A poucos dias do início do ano letivo, marcado para 18 de fevereiro, a comunidade da Escola Estadual Professor Targa enfrenta novamente a incerteza sobre as condições físicas do educandário. Quase dois anos depois de um vendaval que danificou parte do prédio e levou à interdição de 40% da instituição, as obras de recuperação seguem em ritmo lento, mesmo com a liberação de R$ 2 milhões pelo governo do Estado, em agosto de 2025.
A demora acende um alerta. A escola, que atende 350 alunos do 1º ao 9º ano, pode iniciar o ano letivo nas mesmas condições precárias do período anterior. A substituição do telhado, considerada a etapa mais urgente para liberar salas interditadas, ainda não avançou, enquanto a empresa responsável, a Cisal Construções, concentrou esforços em intervenções secundárias.
As dificuldades surgiram desde o começo. A obra, que deveria ter começado imediatamente após a assinatura do contrato em 28 de agosto do ano passado, só começou 15 dias depois. Desde então, a direção acompanha a execução com preocupação, diante do descumprimento do cronograma e da lentidão das intervenções, reforçando a sensação de que uma solução definitiva ainda está distante.
— A obra se divide em várias ordens de trabalho. Para esta primeira, estavam previstas a substituição do telhado, da estrutura de madeira por estrutura metálica de toda a escola, bem como da quadra fechada, substituição da rede elétrica e pluvial. Porém, desde que a obra “iniciou”, nada disso foi realizado. Foram feitos serviços da segunda ordem, com a restauração da parte de alvenaria, que não seria prioridade para esse primeiro momento. Nossa urgência é a substituição do telhado, que é a causa da interdição da escola — reforça a diretora Andreia Pegoraro.
“O atraso é gritante”
A direção relata problemas no ritmo da obra e na pouca presença dos trabalhadores.
— Desde o início, apenas três pessoas trabalharam na obra. Vinham de Porto Alegre na segunda-feira, chegavam próximo ao meio-dia e, na sexta-feira ao meio-dia já deixavam a escola. Pouca coisa foi realizada. No início de novembro, numa sexta-feira, os operários abandonaram a obra, segundo eles, por ordem da empresa — conta.
A vice-diretora Fernanda Ferrarini critica o ritmo da obra, pressionada pelo prazo até a volta às aulas.
— O atraso é gritante. Nós imaginávamos um canteiro de obras, com muitos trabalhadores. Isso nunca aconteceu. O máximo de trabalhadores que tivemos aqui é o que vemos neste momento: cinco funcionários, por pressão do prazo que eles têm de cumprir até o retorno dos alunos.
Apesar de quase sete meses após o início das intervenções, a volta às aulas não contará com nenhuma sala totalmente pronta.
— Para o início deste ano letivo, não teremos nenhum ambiente liberado. Ou seja, iniciaremos o ano letivo da mesma forma que encerramos… com obras e salas provisórias, que são pequenas e, por isso não conseguimos absorver todos os alunos que buscam vagas na nossa instituição — conta a diretora.
Cronograma indefinido
Recentemente, a escola recebeu uma atualização da Secretaria de Educação (SEDUC) sobre o andamento dos trabalhos, mas que ainda se limitam a pequenas partes do prédio.
— Na semana passada, recebemos da SEDUC, através da Coordenadoria de Obras, o comunicado que a empresa Cisal entregou um documento, comprometendo-se a deixar pronto o telhado, somente o telhado, de duas salas, que ficam no primeiro andar, sobre a cozinha e o refeitório, que estão no subsolo, para que os mesmos possam ser utilizados, sem prejuízo no preparo da merenda — esclarece.
A expectativa agora se volta para a apresentação de um cronograma completo da obra, que definiria quando cada etapa poderá ser finalizada.
— Estamos aguardando com muita ansiedade o cronograma de execução de toda a obra, para que possamos nos organizar para atender da melhor forma possível nossos alunos. E principalmente, que a empresa execute o projeto de reforma dentro do prazo previsto, pois dependemos da empresa, para que nossa escola volte a funcionar normalmente.
Andreia destaca a atuação das equipes da SEDUC e da 4ªCRE, que têm tentado minimizar os impactos para a escola.
— Durante todo o processo sempre tivemos o apoio da coordenadoria de obras, bem como da 4ªCRE, através da coordenadora Cristina, que não mediram esforços para tentar nos auxiliar a encontrar as melhores formas de conduzir a situação, sem prejudicar os alunos, que são nosso objetivo maior.
A coordenadora da 4ª Coordenadoria Regional de Educação (4ª CRE), Cristina da Silva Boeira Fabris, reforça que a reforma está sendo acompanhada de perto e que medidas estão sendo tomadas para tentar reduzir os impactos sobre o funcionamento da escola.
— A obra da Escola Targa é bem complexa. Nos últimos dias o pessoal da Secretaria de Obras Públicas (SOP) novamente se reuniu em Porto Alegre com a Cisal e estão alinhando uma nova rota na execução da reforma. Nós teremos sim espaços reduzidos na volta dos alunos, mas esses locais já foram indicados pela SOP como essenciais para o funcionamento da escola. Nós estaremos com aulas presenciais na Targa e a reforma será planejada de modo que não haja prejuízo maior para os alunos — afirma.
O que diz a Secretaria de Obras Públicas:
A SOP informou que a Cisal Construções foi notificada pelo atraso na obra da Escola Professor Targa e está com uma força-tarefa para retomar os trabalhos, priorizando a infraestrutura necessária para o início do ano letivo. Leia a nota na íntegra:
“A Secretaria de Obras Públicas (SOP) informa que a empresa Cisal, responsável pela obra na Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Targa, em Flores da Cunha, foi notificada pelo atraso na execução e está com uma força tarefa em atuação para retomar o cronograma, recuperando a tempo a infraestrutura necessária para o início do ano letivo. Os trabalhos foram prejudicados pelos atrasos da entrega de materiais pelos fornecedores e pelos entraves logísticos devido a dificuldades de acesso ao local do ginásio. Há previsão de uma segunda intervenção, que contemplará um novo piso para a quadra coberta e a pintura geral da escola.”
A empresa Cisal Construções foi procurada pela reportagem para se manifestar, mas não retornou os contatos até a publicação desta matéria.

