Melhor planejamento de plantio, manejo de irrigação, controle de doenças, previsão de geada e decisão do ponto de colheita. Estas são algumas aplicações práticas do uso de dados de clima na agricultura. O assunto foi tema de um bate-papo realizado pelo Centro Empresarial no último dia 22.
Conduzida por Mário Apollo Brito, da empresa Elysios, a atividade integrou um movimento construído em parceria com a Sicredi Serrana e a Prefeitura de Flores da Cunha para mostrar como o uso de estações meteorológicas e monitoramento climático pode impactar diretamente os resultados das empresas do segmento da uva e do vinho.
A iniciativa pretende mobilizar forças da agricultura para a instalação de oito estações meteorológicas que, somadas às quatro já existentes, consigam ser capazes de auxiliar no dia a dia dos agricultores.
O custo total para aquisição, instalação e o primeiro ano de uso do software será de R$ 243,2 mil. A Sicredi auxiliará com R$ 56 mil (23% do valor) e a Secretaria de Obras com a construção de base cimentada para sua fixação. O produtor deve arcar com o espaço necessário para instalação, eletricidade e internet. Ainda não está definido quem será responsável pela anuidade do software (R$ 1,2 mil) e pela limpeza/manutenção da placa fotovoltaica e do pluviômetro (até R$ 3 mil).
– A Sicredi atua como realizadora porque o projeto está diretamente conectado ao seu papel de apoiar o desenvolvimento dos associados e do agronegócio local, viabilizando o acesso a tecnologias que geram valor ao produtor. A iniciativa propõe subsidiar a aquisição de estações meteorológicas, contribuindo para maior eficiência produtiva, redução de custos e sustentabilidade nas propriedades – explica a gerente geral da agência Agro da Sicredi em Flores da Cunha, Paula Garibaldi, que acredita que a ação reforce o posicionamento da Sicredi como parceira do produtor e promotora de inovação no agro.
Tirar o projeto do papel
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares (STR) de Flores da Cunha e Nova Pádua, Ricardo Pagno, salienta a união de entidades para colocar este projeto em prática.
— É de fundamental importância termos números para a tomada de decisões. Essas estações vêm para dar esses dados na parte climática. O ideal seria que cada produtor tivesse uma estação meteorológica na sua propriedade, mas o custo é inviável.
A solução coletiva, segundo Pagno, é esta quantidade mínima de 12 estações. Assim, o município já conseguiria ter informações mais concretas sobre umidade do solo, horas de frio e chuva:
— Já ajuda bastante na tomada de decisão do agricultor. É fundamental tentar construir esse projeto para que, de forma unida entre as entidades, possa sair do papel — afirma.
“O principal benefício é baixar custo”
Quem estava presente na reunião e mostrou-se disposto a investir em uma estação meteorológica em sua propriedade é o produtor Sidnei Trentin, 47 anos. O agricultor cultiva três hectares de uva e um de morango no distrito de Otávio Rocha.
Trentin explica que a tecnologia chamou a atenção porque os produtores de Flores da Cunha e Nova Pádua costumam ter propriedades pequenas, por isso, há necessidade de investir em culturas que agreguem mais valor, afinal “quem perde menos, ganha mais”.
— Tu te adiantando, tu vês que daqui a dois dias vai ter uma previsão de frio. Aí tu já vais entrar com o manejo, já antecipando o problema. Eu não vou esperar ter o problema para depois ver o que a gente vai fazer.
O agricultor conta que soube da novidade em um Dia do Agro, pois, na oportunidade, uma estação meteorológica foi exposta em sua propriedade e, desde lá, se interessou pela tecnologia.
— O principal benefício de ter uma estação meteorológica é baixar custo. Não fazer um tratamento fitossanitário quando não precisa ou fazer quando tem a condição para doença. Tem gente falando que economizou de 30 a 40% de tratamento. É por isso que a gente fala que, se não conseguimos agregar valor, mas conseguirmos baixar o custo, no final a conta é a mesma.
O florense trabalha com plasticultura de área coberta e acredita que uma estação meteorológica auxiliaria tanto no cultivo da uva quanto no do morango.
— No caso do morango (além de combater doenças), também auxiliaria na questão da geada. Eu tenho as estufas com cortina, então, quando eu tenho previsão de geada, eu fecho a cortina das estufas para não ter perdas.
Ele também frisa a importância de uma assessoria técnica para ajudar o agricultor a entender a estação meteorológica e personalizar o aplicativo de acordo com suas necessidades.
— O técnico diria para o pessoal se ligar que vai ter condição para míldio (mofo), aí nós vamos tratar. Ou diria que não, que não tem condição, então não gastaríamos com produto que não precisa.

