A Defesa Civil do Estado concluiu que o fenômeno meteorológico que destruiu parte da igreja e da escola de Mato Perso, na noite de terça-feira (28), foi uma microexplosão atmosférica. O relatório descarta a ocorrência de um tornado e aponta que os ventos podem ter ultrapassado 100 km/h.
Com base nos dados do radar de Porto Alegre, a microexplosão ocorreu por volta das 23h10min. O fenômeno foi provocado pela mesma supercélula que, horas antes, havia gerado um tornado em Giruá. Depois de atingir Flores da Cunha, o sistema perdeu força e se dissipou na região de São Francisco de Paula.
Os relatos dos moradores são de que tudo aconteceu em questão de segundos. Além da força dos ventos, a região também foi atingida por uma forte chuva de granizo. A força do vento derrubou uma das paredes laterais da Igreja de Santa Juliana, comprometendo a estrutura do prédio. A Escola Municipal Antônio de Souza Neto teve arrancada parte do telhado, paredes comprometidas e a estrutura da quadra esportiva destruída.
Também foram registradas quedas de árvores e de portes de energia elétrica. Felizmente, não houve relato de feridos.
O que é uma microexplosão atmosférica:
A microexplosão atmosférica (ou microburst) é uma intensa corrente de ar frio que desce rapidamente da base de uma nuvem de tempestade. Ao atingir o solo, esse ar se espalha em todas as direções, produzindo rajadas extremamente fortes, capazes de superar 100 km/h e provocar destruição semelhante à de um tornado. A principal diferença é que, enquanto o tornado apresenta ventos em rotação, a microexplosão gera ventos descendentes que se espalham horizontalmente.
Missa terá orientações sobre escola
A Prefeitura ainda faz avaliações para decretar, ou não, estado de emergência — o que ajudaria na aplicação de recursos para a reconstrução. No domingo (2), a comunidade realizará uma missão no salão da Comunidade Santa Juliana. Além de um momento de fé, o encontro servirá para esclarecer à comunidade como será a retomada das atividades escolares e apresentar os próximos passos da reorganização da escola.
— A gente vai fazer essa missa também em agradecimento, porque os bens materiais a gente recupera, mas as pessoas são mais importantes. Ninguém perdeu a vida, ninguém se machucou. Depois vamos conversar com a comunidade e explicar como vamos seguir daqui em diante — explica a diretora Claudete Gaio Conte.
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