Para quem é fã de The Beatles, o segundo fim de semana da Fecouva reserva uma oportunidade de revisitar o legado do quarteto de Liverpool. Neste sábado (28), às 21h, o público poderá conferir um espetáculo que revisita a obra do grupo por uma via instrumental pouco convencional. À frente do projeto The Beatles no Acordeon, o acordeonista Diego Dias leva ao palco releituras que preservam a essência das composições enquanto deslocam a condução melódica para o fole.
A iniciativa surgiu da combinação entre admiração pelo grupo britânico e o desejo de ampliar fronteiras criativas. Integrante da banda Vera Loca, Diego já acumulava reconhecimento no cenário do rock do sul do país, mas buscava um projeto autoral que lhe permitisse explorar outras possibilidades estéticas.
— A ideia surgiu da paixão por Beatles e das infinitas possibilidades que esse instrumento possibilita. Sou integrante da banda Vera Loca e tinha vontade de ter um projeto além dessa banda que já tinha um trabalho reconhecido no sul do Brasil — explica.
A escolha do instrumento foi afetiva. O acordeon foi o primeiro instrumento que Diego aprendeu a tocar, aos seis anos. Na adolescência, ao inseri-lo no repertório do rock, identificou ali um campo ainda pouco explorado.
— A escolha do Acordeon é por ser o primeiro instrumento que aprendi a tocar aos 6 anos. Desde adolescência usando esse instrumento no Rock vi que poderia ir mais além. Hoje o projeto também interpreta outros clássicos do rock que vão além dos Beatles, como Queen, Elvis Presley, Raúl Seixas e muito mais.
“O momento atual é sempre o melhor”
Embora o ponto de partida seja a obra dos Beatles, o repertório se expandiu. Canções de Queen, Elvis Presley e Raul Seixas também ganham releituras.
— Tentamos manter as músicas como elas nasceram e o acordeon aparece como se fosse a voz. A sonoridade do acordeon já é o diferencial num país que ama o acordeon, a gaita, ou a sanfona como é chamada fora do RS.
Criado em 2014, o projeto amadureceu na prática de palco. Para Diego, a consistência artística se constrói na estrada, diante do público.
— Acho que o projeto andou de forma tão natural, sem pressão, que não temos nenhuma frustração, ou algo que faríamos diferente. Um show de música só fica bom na estrada, testando, acertando ou errando.
Com o passar dos anos, o espetáculo ganhou robustez técnica e impacto cênico. O crescimento de público acompanha a consolidação da proposta.
— O The Beatles No Acordeon só continua por que o momento atual é sempre o melhor. Estamos em constante crescimento de público e reconhecimento.
Um dos marcos dessa trajetória foi a participação no programa Domingão do Faustão, exibido pela Rede Globo, vitrine que ampliou a visibilidade nacional do projeto. Na sequência, a pandemia interrompeu o ritmo de expansão, cenário que afetou o setor cultural de forma ampla.
— Objetivos que temos a alcançar acredito que seja um reconhecimento nacional que começamos a construir com nossa aparição no Domingão do Faustão na rede Globo, mas que logo após tivemos uma pandemia pela frente que acabou atrapalhando o andar das coisas para todo mundo. Esse ano voltaremos a Inglaterra em Agosto e isso trás ainda mais força para nosso trabalho.
No palco, a proposta é surpreender. O contraste entre repertório consagrado do rock e a sonoridade do acordeon produz um efeito de redescoberta.
— Hoje o show é mais impactante do que era no princípio, as pessoas são surpreendidas a todo instante com canções que nunca imaginaram ouvir na gaita.

