O vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, afirmou que o Governo do Estado está na fase final dos trâmites para viabilizar a implantação do Sistema Antigranizo na Serra Gaúcha. A declaração foi dada após um pedido do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares (STR) de Flores da Cunha e Nova Pádua, Ricardo Pagno, durante um evento da sua pré-candidatura pelo MDB ao Governo do Estado no Centro Empresarial, na noite desta segunda-feira (8).
Ao responder ao pedido por celeridade no projeto, Gabriel declarou que está tudo definido e que o edital estadual para que os municípios possam aderir ao programa será lançado nas próximas semanas. Por isso, em seu entendimento, a Sicredi já pode preparar o investimento para aquisição dos equipamentos.
— Se é isso que falta (o edital do Estado), pode falar para a Sicredi já fazer o PIX para a compra (dos equipamentos) — declarou ao público de empresários florenses, em referência ao aporte da cooperativa para aquisição dos geradores do sistema.
Em entrevista ao jornal O Florense no mês passado, a cooperativa garantiu o aporte estimado entre R$ 6 milhões e R$ 10 milhões para a compra dos geradores que queimam iodeto de prata e criam o vapor químico que reduz a formação de granizo nas nuvens. O plano inicial prevê a instalação de 90 geradores.
Na ocasião da entrevista, a Sicredi tinha uma confirmação verbal de que 15 municípios da Serra iriam aderir ao projeto. O vice-governador relatou que já há interesse de 19 municípios. A adesão, porém, só será formalizada após a publicação do edital estadual.
— O Estado vai lançar o edital agora, nas próximas semanas. Está na última fase, na Procuradoria-Geral do Estado. Infelizmente, existe um trâmite burocrático que tem uma velocidade incompatível com a necessidade das pessoas. A gente lamenta muito isso. É um modelo novo, mas o edital não será um problema. Em três ou quatro semanas estaremos lançando o edital. Essa é a nossa expectativa — garantiu o vice-governador, ao admitir que o processo avançou mais lentamente do que o desejado.
Fundovitis ajudará na manutenção
Um dos obstáculos burocráticos no projeto, segundo o vice-governador, era justamente a aquisição dos equipamentos. A solução encontrada foi justamente essa parceria que a Sicredi se propôs — o que iria além do valor acima de R$ 6 milhões.
— Houve uma discussão técnica sobre se o Estado poderia comprar os equipamentos. Como é uma tecnologia muito inovadora, quem vende não está estabelecido no Brasil. Por isso se convencionou que a Sicredi fará a compra dos equipamentos — explicou.
Além de formalizar a adesão dos municípios (hoje são 19 interessados, mas este número pode subir para 30 de acordo com o projeto inicial), o edital permitirá que os recursos estaduais sejam repassados às prefeituras para auxiliar na manutenção do sistema. Este valor anual virá do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis).
— A manutenção do sistema, que é cara, custa quase R$ 14 milhões por ano para os 19 municípios do Estado.
A informação inicial é que o Governo do Estado subsidiará pelo menos 20% (até R$ 300 mil por município) via o fundo do Consevitis-RS. O restante caberá aos municípios que aderirem ao sistema. No evento, entretanto, o vice-governador não detalhou esta divisão.
“Coragem é não estar nos extremos”
Com o tema “Diálogo com o Futuro do RS”, o Centro Empresarial de Flores da Cunha recebeu o pré-candidato a governador Gabriel Souza (MDB), seu pré-candidato a vice-governador Ernani Polo (PSD) e o pré-candidato ao Senado Germano Rigotto (MDB). Dezenas de empresários e lideranças acompanharam a apresentação e fizeram perguntas ao final.
O atual vice-governador defendeu a continuidade das políticas implementadas nos últimos anos e destacou a necessidade de ampliar a competitividade gaúcha por meio da liberdade econômica, da atração de investimentos e da qualificação da gestão pública.
— Eu não sou candidato de ocasião — declarou, ao destacar sua experiência como empresário, médico veterinário, deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e vice-governador.
Outro ponto reforçado pelo pré-candidato é de se apresentar como uma alternativa a polarização política que, em sua análise, gera mais “gritarias” do que “resultados”. Gabriel defende que será capaz de conversar com quem quer que seja o presidente eleito para buscar por soluções concretas para os problemas da população gaúcha.
— Coragem é não estar nos extremos — destacou, explicando receber ataques de ambos os lados desta polarização que marca o cenário nacional.
Ao encerrar a palestra, o pré-candidato defendeu que o Estado precisa avançar para uma nova etapa de crescimento após a “reorganização das contas públicas” realizada pelos governos de José Ivo Sartori (MDB) e Eduardo Leite (PSD).
— Arrumamos a casa. Reconstruímos o estado. Agora é hora de acelerar o desenvolvimento do Rio Grande do Sul — declarou.

