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Bandas marciais formam jovens e criam laços em escolas de Flores da Cunha

A banda da Escola São José se apresenta no dia 13 de maio, na Praça da Bandeira, como parte da programação da Semana do Município
Elisa Conz e Bianca Ascari são as mors da banda da São José, que será atração na Semana do Município, no próximo dia 13 maio (Foto: Sohfia Marcon Fiorese)

A Praça da Bandeira vai ressoar com tambores e escaletas no dia 13 de maio, às 18h, com a apresentação da banda marcial da Escola Municipal São José, dentro da programação da Semana do Município. O evento gratuito em celebração aos 102 anos de Flores da Cunha evidenciará uma tradição que remonta às marchas militares, que um dia orientavam tropas e hoje se reinventam como expressões culturais entre os alunos.

No município, a presença de bandas é recorrente no ambiente escolar: das 17 escolas municipais e estaduais, apenas cinco não desenvolvem esse tipo de atividade. A banda da São José começou a se formar em 1992 e, seis anos depois, ganhou os contornos de uma verdadeira banda marcial com a inclusão de instrumentos de sopro. Hoje, o grupo reúne 60 integrantes e 12 balizas (responsáveis por abrir as apresentações com coreografias).

— Tivemos 90 inscrições para participar neste ano, número superior à capacidade da escola. É uma procura que fala por si e mostra o quanto esse espaço é significativo dentro da escola. É algo que os alunos desejam de verdade, que mobiliza e cria vínculos — conta a diretora Carmeline Zorzi Munaro.

A banda vai além do aprendizado musical e é vista pela direção como parte essencial da formação dos alunos, fortalecendo disciplina, rotina e dedicação. Com ensaios semanais e organização, o grupo demonstra comprometimento e constrói, em conjunto, as apresentações.

— A banda ensina o que significa conviver em grupo. Eles aprendem a ouvir, a respeitar o tempo do outro, a ter responsabilidade com o coletivo. São aprendizados que não ficam só aqui dentro e isso faz toda a diferença — destaca a diretora.

Entre os alunos, o envolvimento com a banda costuma começar cedo e evoluir ao longo dos anos. A estudante Elisa Vanelli Conz, 14 anos, iniciou como baliza e hoje ocupa o cargo de mor, função que muitos alunos passam a almejar desde que ingressam na banda.

— Estar na frente é uma responsabilidade grande, porque a gente representa todo o grupo. Tu precisas estar atento, dar o exemplo e manter a confiança dos colegas. Ao mesmo tempo, é muito gratificante perceber que tu cresceu ali dentro — relata a jovem.

Em muitos casos, o aprendizado musical começa do zero. Sem experiência, os estudantes vão descobrindo a música e os instrumentos na prática e no apoio dos colegas, evoluindo juntos ao longo do tempo.

— No começo parece tudo muito difícil. Mas, o mais importante é que ninguém aprende sozinho, sempre tem alguém ajudando — explica Elisa.

Para Bianca Fell Ascari, 13 anos, o interesse pela banda surgiu dentro de casa, ao acompanhar a trajetória do irmão, Bernardo Fell Ascari, hoje com 22 anos. Ao ingressar no grupo, ela encontrou não apenas um novo desafio, mas também um ambiente onde fez novos amigos.

— A banda acaba se tornando um lugar onde a gente se sente bem. Além de tocar, é sobre fazer parte de um grupo, criar laços, compartilhar experiências. Isso faz com que a gente queira continuar — afirma.

A apresentação na Semana do Município marca a estreia da Escola São José na programação do evento e já surge como um dos momentos mais relevantes do calendário anual da banda, ao lado do desfile de 7 de setembro e do Festival de Bandas.

— Estamos bem ansiosas. É importante já que somos só nós, mas também vai ser muito legal ver tudo acontecendo depois dos ensaios feitos com dedicação — completa Bianca.

Um legado que segue em marcha

Na Escola Municipal Cívico Militar Tancredo de Almeida Neves, essa herança encontra continuidade em um projeto que também começou nos anos de 1990.

(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)

Atualmente, a banda reúne 45 integrantes e passou recentemente a incorporar instrumentos de sopro, ampliando sua formação e possibilidades musicais. Dentro da escola, o grupo se tornou uma referência.

— A banda é uma forma de expressão da escola. Não está mostrando só música, está mostrando organização, dedicação e o trabalho de muitos alunos que servem de exemplo. Fortalece a identidade — destaca a diretora Ana Paula Zamboni.

A estudante Thamires Dallavecchia Alves, 14, percorreu diferentes instrumentos até chegar à posição de mor, assumindo a responsabilidade de orientar os colegas e conduzir as apresentações.

— A gente vai crescendo aos poucos dentro da banda, aprendendo, errando, melhorando. E chega um momento em que também passa a orientar os outros, a ajudar quem está começando. Isso faz com que a gente entenda a importância do nosso papel dentro do grupo e é a minha parte favorita — conta.

A colega Raiane D’ávila Garbin, 13, destaca a exigência de disciplina e organização na rotina. Integrante da percussão, onde toca caixa, ela também ressalta os vínculos que se formam ao longo do processo.

— A banda exige comprometimento, porque cada ensaio, cada apresentação depende do esforço de todo mundo. Mas, ao mesmo tempo, é um espaço muito positivo, onde a gente aprende e cria amizades — avalia.

O trabalho da banda também encontra respaldo fora dos muros da escola, com a participação ativa da comunidade, que acompanha de perto cada etapa e demonstra apoio constante aos estudantes.

— A comunidade é essencial para nós. Eles estão sempre apoiando, incentivando. Muitas vezes, durante os ensaios, as pessoas saem de casa para assistir, ouvir e aplaudir. Isso motiva os alunos e mostra que todo o esforço vale a pena — ressalta a diretora.

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