Home Destaque “Se você conversar isso com seu médico, a palestra já valeu a pena”, recomenda Fernando Lucchese sobre longevidade

“Se você conversar isso com seu médico, a palestra já valeu a pena”, recomenda Fernando Lucchese sobre longevidade

Com mais de 30 mil cirurgias no currículo, o médico cardiovascular palestrou em Flores da Cunha durante evento das comemorações dos 40 anos do jornal O Florense
(Foto: Nadine Dilkin)

Manter o colesterol LDL abaixo de 70 mg/dL, cultivar boas relações sociais e buscar um propósito de vida. Essas foram algumas das principais recomendações do médico cardiovascular Fernando Lucchese durante a palestra “Como viver mais e ter uma vida saudável e feliz”, acompanhada por mais de 300 pessoas na noite de quinta-feira (9), no Clube Independente, em Flores da Cunha.

O renomado cirurgião, com mais de 30 mil procedimentos e cerca de 100 transplantes no currículo, cumpriu a proposta de sua palestra . Com sua fala calma e familiar, foi direto ao ponto: sim, é possível prolongar nosso tempo de vida. Logo no início de sua fala, Lucchese enfatizou que a dica mais importante é a manutenção do colesterol LDL em níveis baixos, especificamente abaixo de 70 mg/dL.

— Se você levar essa informação a sério, sair daqui e conversar isso com o seu médico, a palestra já terá valido a pena. Terá valido a pena eu ter vindo a Flores da Cunha — destacou, explicando que o controle rigoroso do LDL é fundamental para prevenir doenças cardiovasculares e garantir a longevidade.

Todavia, é notório que não existe fórmula mágica. Durante pouco mais de uma hora, o médico apresentou estudos científicos e experiências acumuladas ao longo de décadas de atuação para mostrar que viver mais depende muito mais das escolhas diárias do que da genética.

Segundo Lucchese, apenas cerca de 17% da longevidade é determinada pelos genes, enquanto o restante está relacionado ao estilo de vida.

— Por isso, não confiem naquele parente que viveu 100 anos — brincou, ao defender que os hábitos de vida têm influência muito maior sobre quanto e como as pessoas envelhecem.

Estilo de vida saudável vai além da alimentação

Lucchese destacou que saúde não se resume à ausência de doenças. Segundo ele, um estilo de vida saudável envolve alimentação equilibrada, atividade física, lazer, bem-estar familiar, estabilidade emocional, espiritualidade e boas relações sociais.

O médico apresentou o que chamou de sua “equação da longevidade”, defendendo que viver mais exige a combinação entre saúde física e felicidade.

— Você pode ter tudo organizado e ainda não ser feliz. A longevidade depende dessa combinação — explicou.

Entre os fatores que mais prejudicam a saúde emocional, citou sentimentos como inveja, culpa, solidão, frustração e a incapacidade de perdoar.

Das pesquisas científicas, Lucchese apresentou as chamadas “zonas azuis” — quatro regiões do mundo com grande concentração de centenários — e quais características que apresentam em comum: como alimentação baseada em produtos naturais, pouco consumo de alimentos industrializados, atividade física constante e forte convivência comunitária.

Relações humanas aumentam a expectativa de vida

Um dos pontos mais enfatizados pelo palestrante foi o impacto das relações sociais sobre a saúde. Ao citar um dos mais longos estudos sobre desenvolvimento humano já realizados, Lucchese afirmou que boas amizades e vínculos familiares têm influência direta tanto na felicidade quanto na longevidade.

— Boas relações sociais protegem tanto quanto controlar a pressão alta ou o diabetes — salientou.

Ele também alertou para os efeitos negativos da comparação constante nas redes sociais.

— As redes sociais têm um grande poder de gerar frustração porque estimulam comparações.

Outro tema recorrente foi a solidariedade. Lucchese apresentou experiências desenvolvidas na Santa Casa de Porto Alegre, como o trabalho de centenas de voluntários e a Casa de Apoio destinada a pacientes e familiares vindos de diferentes estados brasileiros. Segundo ele, estudos mostram que pessoas solidárias apresentam maiores índices de felicidade.

— Quem doa é mais feliz do que quem recebe — destacou.

Felicidade precisa ter propósito

A felicidade é um ponto chave. E, na parte final da palestra, Lucchese destacou a importância de encontrar um propósito de vida. Para ele, propósito é aquilo que faz a pessoa levantar da cama todos os dias e seguir em busca de seus objetivos, sejam eles familiares, profissionais ou pessoais.

Ao encerrar o encontro, deixou uma reflexão que, segundo contou, utiliza há cerca de 15 anos para concluir suas palestras.

— A busca da felicidade é o meu único compromisso com a vida.

(Foto: Nadine Dilkin)
(Foto: Nadine Dilkin)
(Foto: Nadine Dilkin)
(Foto: Nadine Dilkin)
(Foto: Nadine Dilkin)
(Foto: Nadine Dilkin)
(Foto: Nadine Dilkin)

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