Home Destaque “O discernimento é um dos principais pilares que a cultura oferece”, destaca Hique Gomez em Flores da Cunha

“O discernimento é um dos principais pilares que a cultura oferece”, destaca Hique Gomez em Flores da Cunha

Artista, multi-instrumentista e diretor refletiu sobre cultura e a capacidade humana de imaginar novas possibilidades em evento do jornal O Florense
(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)

A criatividade não é apenas uma habilidade de artistas, escritores ou músicos. Ela está na origem das histórias que a humanidade conta, na maneira como as pessoas compreendem o mundo e na capacidade de imaginar novas possibilidades. Foi a partir dessa perspectiva que o artista, multi-instrumentista e diretor Hique Gomez conduziu a palestra “Trajetória Criativa”, na noite desta quinta-feira (16), no Clube Independente, em Flores da Cunha.

Promovido dentro do Ciclo de Palestras O Florense 40 Anos, o encontro gratuito percorreu temas como teatro, folclore, cinema, neurociência, tecnologia e a trajetória profissional do artista. Mais do que apresentar uma fórmula para criar, Hique propôs uma reflexão sobre por que o ser humano cria e o que a cultura produz na vida de quem entra em contato com ela.

— Toda cultura vem com aprendizagem. A gente está sempre aprendendo um pouquinho com o mundo — destacou o artista.

Ao falar sobre a origem do teatro e das narrativas, ele voltou aos primeiros agrupamentos humanos, às histórias compartilhadas ao redor do fogo e aos rituais que ajudaram a formar as sociedades. A ideia era mostrar que contar histórias não é uma invenção recente, mas uma característica profundamente ligada à natureza humana.

Segundo Hique, as narrativas funcionam porque permitem que as pessoas se reconheçam nos personagens e nas situações apresentadas. As grandes histórias seguem estruturas que atravessam diferentes épocas e culturas justamente porque dialogam com experiências comuns à humanidade.

— Nós somos os heróis da nossa história.

A jornada dos personagens, portanto, também pode ser compreendida como uma representação da própria vida. O público se identifica com uma obra quando encontra nela algo de si, de seus conflitos, desejos, perdas e transformações. A criatividade de um, empresta fé e ensinamento ao outro.

Cultura que desenvolve

A relação entre arte e desenvolvimento humano foi um dos pontos mais destacados. Hique afirmou que o contato com música, literatura, teatro e outras manifestações artísticas estimula o cérebro, cria novas conexões e contribui para a aprendizagem.

A cultura, nesse sentido, não aparece apenas como entretenimento. Ela ajuda a ampliar a percepção, desenvolver a sensibilidade e interpretar melhor as experiências cotidianas.

— O discernimento é um dos principais pilares que a cultura oferece à gente.

(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)

Para o artista, histórias e obras de arte permitem que as pessoas compreendam situações que nem sempre vivenciaram diretamente. Ao acompanhar personagens, conflitos e escolhas, o público amplia sua capacidade de observar o outro e refletir sobre a própria realidade.

Essa capacidade de interpretação também foi relacionada por Hique à vida em sociedade. A cultura pode contribuir para que as pessoas compreendam melhor as relações familiares, as amizades, os conflitos coletivos e as decisões que precisam tomar.

A fé necessária para criar

Outro conceito recorrente foi o da fé. Não necessariamente a fé vinculada à religião, mas a capacidade humana de acreditar em uma ideia, em si mesmo e na possibilidade de realizar algo que ainda não existe.

Hique defendeu que o artista precisa acreditar na obra antes que ela seja reconhecida pelos outros. A criação exige persistência diante das recusas, das dificuldades financeiras e da incerteza sobre o resultado.

— Qualquer pessoa precisa de fé em si mesma, fé nos outros, fé na esperança, fé na humanidade.

A ideia, porém, não ficou restrita ao universo artístico. A mensagem foi ampliada para qualquer pessoa que tenha um projeto, uma profissão, um sonho ou uma iniciativa que dependa de coragem para sair do papel.

Criar, nessa perspectiva, é também acreditar que algo pode ser diferente do que é.

Criatividade diante da tecnologia

Na parte final, Hique aproximou a discussão do presente ao abordar inteligência artificial e novas tecnologias. Reconheceu o potencial dessas ferramentas, mas alertou para o risco de que o excesso de dependência tecnológica afaste as pessoas da própria capacidade de pensar, imaginar e criar.

A preocupação, segundo ele, não é com a tecnologia em si, mas com a possibilidade de o ser humano deixar de ocupar o centro do processo criativo.

A palestra terminou, assim, retomando uma questão que atravessou toda a noite: em um mundo cada vez mais veloz e conectado, preservar a capacidade de imaginar, contar histórias e produzir cultura continua sendo uma necessidade humana.

(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)
(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)
(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)
(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)
(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)
(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)
(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)

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