As estatísticas de comercialização de vinhos e sucos de uva no primeiro semestre deste ano e, consequentemente os estoques nas vinícolas, já devem ser motivo de preocupação para o setor. De acordo com o levantamento elaborado por Leocir Bottega, diretor da Cenecoop Serra, com base nos dados brutos divulgados pelo Sisdevin, da Secretaria Estadual de Agricultura, a comercialização total de vinhos, somou 112 milhões de litros, mantendo-se exatamente no mesmo patamar de 2025.
Os sucos integral e reconstituído totalizaram nos primeiros seis meses do ano 73,3 milhões de litros, um crescimento de 35% em relação ao ano passado. Já o mosto concentrado manteve o mesmo resultado, de 14 milhões de quilos.
As estatísticas oficiais de estoques no final de 2025 e a elaboração de produtos vitivinícolas da safra 2026 ainda não foram divulgadas. Sem números, o setor não tem como organizar estratégias coletivas.
Em 2008 e 2009, quando os estoques de vinhos estavam altos, a organização do setor e o apoio do governo federal, através da Conab, permitiu que o excedente de 26,6 milhões de litros de vinhos fossem exportados, por meio de um mecanismo denominado Prêmio de Escoamento da Produção (PEP). Com este instrumento, realizado em forma de leilão, o governo federal pagava a diferença entre o custo de produção e o preço do vinho no mercado externo. Naquele ano, outros 5 milhões de litros de vinhos finos foram vendidos com vinhos de mesa.
A definição de preços mínimos para o suco de uva integral e o mosto concentrado, cujos estudos estão sendo elaborados pela Conab, também é outro passo importante para a realização de políticas públicas para o escoamento da produção.
Mesmo não tendo os números, já é possível antever que o momento mais crítico do setor vitivinícola deve acontecer no próximo ano. Se tivermos uma safra de uvas semelhante a colhida em 2026, que deve ter ficado próxima de 900 milhões de kg, e a comercialização seguir nos mesmos parâmetros deste primeiro semestre, a crise que hoje é mundial será sentida também em nosso estado.

