O forte temporal que atingiu o interior de Flores da Cunha no fim da noite de terça-feira (28), provocou destruição em diversos pontos do distrito de Mato Perso. Os ventos intensos e a queda de granizo causaram danos estruturais significativos na comunidade. Um dos locais atingidos foi a Escola Municipal Antônio de Souza Neto, na área central do quarto distrito.
A diretora Claudete Gaio Conte, 52 anos, conta que o quarto distrito estava sem energia elétrica e sem internet durante toda a terça-feira (28). Em razão disso, ela foi informada em sua residência sobre o ocorrido com a escola.
— Eu estava em casa, buzinaram e me chamaram. Era um membro da diretoria do Corinthians (Esporte Clube) dizendo que tinha passado um tornado pelo centro do distrito, que a escola estava parte destelhada e que tinha caído parte da igreja — conta.
Claudete dirigiu-se imediatamente para a escola e encontrou um cenário de “desastre”.
— A gente vê muito nos filmes e na televisão, mas visualizar isso presencialmente não parece real. O que aconteceu, na verdade, não parece real — emociona-se.
“Contra a natureza, a gente não tem o que fazer”
A Escola Antônio de Souza Neto, que era estadual, passou por uma reforma em 2020 após ter sido municipalizada. A parte da edificação que foi destelhada pelos ventos era ainda da construção chamada de Brizoleta, de 1960.
— De pronto a comunidade ajudou, nós já tiramos todos os materiais elétricos que tinha, computadores e retroprojetores, o que foi possível tirar de madeira levamos para parte que a princípio estaria coberta, que é a parte mais nova da escola. Mas ali também tem uma sala que está com as janelas todas quebradas. A quadra de esportes foi totalmente destruída, além do telhado, toda a parede quebrou, a gente vê as estruturas metálicas todas retorcidas. Contra a natureza, a gente não tem o que fazer — lamenta.
Claudete explica que foram apenas retirados alguns equipamentos da sala, mas que a escola não pode mexer na estrutura. É preciso aguardar a Prefeitura e a seguradora para definir o que é possível fazer.
— Eles estão cortando as árvores para limpar, por enquanto. À tarde eles (Prefeitura) retornam e a gente vai ver os próximos passos.
A diretora também se entristece como moradora da localidade há mais de 30 anos e ex-aluna da escola. Afinal, acompanhou de perto as conquistas alcançadas pela comunidade que foram destruídas em minutos.
— (Recentemente) ganhamos uma verba da Sicredi e compramos 200 cadeiras plásticas. Nós tínhamos colocado um som aqui e íamos fazer a inauguração (desse espaço) agora na segunda-feira. Mas, infelizmente vai ficar para um outro momento.
Volta às aulas
Os estragos da tempestade não impactaram nas atividades escolares, já que a rede municipal está em período de recesso. No entanto, o retorno, que estava previsto para a próxima segunda-feira (3), é avaliado:
— Não sabemos ainda se retornaremos na próxima semana porque acho difícil voltar na segunda-feira depois do recesso, porque tem toda uma estrutura para organizar. Mas o mais importante que eu diria é que a estrutura física a gente repõe. Isso aconteceu durante a noite, então não tivemos danos pessoais, crianças não estavam aqui, nem funcionários – observa Claudete, aliviada pela tragédia não ter feridos.
A diretora conta que nesta manhã (29) a secretaria da Educação de Flores da Cunha esteve no local para verificar os estragos. Ela adianta que a previsão é transferir o atendimento dos 112 alunos, da educação infantil ao nono ano, para um pavilhão próximo. A diretoria da comunidade de Santa Juliana já colocou o seu salão à disposição da escola, assim como a diretoria do Esporte Clube Corinthians.




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