O início dos trabalhos da Câmara de Vereadores em 2026, na última segunda-feira (2), teve um episódio que chamou a atenção dos presentes. Durante o grande expediente, a vereadora Luciane Toscan (PDT) reagiu a uma acusação formal de fraude eleitoral apresentada pelo partido Progressistas (PP) no início do seu mandato.
Luciane foi a 15ª mais votada no Pequeno Paraíso Italiano em 2024, com 64 votos, mas ocupa uma das nove cadeiras do Legislativo em razão do coeficiente eleitoral do seu partido. O documento que questionava a validade da candidatura de Luciane foi rasgado pela vereadora durante a sessão, marcando o início do seu pronunciamento.
Luciane alega que, no início da legislatura, teve de lidar com um processo que ameaçava sua permanência na Câmara. Ela usou seu tempo em plenário para contextualizar a sua postura durante a tramitação do processo.
— No início do meu mandato no ano passado recebi do PP um mandado de cassação para a minha vaga de vereadora. Durante esse período me mantive firme e confiante porque eu tinha a consciência tranquila, por saber que nunca fiz nada contra a lei, a ética e contra os interesses da população — desabafou a pedetista.
“Cada voto tem valor, rosto e significado”
Ao longo dos meses seguintes, Luciane afirma ter sido alvo de tentativas de desqualificação por parte de “adversários políticos”.
— Infelizmente desde o início do meu mandato algumas pessoas optaram por desqualificar a minha escolha usando indiretas, ironias e o pior de tudo, tentando transformar esse processo em um instrumento de perseguição. Recebi o pedido de cassação, enfrentei tudo com serenidade, respeito e confiança na justiça — continuou.
Mesmo após a decisão favorável em primeira instância, a vereadora optou por cautela, aguardando o desfecho definitivo do processo. Na semana passada, contudo, a segunda instância confirmou não haver irregularidades na sua candidatura.
— Em primeira instância quando a decisão foi favorável a mim eu não comemorei. E na comunidade quando me perguntavam como estava o processo eu sempre falava: precisamos aguardar até o final do processo porque a decisão ainda não saiu. Na semana passada, em segunda instância, a Justiça confirmou que não houve erro, irregularidades nem motivos para a minha cassação — relatou.
Para Luciane, a confirmação judicial representou o respeito à vontade popular.
— Hoje posso afirmar que a justiça foi feita e quando a justiça é feita quem vence não é apenas eu que sou vereadora, mas a democracia e a população também. Eu fui eleita com 64 votos e faço questão de dizer isso, porquê cada voto tem valor, tem rosto e significado. A democracia não se faz só por número de votos, mas também pelo respeito à vontade das pessoas.
— Quem age corretamente não tem medo de investigação. A verdade venceu e a justiça foi feita. Se alguém aqui aguardava ocupar a minha cadeira terá que esperar a próxima eleição.

