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“A gente não faz por ninguém o que faz por um filho”, revela arquiteta de Flores da Cunha

Fruto de uma fertilização in vitro, Tom Curra Biondo é filho de Janine Curra e Lucas David Biondo
Tom Curra Biondo adora brincar de dinossauros com a mãe, Janine Curra (Foto: Karine Bergozza)

É comum vermos que muitas mulheres têm optado por adiar o sonho da maternidade para depois dos 40 anos, e em Flores da Cunha não é diferente. A ginecologista e obstetra Larissa Pozza constata que essa escolha é, sem dúvida, “uma tendência mundial já consolidada”.

— Isso ocorre principalmente por mudanças sociais: maior inserção da mulher no mercado de trabalho, busca por estabilidade financeira, realização profissional, relacionamentos mais tardios e acesso a métodos contraceptivos eficazes.

Ter optado pela gestação em idade materna avançada e apostado na fertilização in vitro (FIV) para conseguir tornar real o sonho de ser mãe são características que unem as florenses Janine Curra e Francine Muraro.

— As pessoas têm aquela ideia de que vão tentar fazer tudo que podem antes de ter um filho: viajar, trabalhar bastante, juntar dinheiro, construir. Elas querem ter tudo pronto, mas, mesmo com mais idade, tu vai vivendo e percebendo que tu não deixas tudo pronto — esclarece Janine.

A arquiteta e urbanista se inclui nesse cenário e menciona que foi uma decisão consciente ter filho após os 40 anos.

— Eu também queria fazer tudo antes e depois ter um filho. Só que hoje eu já acho que daria para ter pensado um pouco antes. Mas foi tudo bem, graças a Deus. Poderia até ter tido outros filhos, tenho os embriões, mas não pretendo ter — conta Janine.

O aumento do número de gestantes em idade materna avançada alerta para o desafio atual de equilibrar o desejo feminino de “estar pronta” com a consciência de que é inevitável não levar em consideração o tempo biológico da mulher. Por isso, é importante a realização de exames pré-gestacionais cada vez mais cedo, para que as futuras mães possam se conhecer e tomar a decisão da maternidade com mais tranquilidade e liberdade.

“Tem que ter força para encarar tudo isso”

Quem começou a pensar em ter filhos com 38 anos foi a arquiteta e urbanista Janine Curra, 45 anos. Ela conta que, apenas com essa idade, começou a fazer exames para saber se estava tudo certo e descobriu que tinha um pólipo no útero, algo simples, mas que precisava retirar.

A simplicidade do procedimento, por sua vez, foi substituída pela incerteza da pandemia de Covid-19, onde só podiam ser realizadas cirurgias de urgência. Naquele momento, Janine questionou o que poderia fazer para não perder tempo e pensou em congelar seus óvulos.

— Na clínica nos falaram que o ideal era congelar embriões, então a gente (Janine e o marido Lucas David Biondo, 42 anos) fez todo o congelamento de embriões e deu tudo certo. Isso porque eu não precisava tirar o pólipo para fazer o processo de congelamento.

Depois do congelamento dos embriões, a pandemia foi sendo superada, as cirurgias eletivas foram liberadas e Janine conseguiu retirar o pólipo. Já na sequência, ela implantou o embrião, fez a FIV e “deu certo de primeira”: estava grávida.

— Não tentamos da forma tradicional e depois, quando eu poderia tentar natural, nós tínhamos os embriões que já tinham sido biopsiados. Já sabíamos que eram embriões bons e tudo, então eu não ia correr o risco de ter um filho depois dos 40, que existem muitos riscos de síndromes, se eu já tinha embriões biopsiados, tudo certinho. Optamos por usar aqueles — detalha a arquiteta.

Aos 41 anos, o desejo de Janine se concretizou com a chegada de seu filho. Tom Curra Biondo nasceu de cesariana e marcou o início de uma nova fase na vida da arquiteta. Hoje, ao olhar para o pequeno de 3 anos e quatro meses, ela carrega a certeza de que, se tivesse que passar por tudo novamente, ela passaria.

— Tem que ter força para encarar tudo isso, porque não é fácil, tem muitos processos, muito hormônio, muita injeção, muito exame e envolve muita dedicação e muito tempo. Além de força, eu acho que tem que ter muita gratidão e coragem também.

Para a arquiteta e urbanista, ser mãe envolve muita dedicação e amor, um amor que só quem tem filhos é capaz de sentir.

— Tu só consegues, de fato, entender esse sentimento quando tu és mãe. Porque realmente a gente faz coisas que jamais faria por outra pessoa. É uma dedicação que só o amor dá, porque a gente não faz por ninguém o que faz por um filho. Vai além da tua força e da tua dor.

“Arrumar a casa”

Janine destaca que, ao longo de sua caminhada, pôde conversar abertamente com outras pessoas sobre fertilização in vitro e acredita que o fato de conhecer histórias diferentes ajudou na sua gestação.

— Uma amiga me falou que tinha feito um exame específico que apontou que ela precisava de enoxaparina. Aí eu fiz esse exame, antes de correr o risco de perder (a gestação), e realmente deu que eu precisava. Descobri que tinha uma mutação em um gene, que era risco aumentado para doenças cardiovasculares, e foi por isso que tive que fazer as injeções diárias de enoxaparina na barriga.

Para que as mulheres não percam a chance de serem mães, como poderia ter acontecido com Janine por conta da pandemia, a florense frisa a importância de ter tempo para “arrumar a casa” e ter “sucesso no processo”.

— As pessoas têm que se pesquisar e se conhecer (ir à clínica, fazer a primeira consulta e realizar todos os exames) para poder ter esse tempo. Porque tu não imaginas o que pode acontecer. Quando é que eu iria imaginar que, na minha vez, depois que eu deixei tudo que dava para esperar, ia ter uma pandemia? Poderia ter perdido a chance de ter um filho, porque muita gente perdeu — pondera a arquiteta.

Para uma gestação segura

Ginecologista Larissa Pozza (Foto: Divulgação)

A ginecologista e obstetra Larissa Pozza, que atua em Flores da Cunha há cinco anos, alerta que ter uma gestação em idade materna avançada exige planejamento e cuidados especiais. Não se trata de uma gestação “de alto risco, obrigatoriamente”, mas exige um olhar mais atento.

Nesse contexto, é indispensável que as mulheres tenham conhecimento de que a quantidade e a qualidade dos óvulos diminuem ao longo dos anos, especialmente após os 35. Já a partir dos 40, as taxas de alterações cromossômicas e de abortamento aumentam de forma significativa.

Apesar de muitas mulheres terem gestações saudáveis após os 35 anos, especialmente com acompanhamento adequado, Larissa menciona que, com o avanço da idade, alguns riscos realmente aumentam:

— Para a mãe, existe uma maior chance de hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e necessidade de cesariana. Para o bebê, há um risco maior de alterações cromossômicas, restrição de crescimento e parto prematuro.

A ginecologista explica que o aumento do risco de prematuridade pode estar relacionado a fatores como maior incidência de doenças maternas (como hipertensão e diabetes) e alterações placentárias. Desta forma, fica mais suscetível a indicação médica de antecipar o parto.

— O risco de Síndrome de Down também aumenta com a idade materna. Isso acontece porque, com o envelhecimento dos óvulos, há maior chance de erros na divisão celular (não disjunção), levando a alterações no número de cromossomos.

Por outro lado, a médica destaca que hoje há maior acesso à informação e ao planejamento reprodutivo, fatores que permitem que a mulher planeje a maternidade de forma mais consciente e segura.

Cuidados para uma gestação em idade materna avançada:

  • Avaliação pré-concepcional completa
  • Controle de doenças pré-existentes
  • Uso de suplementação adequada antes de gestar
  • Acompanhamento pré-natal mais próximo

Pontos positivos de ter uma gestação em idade materna avançada:

  • Maior maturidade emocional
  • Relações mais estáveis
  • Melhor planejamento e preparo para a maternidade
  • Maior estabilidade financeira
  • Mais segurança nas decisões

 

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