O cenário de tensão entre Irã e Estados Unidos impacta diretamente no aumento dos preços internacionais de uma das principais matérias-primas mundiais: o petróleo. O conflito entre os dois países é evidenciado ao observarmos o preço dos combustíveis, como o diesel, que subiu cerca de 25%.
Apesar de Flores da Cunha não possuir grandes lavouras, o aumento do diesel também reflete diretamente no custo da produção agrícola.
— Hoje é tudo pelo diesel: trator, irrigação, deslocamento e transporte para entrega. A própria caminhonete para ir ao campo, todos os dias, é movida a diesel. No transporte da lavoura (Vacaria) para Flores da Cunha também, o alho vem e tem que pagar frete, o frete aumenta (com o aumento do diesel) e tudo impacta no custo — detalha o agricultor Luciano Giachelin, de 28 anos.
Ao lado do pai, Paulo, e dos irmãos, Lucas e Luan, a família cultiva seis hectares de uva bordô e mais de 70 mil pés de morango, em Flores da Cunha. Mas a maior produção se concentra no município de Vacaria, onde possuem 60 hectares de soja, 10 de cenoura e 12 de alho.
— Agora tem a colheita da soja, e a máquina que colhe gasta 1 mil litros de diesel em dois dias, bem facinho. Se trabalhar mais direto, é capaz de em um dia usar 1 mil litros, porque essas máquinas gastam bastante — contextualiza.
Luciano Giachelin explica que cada cultura sofre seus próprios impactos com o aumento do diesel. No caso da uva, ele acredita que a diferença seja pequena, pois o gasto é basicamente com tratores e transporte para entrega.
— Já no cultivo do alho dá mais diferença porque precisa de bastante irrigação. Por questão do calor durante o dia, molhávamos às noites e, querendo ou não, cada molhada são 200 a 300 litros de diesel.
O agricultor aponta que o grande aumento em um curto período de tempo criou uma diferença de R$ 2,5 mil nos custos.
— Sempre pegamos 1 mil litros de diesel por vez e antigamente estava dando R$ 5,4 mil, porque tu consegues um preço melhor. Hoje, chegamos a pagar R$ 7,9 mil.
Esta sensação de insegurança toma conta dos produtores que “trabalham sem saber o que fazer”, pois nem sempre é possível repassar o aumento.
Valor dos insumos também gera apreensão
O Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares (STR) de Flores da Cunha e Nova Pádua, Ricardo Pagno, aponta que, além da alta do diesel, os produtores rurais lidam com o aumento dos insumos agrícolas.
— Em virtude de tudo o que está acontecendo (entre Irã e Estados Unidos), há aumento nos fertilizantes, adubos e defensivos. A maioria deles usa matéria-prima derivada do petróleo, o que gera um cenário de incertezas.
Para lidar com a instabilidade, uma das alternativas citadas por Pagno é antecipar as compras, mas, mesmo assim, trata-se de uma situação delicada afinal, é preciso levar em consideração que muitos agricultores ainda não receberam o valor total da safra por seus produtos.
— De modo geral, estamos vindo de um ano que foi bom para a produção, mas muito ruim para preços — aponta.
O presidente do STR opina que o agricultor está vivendo cenários “preocupantes” e “desafiadores”.
— Nós também estamos sempre em função da questão do seguro agrícola para ter uma garantia, pelo menos na produção, que também não está fácil, já que garantia de mercado e de preços a gente não tem — desabafa Pagno.

