Antes de ocupar um quarteirão e se tornar um dos principais centros de compras de Flores da Cunha, o Multi Vermelhão cabia em um armazém de 50 metros quadrados. Ali nasceu a trajetória construída por Maximiliano Zamboni, que atravessa gerações e acompanha o crescimento da cidade sem abrir mão da proximidade com os clientes.
A trajetória começou oficialmente em 1968, mas ganhou um novo capítulo em 1979, quando Maximiliano, ao lado dos irmãos Paulo e Pedro Ângelo Zamboni, inaugurou o Supermercado Vermelhão, o primeiro supermercado de autosserviço da Terra do Galo. Para os filhos, no entanto, o maior legado deixado pelo fundador não esteve apenas na empresa.
— Como empresário, ele era muito dinâmico e ousado. Nunca teve medo de começar as coisas, mesmo sem dinheiro. Como pai, era um paizão, muito carinhoso, presente e sempre preocupado em dar o melhor para a família — recorda Milene Zamboni Andrighetti.
Ela lembra que crescer significava, inevitavelmente, conviver com o mercado.
— A gente viveu vendo ele aqui dentro. O dia dele era o mercado. Sempre preocupado com o negócio e com a família, querendo dar o melhor para todos nós.
O filho, Maximiliano Zamboni Júnior, lembra que até as passagens mais corriqueiras pelo mercado acabavam se transformando em aprendizado.
— Às vezes a gente entrava no mercado só para pegar alguma coisa e ele já dizia: “Ajuda o cliente a levar a sacola”, “Arruma aquelas caixas que estão desarrumadas”. Depois, completava: “Faz o que eu estou falando que tu vai aprender”.
“Antes, era só perguntar para o pai”
Muito antes de comandarem o Multi Vermelhão, os filhos Milene, Francine e Maximiliano Júnior aprenderam a rotina da empresa ao lado do pai. O expediente fazia parte da infância, os horários eram cumpridos e o trabalho era tratado como um valor aprendido na prática.
— Ele fazia questão que a gente estivesse aqui. Tinha horário para cumprir, trabalhava sábado e domingo… Ele nos ensinou, acima de tudo, a trabalhar — recorda Milene.
Para Francine Zamboni, a principal lição nunca precisou ser explicada.
— A vida dele era trabalhar. Isso estava na veia dele. A gente teve que aprender, mas também aprendeu a gostar do que faz. Ele nos passou o valor do trabalho, da honestidade e mostrou, pelo exemplo, que era possível construir uma história.
Em 2012, com o falecimento do pai Maximiliano, os três irmãos passaram a conduzir o supermercado. A sucessão fortaleceu a responsabilidade ensinada.
— Acho que a gente aprendeu muita coisa mesmo quando ficou sozinho. Antes, qualquer dúvida, era só perguntar para o pai. Depois que ele partiu, nós três tivemos que encontrar as respostas juntos.
“Se ele entrasse hoje no Vermelhão…”
Ao longo das últimas décadas, o Multi Vermelhão ampliou sua estrutura e modernizou processos. As mudanças chegaram com a tecnologia e com um consumidor cada vez mais exigente. O jeito de atender, porém, segue os mesmos princípios.
— A loja mudou muito. Surgiram novas necessidades, novos produtos e novas exigências dos clientes. Precisamos evoluir, investir em tecnologia e em sistemas para acompanhar — afirma Francine.
Ao mesmo tempo, algumas escolhas permanecem inalteradas, do jeito que o pai Maximiliano ensinou.
— O que a gente fez questão de preservar foi o atendimento. Nós três estamos aqui todos os dias e sempre tem um de nós acompanhando o mercado, inclusive nos finais de semana. Foi assim que aprendemos com ele — destaca Milene.
Os ensinamentos do fundador seguem presentes também nas pequenas atitudes do dia a dia.
— Uma das coisas que ele mais nos ensinou foi a honestidade. Se chegava uma mercadoria a mais ou alguém esquecia dinheiro, a orientação sempre foi devolver. Isso faz parte da nossa forma de trabalhar até hoje — reforça Francine.
Ao imaginar o pai caminhando novamente pelos corredores do mercado, Milene acredita que ele encontraria muito do que deixou como herança.
— Se ele entrasse hoje no Multi Vermelhão, acho que diria que aprendemos direito e que estamos conseguindo seguir o legado que ele deixou. Ficaria feliz em ver que continuamos melhorando a loja e conquistando novos clientes.
Hoje, Milene, Francine e Maximiliano Jr. conduzem a empresa fundada pelo pai mantendo vivos os princípios que marcaram sua história. Neste Dia dos Pais, o reconhecimento vai além da trajetória de um empreendedor. É uma homenagem a quem ensinou, pelo exemplo, que trabalho, honestidade e dedicação são legados que continuam todos os dias.

