Home Destaque Apenas 23 agricultores de Flores da Cunha receberam subvenção do seguro rural

Apenas 23 agricultores de Flores da Cunha receberam subvenção do seguro rural

Um mês após o bloqueio de recursos federais, produtores ainda aguardam uma definição do Governo sobre o programa que reduz o custo das apólices
(Foto: Karine Bergozza)

Agricultores de Flores da Cunha e Nova Pádua seguem acompanhando com apreensão o futuro dos recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Um mês após o anúncio do bloqueio das verbas, o cenário permanece sem uma definição concreta sobre a liberação dos valores que auxiliam produtores no pagamento das apólices.

Pelo segundo ano consecutivo, o seguro rural foi afetado por medidas de contenção de despesas do Governo Federal. Em junho, a União bloqueou R$ 461,7 milhões e, posteriormente, cancelou outros R$ 56,3 milhões do orçamento previsto para o programa. Somadas, as medidas atingiram cerca de R$ 518 milhões, o equivalente a mais da metade dos R$ 991,9 milhões inicialmente destinados à iniciativa.

A redução dos recursos faz parte do esforço da equipe econômica para cumprir as metas fiscais previstas para 2026 e adequar as despesas aos limites estabelecidos pelo arcabouço fiscal. Embora os bloqueios possam ser revertidos caso haja melhora nas contas públicas, a indefinição mantém produtores e entidades do setor em alerta.

Apenas 23 contemplados

O Programa de Subvenção do Seguro Rural oferece um auxílio de até 40% do valor da apólice para apoiar a proteção de plantações contra eventos climáticos. O governo desconta o valor direto na apólice. Se este pagamento não é feito, a seguradora envia esta cobrança “extra” ao agricultor.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares (STR) de Flores da Cunha e Nova Pádua, Ricardo Pagno, não houve mudanças significativas desde as últimas informações divulgadas pelo governo federal.

— Não tivemos alteração nenhuma desde as últimas informações do Governo Federal (em junho). Estamos em trabalho constante tanto com o Ministério da Agricultura e Pecuária quanto com deputados, mas o que temos até agora é o corte anunciado. Os recursos liberados foram muito poucos — afirma.

Até o momento, apenas 23 agricultores de Flores da Cunha que contrataram o seguro rural foram contemplados com a subvenção federal. O sindicato ainda não possui um levantamento sobre os produtores de Nova Pádua que receberam o benefício.

— Também precisamos considerar que é de agora em diante que o Governo começa a liberar esses recursos. Ainda estamos acompanhando, mas até agora a liberação foi bastante limitada — pontua.

A indefinição mantém a preocupação entre os produtores. Segundo o presidente do sindicato, a entidade tem recebido diariamente agricultores em busca de informações sobre o andamento do programa.

— As incertezas continuam. A preocupação dos nossos agricultores é diária. Quase todos os dias nossos produtores vêm até o sindicato para perguntar se há alguma definição e, infelizmente, não temos muito o que passar para eles. Uma certeza, se haverá ou não liberação, a gente não consegue dar — relata Pagno.

Proteção diante do clima

Mesmo sem uma confirmação sobre os recursos federais, o STR mantém a orientação para que os agricultores avaliem a contratação do seguro rural, principalmente diante das previsões climáticas para a próxima safra.

O programa funciona como uma forma de reduzir os impactos financeiros causados por eventos como granizo, excesso de chuva, estiagens e outros fenômenos que podem comprometer a produção.

— É uma decisão pessoal, mas neste ano temos previsões climáticas ruins com El Niño. Ficar sem seguro é bastante arriscado — lamenta Pagno.

Levantamento regional

Além da articulação junto ao Ministério da Agricultura e aos parlamentares, o STR trabalha na elaboração de um levantamento sobre a necessidade de recursos para a Serra Gaúcha. A intenção é apresentar ao Governo Federal dados que demonstrem o volume necessário para atender as principais culturas, especialmente as frutas.

— Estamos trabalhando diariamente e fazendo um levantamento de quanto de recursos precisaríamos para cobrir as frutas na região da Serra Gaúcha para apresentarmos números ao Governo Federal — afirma o presidente do STR local.

Pagno reforça que o sindicato manterá o acompanhamento junto aos órgãos responsáveis em busca de novas informações sobre a liberação dos recursos, enquanto aguarda uma posição oficial.

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