Entre tantas cores, movimentos e emoções que a Praça da Bandeira receberá neste final de semana, o início da tarde de domingo (17) reserva um momento para a dança. A Semana do Município, em comemoração aos 102 anos de Flores da Cunha, terá apresentações de seis escolas de dança da cidade, levando ao palco grupos que traduzem, por meio do movimento, diferentes linguagens artísticas e gerações.
Participam do encontro as escolas DançArte, Equilíbrio Escola de Dança, Levie Escola de Dança, Mescla, ML Estúdio de Dança e Estúdio de Dança Tamara Sitta. Juntas, elas constroem um espetáculo coletivo que vai do balé clássico às danças urbanas, passando por jazz, hip hop e outras modalidades, compondo um mosaico que reflete a identidade cultural do município.
Na DançArte, a proposta deste ano dialoga diretamente com o tema da imigração italiana, conectando passado e presente por meio da dança. A diretora Amanda Venz, 29, destaca que a participação na Semana do Município fortalece vínculos internos e amplia o sentimento de pertencimento.
— Faz com que a gente se una mais e, ao mesmo tempo, valorize a cultura da cidade. A gente se sente parte dessa cultura. É um trabalho que envolve também o estudo da imigração italiana, então acaba sendo algo muito especial para todos nós — conta.
A apresentação da escola será composta por diferentes turmas, cada uma com uma coreografia inspirada em músicas italianas, adaptadas aos seus estilos próprios. A proposta mistura linguagens como jazz funk e hip hop.
— É uma mistura que conecta o antigo com o novo. A gente quer trazer esse sentimento de nostalgia, mas também mostrar como a arte se transforma com o tempo. Sai da nossa zona de conforto, mas é algo que a gente gosta — acrescenta Amanda.
Entre as alunas, o significado da apresentação se traduz em pertencimento e coletividade. A estudante Nicole Becker Zim, 16, relata que o processo de ensaios fortalece a união do grupo.
— A gente se une mais nos ensaios e acaba se sentindo mais parte da comunidade. Quando somos chamadas para nos apresentar, parece que estamos realmente incluídas na cidade e fazendo parte da comunidade — descreve.
Já Julia Romitti, 14, que dança há 10 anos, destaca o caráter desafiador da dança, mas também a satisfação em superar limites.
— Sempre parece difícil no começo, mas depois a gente vê que consegue. Isso motiva muito. A dança é um desafio, mas também é muito gratificante — comenta.
“Valoriza a autoestima”
A Equilíbrio Escola de Dança tem uma trajetória consolidada dentro da Semana do Município. A diretora Aline Zamboni lembra que a participação é recorrente ao longo dos anos e tem papel importante no desenvolvimento das alunas.
— Para elas, é muito significativo se apresentar para a cidade, para os pais e para os colegas. É um processo que fortalece a confiança, valoriza a autoestima e ajuda a superar a timidez — destaca.
A escola levará três turmas ao palco, com coreografias adaptadas para dialogar com o tema da celebração.
“Conseguimos sentir a reação das pessoas”
No Estúdio de Dança Tamara Sitta, a proposta segue um caminho mais abrangente. A diretora Tamara Sitta Sugari enfatiza o caráter coletivo e comunitário do evento.
— É sempre uma honra participar. É um momento importante para a comunidade se envolver, estar junto e valorizar a cultura — afirma.
Para Tamara, o impacto da dança vai além do palco.
— A dança trabalha o corpo, mas também o lado social e emocional. Quando vemos elas no palco, é o resultado de todo esse processo.
Entre as alunas, a expectativa é alta. Antônia Biondo Pellizzaro, 11, e Lara Salvador Scopel, 13, destacam a ansiedade positiva antes da apresentação.
— Fico ansiosa, mesmo já tendo dançado outras vezes. Cada apresentação é diferente — comenta Antônia.
— Queremos que o público veja que nos esforçamos, que é uma dança bonita e cheia de expressão — completa Lara.
A proximidade com o público é apontada como um dos diferenciais da Semana do Município.
— A gente consegue ver as pessoas, sentir a reação delas. É muito especial — convida a jovem Lara.

