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Mãe que virou parceira de quadra viverá primeiro Dia das Mães longe do filho atleta

Incentivadora desde o início, Marieli Hohensee acompanhou cada passo do sonho no vôlei e agora enfrenta a saudade com o filho em nova fase da carreira, em Veranópolis
Deivid e sua maior fã, a mãe Marieli Hohensee (Foto: Divulgação)

Pela primeira vez, Daniel Deivid Dal Bó não passará o Dia das Mães em casa. Aos 18 anos, o atleta inicia uma nova fase no vôlei de quadra, em Veranópolis — cidade onde tenta transformar o esporte em profissão. Um caminho pavimentado pelo apoio incondicional da mãe, Marieli Hohensee.

Filho único, Deivid começou no vôlei de praia ainda adolescente. Com o tempo, a dedicação aumentou — e Mari percebeu que o vôlei deixava de ser apenas um hobby. Foi quando deixou de ser espectadora e passou a fazer parte de tudo o que envolvia o sonho do filho.

Mesmo sem conhecimento técnico, a mãe se fez presente em cada competição — como motorista, incentivadora e até treinadora improvisada à beira da quadra.

A rotina também exigiu mudanças. Em dias de torneio, o despertador tocava de madrugada. Muitas vezes, mãe e filho passavam o dia inteiro entre jogos e viagens.

Compromissos pessoais ficaram em segundo plano. Até as amigas já sabiam e, antes de qualquer convite, a primeira pergunta era se Deivid teria campeonato naquele fim de semana. Se a resposta fosse sim, não havia dúvida de que Mari estaria lá.

Entre o apoio e a quadra

Foi nesse processo de amadurecimento juvenil e amor ao vôlei que Deivid decidiu começar a dar aulas. E, novamente, Mari estava lá no papel de mãe para incentivá-lo.

— Era inverno, tinham poucos alunos, e eu via o quanto aquilo era importante pra ele. Então, eu comecei a participar para ele não desanimar — conta a mãe que virou aluna.

Naturalmente, com a prática e parceria, a mãe também se apaixonou pelo esporte e passou a disputar competições. O que levou a outro momento marcante: jogar em dupla com o filho.

— Eu sou muito nervosa e, durante os jogos, era ele que me acalmava. Ali eu senti os papéis se inverterem um pouco — brinca.

Esse momento único ganhou ainda mais significado por acontecer no dia do aniversário dela.

— Ele me disse que estava realizando o sonho de subir ao pódio comigo. Aquilo não tem explicação — emociona-se.

A dupla chegou à final e conquistou o segundo lugar daquele torneio. Para Deivid, a experiência também foi especial.

— Foi incrível. Tentei deixar ela tranquila, e poder levá-la ao pódio foi algo muito especial. Me deixou muito orgulhoso — lembra.

Da areia à quadra: um novo desafio acompanhado de saudade

A dedicação de Deivid também demonstra resultados, cada vez contra adversários mais qualificados. Um dos momentos decisivos dessa trajetória foi a participação em um campeonato estadual, em Porto Alegre.

Deivid conquistou o quarto lugar em duplas — resultado que representou uma virada. O jovem florense recebeu o convite para integrar a equipe Unidos pelo Voleibol (UPV), de vôlei de quadra, em Veranópolis.

Até então, o caminho de Deivid era construído na areia. Só que o convite representava não apenas uma transição de modalidade — do vôlei de praia para o de quadra —, mas também mudança de cidade.

Uma decisão difícil, afinal significava deixar para trás a rotina em casa e a convivência diária com a família. Ainda assim, a resposta veio com convicção.

— Era uma oportunidade que eu precisava abraçar. Pode ser o que vai mudar a minha vida — relata Deivid.

No final de abril, o jovem atleta deixou a casa da mãe para conciliar treinos, jogos e uma rotina mais intensa dentro do esporte.

Na última terça-feira (5), estreou no primeiro campeonato pela UPV. A adaptação não tem sido simples, mas o objetivo de Deivid é claro.

— A rotina está bem puxada. Se Deus quiser, quero continuar vivendo disso e evoluir cada vez mais no esporte — aponta.

Adaptação que também é sentida deste lado do Rio das Antas. Mari admite que sentiu a mudança desde o primeiro dia. A saudade é constante, amenizada por chamadas de vídeo quase todas as noites.

Neste ano, o Dia das Mães terá um significado especial — e desafiador. Pela primeira vez, a data será vivida à distância. Em função da competição, Deivid não estará em casa. Estará em concentração.

Ao olhar para trás, Deivid não tem dúvidas sobre quem esteve em cada etapa da trajetória.

— É difícil dizer em que momento ela não ajudou. Foi suporte em tudo: na locomoção, no emocional, no financeiro… em tudo que eu precisava.

Essa base construída ao longo dos anos é o que permite que Deivid siga o próprio caminho dentro do esporte — mesmo que, pela primeira vez, isso ocorra longe da sua maior fã e incentivadora: a mãe Marieli.

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