Neste ano, o Concurso Melhores Vinhos de Flores da Cunha registrou 500 amostras inscritas, elaboradas por 38 vinícolas locais, um recorde. Destas, apenas 30%, isto é, 152, foram escolhidas para integrar o Guia dos Melhores Vinhos.
A seleção segue os moldes dos concursos internacionais, premiando apenas as 30% melhores amostras de cada categoria, avaliadas nos aspectos visual, olfativo e gustativo.
— Os divulgados foram os mais bem pontuados, mas muitos outros apresentaram qualidade elevada e ficaram fora da premiação por diferenças muito pequenas de pontuação — revela Thomas Bolzan.
Cedenir Fortunatti acredita que as avaliações estão cada vez mais criteriosas, o que torna a classificação mais difícil.
— No início era bem fácil desclassificar um vinho. Existiam defeitos graves como vinhos turvos, com cheiro de vinagre, com gosto de mofo e excessivamente ácidos. Mas, nos últimos anos, a qualidade em geral de todas as vinícolas foi crescendo e temos que buscar os atributos para um vinho se sobressair — testemunha.
Darci Dani complementa que os produtores são cobrados constantemente para terem uvas de melhor qualidade e, assim, os rótulos possam conquistar prêmios, também, fora de Flores da Cunha.
— No fim essa qualidade vai ser perguntada lá no mercado e o consumidor é quem vai acabar adquirindo um produto e ficar mais satisfeito.
94 pontos
Sobre o fino tinto seco Cerro da Cruz Assemblage, da Nova Aliança, que obteve a nota máxima desta edição, 94 pontos, os enólogos destacam a dificuldade de atingir esse patamar em uma avaliação que é feita em grupo.
— Como são vários degustadores, a nota é uma conjugação de todas avaliações dos degustadores da mesa. Ou seja, para ganhar 94 pontos de mediana ou média tiveram degustadores que deram nota também acima desse valor. Um vinho de 94 pontos em um concurso é um vinho de muita qualidade — aponta Bolzan.
Fortunatti complementa que se o vinho atingiu essa pontuação é porque ele é, realmente, “um produto de excelentíssima qualidade”. Darci Dani reforça que até mesmo em concursos fora do Brasil esta nota é considerada elevada.
— O pessoal até diz que tem, lá na Europa, vinhos com 100 pontos, mas, dos concursos que participei, eles tiveram uma mediana de 95 ou 96 pontos. É muito difícil porque você vai ter alguns que gostam mais ou gostam menos e não é uma degustação de uma pessoa apenas.

