O Dia dos Pais convida a refletir sobre o papel daqueles que não medem esforços para ver os filhos felizes, inclusive dentro do ambiente escolar.
Em Flores da Cunha, o envolvimento da figura paterna nos Círculos de Pais e Mestres (CPMs) redesenha o cenário das escolas locais por meio do afeto e do trabalho comunitário. São homens que entendem que educar é um ato de presença e que a melhor herança que podem deixar é o exemplo de dedicação.
Este é o caso de pais que transformam seu ofício e suas habilidades em ferramentas de alegria para os filhos e para toda a comunidade estudantil, como o escultor Giovani Betanin, 42 anos.
Apesar de muitos florenses não o conhecerem, certamente já pararam para admirar seu trabalho. Ele é responsável por criar e confeccionar as decorações que transformam diversos pontos da cidade em datas como Natal e Páscoa.
Pai da Giulia, 11, Giovani começou a produzir as ornamentações quando a filha era pequena, para agradá-la. Com o mesmo intuito, decidiu integrar o CPM da Escola Municipal 1º de Maio, onde a filha atualmente estuda no 5º ano.
— Eu sempre comunico à diretora que vamos tentar atender a escola com o que a gente consegue e tem. Algumas coisas de estrutura, como prateleiras, nem passaram por CPM; ela só me ligou, disse que precisava e respondi: deixa para mim. Como temos marcenaria, consegui o material, montei e trouxe (voluntariamente) — conta Betanin, empolgado.
O escultor explica que participar da vida escolar da filha, conhecer a escola, os professores e a direção é fundamental para que “ela se sinta em casa”.
— Essa questão de auxiliar a escola, principalmente com o lúdico da Páscoa e do Natal, e depois fazer parte do CPM, foi 100% para ver a minha filha contente — admite.
Betanin se sente realizado ao ver um sorriso no rosto de sua filha e poder estender esse sentimento a outras crianças por meio de sua arte.
— Estou aqui para fazer a felicidade dela, mas também para mostrar que o mundo ali fora não está cheio de gente te esperando para te abraçar. Por outro lado, não quero que ela enxergue o mundo só como uma bola de problemas — reflete.

(Foto: Karine Bergozza)
“Eu não ia ser um pai normal”
Por volta dos seis meses, Giulia teve que passar por uma cirurgia pois tinha craniossinostose — fechamento precoce das linhas que separam os ossos do crânio do bebê, o que causaria uma deformação na cabeça.
— Levamos um baque quando ela teve que fazer a cirurgia, que foi de orelha a orelha, cortando e tirando toda a parte do osso da cabeça — conta.
O pai recorda que a esposa (a professora Priscila Tronco Betanin, 41) e ele pediram a Deus para que desse tudo certo e, graças à fé dos dois, assim aconteceu.
— Foi bem complicado, a gente teve muito medo de perder ela. Quando ela estava na UTI, eu me ajoelhei na frente dela, era um bebezinho, e prometi para mim mesmo que se ela sobrevivesse eu não ia ser um pai normal. Eu disse que ia tentar fazer de tudo na vida dela para ela ser uma criança feliz! — revela o pai, que tem cumprido sua promessa, para a alegria de toda uma escola.

