Nem sempre a violência começa com uma agressão. Muitas vezes, ela se revela primeiro em palavras, atitudes e comportamentos que acabam sendo naturalizados. É sobre esses sinais que a exposição “Quem São Eles? Quando o machismo machuca.” propõe uma reflexão. A mostra será inaugurada na próxima segunda-feira (17), às 16h, no Fórum da Comarca de Caxias do Sul, e ficará aberta gratuitamente à visitação até o fim do mês, integrando a programação do Agosto Lilás, período de conscientização, prevenção e enfrentamento da violência contra as mulheres.
A exposição parte de uma provocação: não existe um perfil específico de agressor. Ele pode estar em diferentes profissões, classes sociais e ambientes. Por isso, a proposta não busca retratar um tipo de homem, mas chamar atenção para discursos e comportamentos que contribuem para a naturalização da violência.
A intervenção artística reunirá roupas e acessórios masculinos do cotidiano, como uniformes de trabalho, jalecos, ternos, camisetas e roupas esportivas. As peças serão acompanhadas por frases reais utilizadas por homens para justificar, minimizar ou naturalizar comportamentos violentos contra mulheres.
“O primeiro passo de um ciclo de violência”
Fora de seus contextos habituais, essas falas passam a ser apresentadas como elementos de reflexão, permitindo ao público perceber como expressões aparentemente comuns podem esconder controle, desqualificação, culpabilização da vítima e outras formas de violência psicológica e moral.
Para a advogada Gerusa Roncheti Ribeiro, líder do Comitê de Combate à Violência contra a Mulher do Grupo Mulheres do Brasil – Núcleo Caxias do Sul, reconhecer esses sinais é fundamental para prevenir o agravamento da violência.
— A violência contra as mulheres não começa com um soco ou uma ameaça. Ela começa muito antes, quando frases que culpabilizam a mulher, controlam seu comportamento ou justificam atitudes abusivas passam a ser vistas como normais. A exposição convida o público a olhar para essas falas de outra forma e a perceber que aquilo que muitas vezes é tratado como ‘comum’ pode ser o primeiro passo de um ciclo de violência. Se quisermos preveni-la, precisamos aprender a reconhecer esses sinais e enfrentá-los coletivamente — salienta.
Promovida pelo Grupo Mulheres do Brasil – Núcleo Caxias do Sul, por meio do Comitê de Combate à Violência contra a Mulher, a iniciativa conta com o apoio do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Caxias do Sul e do Coletivo Nós Juntas.

