quero trabalhar junto com padre Olavo e visitar as famílias da nossa comunidade. Nós temos várias famílias que vêm de outros municípios, tem muita gente de fora trabalhando, muitos argentinos. Então, a gente poderia passar nessas famílias para tentar ajudar de alguma forma essas pessoas que tanto precisam e que às vezes não têm condições ou não chegam até a Igreja para receber uma bênção — explica Damin.

O diácono faz questão de reforçar que este trabalho é voluntário e o diferencial está em se “doar para a comunidade”.

— O meu lema é: “A nossa capacidade vem de Deus”. Acredito que tudo o que nós temos, tudo aquilo que conseguimos e fizemos vem de Deus.

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