A cada quatro anos, uma febre toma conta de crianças, jovens e adultos. Desde aqueles apaixonados por futebol até os que acompanham o esporte apenas durante a Copa do Mundo, o álbum de figurinhas volta a ocupar espaço na rotina e nas conversas.

(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)
Em Flores da Cunha, faltando menos de um mês para o principal torneio de futebol do planeta, a corrida pelas figurinhas já é visível nas ruas, nos grupos de mensagens e no comércio local, onde a procura cresce a cada semana.
Embora a busca pelos cromos aconteça em diversos pontos da cidade, inclusive em farmácias, um dos grandes focos dessa atividade tem sido a Livraria Qualitá. O local passou a promover encontros de troca todos os sábados, reunindo colecionadores interessados em avançar na montagem de seus álbuns.
— Em outros anos eu via que outras lojas em municípios vizinhos já promoviam encontros de troca e isso sempre me chamou atenção. Era algo que movimentava bastante gente e criava um ambiente diferente dentro das lojas. Então resolvi tentar trazer isso para cá também — explica Douglas Schiochet, organizador e proprietário da livraria.
Logo no primeiro encontro, realizado no último sábado (9), a participação superou as expectativas: mais de uma centena de pessoas compareceram nas primeiras horas. A proposta é manter a agenda aos sábados ao longo de toda a Copa.
— Foi um sucesso, apareceu muita gente. A ideia agora é manter esses encontros todos os sábados, tanto de manhã quanto à tarde. Assim o pessoal já sabe que tem um lugar certo para vir trocar e se organizar — afirma Douglas.
Este ambiente também se torna um solo fértil para florescer novas amizades.
— Muitas vezes a pessoa vem sozinha, sem conhecer ninguém, e acaba conversando, trocando figurinha, criando um vínculo. Quando vê, já conhece várias pessoas, faz amigos e volta nos próximos encontros.
Produzido pela editora Panini, o álbum oficial da Copa do Mundo é vendido por R$ 24,90. Já os pacotes de figurinhas custam R$ 7 cada. A coleção é composta por 980 cromos. Por isso, para completar o álbum, é estimado um investimento superior a R$ 1 mil.
“Sozinho fica muito difícil”
O álbum também tem significado especial como uma atividade que une famílias. O pequeno João Pivoto D Cene, de cinco anos, foi motivado pelos pais, Tassiana Pivoto, 45, e Carlos Alberto Lopes D Cene, 49, a colecionar as figurinhas e é um dos participantes dos encontros de troca na Livraria Qualitá.
O pai Alberto mantém a tradição de colecionar álbuns das Copas, desde 1990, e compartilha com o filho.
— Na última Copa eu até cheguei a pegar o álbum, mas ele era muito pequeno ainda e não tinha tanto interesse. Agora, com cinco anos, é diferente, ele participa de verdade, se envolve, quer abrir os pacotes e colar tudo — relata.
A família adquiriu o álbum logo logo após o lançamento e incorporou a atividade à rotina. A coleção já está quase completa. Um dos momentos marcantes dessa trajetória recente foi o aniversário de João, comemorado na última segunda-feira (12), quando o pai decidiu presentear o filho com uma grande quantidade de figurinhas.
— Dei 40 pacotinhos, que deram 280 figurinhas. Foi uma festa para ele abrir tudo isso. Tudo o que tem ali no álbum foi ele que colou, do jeito dele. Para a idade dele está muito bom, melhor até do que eu fazia quando comecei — brinca Carlos.
Com o avanço da coleção, a família percebeu a importância das trocas para conseguir completar o álbum.
— No começo foi mais na compra, pegando vários pacotes, mas depois a gente viu que não tem como completar só assim e começamos a participar das trocas. Sozinho fica muito difícil — observa Tassiana.
Para os pais, o principal atrativo segue sendo a surpresa.
— A maior emoção dele é abrir o pacotinho, ver o que veio. Quando vem uma figurinha brilhante, ele vibra muito, comemora mesmo, como se fosse algo muito especial para ele — conta a mãe Tassiana.
Além da diversão, o álbum também se tornou uma ferramenta de aprendizado, já que o menino está em fase inicial de alfabetização.
— A gente aproveita para perguntar as letras, os números, as seleções. Ele já reconhece bastante coisa, então é uma forma de aprender brincando — explica Tassiana.
Mesmo com o custo elevado da compra das figurinhas, a família curte a experiência.
— Vale a pena pela felicidade dele, pelo tempo que a gente passa junto e tudo o que proporciona dentro de casa — exalta Carlos.

