A história da professora de dança Tainá Bebber, 29 anos, é daquelas que poderia ser um filme. Mãe atípica de Rafael, 6, e das gêmeas Maitê e Mariana Bebber Zulianello, de 1 ano e 9 meses, ela admite as dificuldades de lidar com uma criança especial e ter gêmeas, mas demonstra lidar muito bem com isso.
— Eu sempre quis ser mãe, gosto de ser mãe e falo que Deus dá para quem consegue carregar, porque se fosse outra pessoa, eu não sei se conseguiria porque realmente é uma rotina bem cansativa — resume.
Tainá relata que quando Rafael nasceu, ficou sem oxigênio por 11 minutos. Então, ela e o marido (Cristiano Zulianello, 35 anos) já estavam cientes de que ele poderia ter algum transtorno, o que foi evidenciado pela demora para sentar, caminhar e falar.
Aos três anos, o pequeno foi diagnosticado com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno Opositor Desafiador (TOD). No ano passado, veio a confirmação do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e, neste ano, de Transtorno Afetivo Bipolar (TAB).
Para lidar com os desafios, Rafael vai três vezes por semana na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), onde tem acompanhamento com fonoaudióloga, psicólogo e terapia ocupacional. O menino também joga futebol, algo que gosta muito.
— A dificuldade maior é a rotina, porque ele precisa de muitas terapias. Temos que estar sempre em função. Trabalhar fora, por exemplo, eu não consigo. Dou minhas aulas de noite, que o pai fica com as crianças e eu consigo ganhar um extra.
“Mãe, tem dois bebês na tua barriga!”
Após o nascimento de Rafael, Tainá não pretendia ter mais filhos, porém mudou de ideia ao ouvir do psicólogo do menino que um irmão seria fundamental para a sua evolução.
— Para mim foi muito engraçado quando engravidei, porque um dia eu estava lavando a louça e o Rafael disse: “Mãe, tem dois bebês na tua barriga”. Na época, eu ainda não sabia que estava grávida, mas ele é muito sensitivo, então acreditei.
Enquanto a gestação de Mariana transcorria normalmente, a de Maitê exigia cuidados. A pequena não ganhava peso, o que levou a mãe a ficar dois meses internada no Hospital Geral, em Caxias do Sul.
— A Maitê nasceu com problema de pulmão, só que a gente não sabia. Quando ela pegou bronquiolite, ela não conseguia respirar e aí que descobriram a necessidade de fazer cirurgia.
Tainá enfrentou momentos bastante difíceis. Além da preocupação com Maitê, a mãe precisava dividir as atenções com a gêmea Mariana, que estava sendo amamentada, e Rafael, que exigia cuidados como a administração correta de medicamentos.
Foi nesse momento que a família fez uma Vaquinha Virtual para ajudar a custear despesas relacionadas à cirurgia, sobretudo para contratar uma cuidadora para ficar no hospital com Maitê pelos quatro meses que sucederam a cirurgia.
— Os médicos, até hoje, falam que ela é um milagre. Não tem explicação, não era para ela estar viva.
Maitê, hoje está bem. A pequena ainda faz tratamento com um pneumologista e usa bombinhas, mas até os dois anos “ela vai estar 100%”.
Ao reviver sua trajetória, Tainá tem a certeza de que não conseguiria dar conta de tudo não fosse a ajuda de seus pais Alcides e Clementina Bebber, de 68 e 67 anos. Eles são a base da rede de apoio da florense, assim como a APAE, o instituto TEAMAR e a Escola 1º de Maio, onde Rafael cursa o 1º ano com o auxílio de uma monitora.
— Tudo que aconteceu me tornou mais forte. Me tornar mãe, principalmente do Rafael, me ensinou muitas coisas. Eu não imaginava que era tão forte. A gente aprende a lidar com as coisas de uma forma diferente — considera a mãe, que apesar do roteiro de drama, ainda vive o seu “final feliz”.

