O Executivo de Flores da Cunha protocolou, na tarde de quinta-feira (17), um novo Projeto de Lei para denominar o primeiro teatro municipal. A proposta mantém o nome Teatro Terra do Sol e prevê que o palco do espaço seja denominado Palco Maria Della Costa, incorporando a homenagem à atriz e empreendedora cultural florense.
O Projeto de Lei 40/2026 foi protocolado 13 dias após o Projeto de Lei 39/2026, de autoria do vereador Deivid Schenato (PP), que foi retirado. Além da inclusão do nome de Maria Della Costa, o novo texto também corrige a denominação anterior, que apresentava a expressão “Teatro da Terra do Sol”.
A nova redação ocorre a repercussão nas redes sociais. Na última segunda-feira (14), a sobrinha de Maria Della Costa, Débora Marchioro, esteve na sessão ordinária da Câmara de Vereadores para defender o nome de sua tia. Ela lembrou aos vereadores que, desde 2021, já existiam conversas para que o futuro espaço recebesse o nome de Maria Della Costa, com participação inclusive de Natalina Flavia Francisconi, que era subsecretária de Cultura no início da gestão do prefeito César Ulian.
Aproximar duas histórias
A justificativa afirma que a proposta busca aproximar duas histórias importantes para a cultura de Flores da Cunha, com um mesmo propósito: valorizar a cultura, a memória e a identidade do município. De um lado, está a literatura e o imaginário de Flávio Luis Ferrarini, presentes na expressão “Terra do Sol”; de outro, a trajetória de Maria Della Costa, florense que alcançou reconhecimento nacional por sua atuação nas artes cênicas.
O nome escolhido para o teatro é uma alusão ao romance O Menino da Terra do Sol, obra de caráter autobiográfico na qual Ferrarini recria memórias de sua infância e juventude no interior da Serra Gaúcha. O romance também foi adaptado para um curta-metragem homônimo, dirigido por Michel Marchetti, filmado em Flores da Cunha e Nova Pádua. A produção retrata a vida no interior nas décadas de 1960 e 1970 e a trajetória de um menino que deseja tornar-se escritor.
A justificativa, assinada pelo prefeito César Ulian, também destaca que o Instituto Flávio Luis Ferrarini é o proponente do projeto de captação de recursos para a construção do teatro, por meio da Lei de Incentivo à Cultura.
Duplicidade com teatro de São Paulo
Sobre a denominação “Palco Maria Della Costa”, o documento lembra a importância da atriz e produtora florense nas décadas de 1940 e 1950 e cita o Teatro Maria Della Costa, em São Paulo, fundado pela própria artista e pelo produtor Sandro Polloni. A justificativa aponta que o nome permanece associado ao espaço até os dias atuais e apresenta essa duplicidade como um dos argumentos para a não escolha do nome da atriz no teatro municipal. O entendimento é de que isso poderia dificultar questões relacionadas a registro de marca, identidade, redes sociais e marketing.
A família da atriz e pessoas que defendem a homenagem, porém, não consideram a duplicidade um impedimento. Também destacam que o teatro paulista foi criado por Maria Della Costa e Sandro Polloni, o que reforça a relevância da artista na história da dramaturgia nacional.
Como a Casa da Cultura, onde ficará o teatro, já homenageia Flávio Luis Ferrarini, a sobrinha Débora Marchioro entende que a denominação do teatro seria mais coerente se estivesse diretamente relacionada a uma atriz cuja trajetória foi marcada pela criação de oportunidades para diversos profissionais das artes cênicas.
— Estamos falando de uma mulher que, em 1954, abriu uma companhia de teatro. Ela foi empreendedora, abriu portas para atores, atrizes, diretores, cenógrafos e muitos outros profissionais. Eu acho que a terra dela tem que lembrar dela, tem que homenageá-la. Não é só nos grandes polos, como Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Porto Alegre, que o nome dela precisa ser lembrado — afirmou Débora.
A justificativa do novo projeto defende que a denominação do palco estabelece uma relação direta entre a artista e o espaço em que a dramaturgia ganha vida, onde artistas se apresentam e diferentes histórias chegam ao público.
Investimento de R$ 3,4 milhões
O Projeto de Lei 40/2026 ainda precisa ser analisado e votado pela Câmara de Vereadores. Até o momento, não há data definida para a votação. A inauguração do novo teatro ainda não tem data definida. A construção tem um investimento de R$ 3,4 milhões.
O aporte inicial ultrapassou os R$ 2,8 milhões, sendo R$ 1.993.749,20 oriundos da Lei de Incentivo à Cultura (LIC) e R$ 878.764,26 repassados pela Prefeitura. Em agosto, a Câmara aprovou um repasse adicional de R$ 596,7 mil para serviços como forro e revestimentos acústicos, iluminação arquitetural e complementações nos sistemas de climatização e instalações elétricas.
Mesmo com a conclusão desta etapa da obra, o teatro precisará de novos investimentos. A previsão é que, em 2027, seja apresentada uma nova proposta ao Procultura RS para viabilizar a compra definitiva dos equipamentos de som e iluminação. Até lá, parte desses equipamentos deverá ser utilizada de forma provisória para permitir o início das atividades.

