Um dos nomes mais reconhecidos da cirurgia cardiovascular no Brasil, o médico Fernando Antônio Lucchese estará na Terra do Galo no dia 9 de julho, para participar do Ciclo de Palestras O Florense 40 Anos. O encontro no Clube Independente, às 19h, será aberto ao público e trará uma reflexão sobre saúde, comportamento e longevidade.
Com mais de cinco décadas dedicadas à medicina e mais de 30 mil cirurgias cardíacas realizadas, Lucchese construiu uma trajetória ligada aos avanços da cardiologia no Rio Grande do Sul. Participou de procedimentos pioneiros, como o primeiro transplante de coração bem-sucedido do Estado, e atuou em instituições de referência como a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e o Hospital Moinhos de Vento.
Além da atuação em centros cirúrgicos, o médico também é autor de obras como “Pílulas para Viver Melhor” e “Fatos e mitos sobre sua saúde”, nas quais defende uma visão ampliada da medicina, que ultrapassa o tratamento da doença e alcança a forma de viver. Em suas palestras, traduz a experiência de décadas de prática em orientações diretas sobre prevenção, comportamento e escolhas de vida.
— Ao longo de mais de 30 mil cirurgias, vi muitos erros de conduta de saúde e suas consequências. Sempre se paga um preço. Tudo o que se faz contra a natureza, ela devolve ao corpo — afirma o médico.
A palestra “Como viver mais e ter uma vida saudável e feliz” terá caráter solidário, já que o cachê foi doado pelo médico para a reconstrução da Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes.
“Estilo de vida é o ato mais importante em favor da vida”
A experiência acumulada ao longo de mais de 50 anos de medicina levou Lucchese a uma leitura direta sobre os fatores que determinam a saúde e a longevidade. Para o cardiologista, os desfechos clínicos não se explicam apenas pela medicina, mas pelas escolhas cotidianas de cada pessoa.
— Propósito na vida é fundamental. As pessoas que se deram melhor na vida foram as que tiveram melhor propósito. Isso é o que eu tenho observado em relação aos pacientes que se submetem a uma cirurgia cardíaca. Os que têm projeto e propósito vivem mais — observa Lucchese, que considera o estilo de vida um dos principais determinantes da longevidade.
— Estilo de vida é o ato mais importante em favor da vida. Um bom estilo de vida inclui vida pessoal organizada, vida financeira, exercício e alimentação adequados e principalmente propósito na vida. Quem tem muitos projetos pode morrer num acidente, mas a longevidade dele é certamente maior — diz.
O médico também diferencia conceitos que, segundo ele, costumam ser confundidos no dia a dia.
— Estilo de vida é diferente de qualidade de vida. Qualidade de vida rima com conforto. Qualidade de vida é ter um automóvel, uma vida organizada, uma profissão adequada, uma boa moradia, transporte, salário… estilo de vida é muito mais do que isso, não tem nada a ver com ganhos, um indivíduo pobre pode ter um excelente estilo de vida — explica.
Redução de riscos
Lucchese destaca o impacto da informação na prevenção de doenças.
— A participação em programas de saúde, televisão, rádio, jornais ao longo desses mais de 50 anos me ensinaram que nós podemos fazer muita prevenção e corrigir muito problema ensinando através da mídia — ressalta.
O médico lembra ainda das transformações da cardiologia ao longo das últimas décadas, especialmente no avanço tecnológico e na redução de riscos cirúrgicos.
— Hoje operamos coração com risco baixíssimo, menos de 0,5% de risco de vida numa cirurgia cardíaca. Nós começamos com 30 a 40%. Estamos com uma profusão de novas tecnologias que estão mudando a vida do ser humano — observa.
Entre os conceitos que devem nortear a palestra está uma equação “imbatível” que o médico utiliza para explicar a relação entre estilo de vida, saúde e longevidade.
— Irei passar para o pessoal de Flores da Cunha no dia da palestra: estilo de vida é igual à saúde, que é igual à longevidade, que leva à felicidade — resume Lucchese, que salienta a sua ligação com a Terra do Galo e o caráter simbólico de sua participação no Ciclo de Palestras d’O Florense.

