A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o incêndio que destruiu a Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, em Flores da Cunha, sem apontar responsáveis ou identificar de forma conclusiva a causa do fogo ocorrido em 25 de maio. Segundo o laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP), um curto-circuito na rede elétrica figura entre as hipóteses mais prováveis, mas não pôde ser comprovado.
O incêndio ocorreu no dia 25 de maio e ainda desperta muitas dúvidas na comunidade florense. Por isso, era aguardado com expectativa a investigação policial. Na tarde desta quinta-feira (2), a delegada Carla Zanetti e o perito criminal Airton Kraemer fizeram uma coletiva de imprensa para detalhar a conclusão do inquérito policial — contudo poucas respostas foram conclusivas.
— Registramos inicialmente como um incêndio culposo. Pelas informações iniciais, por testemunhas, soubemos que o fogo teria se iniciado na parte superior, próximo ao telhado. Para ter acesso ali em cima seria difícil ser doloso, em um primeiro momento.
A delegada explicou que foram ouvidos os depoimentos dos funcionários que estavam envolvidos na troca do telhado (que deveria ser concluída no dia do incêndio), da equipe da paróquia.
— Resolvemos ouvir o pessoal da empresa para saber se tinha alguma coisa de equipamentos que demandassem muita energia. Se, como era um período frio, eles usavam algum aquecedor ou até para tomar café. Qualquer coisa lá em cima na parte que eles estavam trabalhando, mas não foi constatado nada a respeito disso, além das próprias parafusadeiras que ligavam na tomada para fazer a troca das telhas — apontou.
Nestes depoimentos também foi apontado que as telhas eram todas cortadas no chão, na parte externa da Igreja, e depois eram levadas para a parte superior do templo, para colocação.
— Pegamos as notas fiscais e vimos que as parafusadeiras eram novas. (Não tinha) nada de equipamento muito antigo. Aguardamos a vinda do laudo pericial, que realmente confirmou o início do fogo do incêndio na parte superior daquele forro de madeira, próximo ao altar — relatou.
Os investigadores também questionaram aos funcionários da obra se eles deixavam o maquinário carregando no horário do intervalo. A resposta foi que estes recolhiam tudo no final do expediente da manhã e no final da tarde.
O nome da empresa que trabalhava na reforma do telhado da igreja não foi divulgado pela Polícia Civil.
Perícia não “bateu o martelo”
O perito criminal Airton Kraemer ponderou que uma perícia de incêndio é bastante complexa, uma vez que os vestígios são consumidos pelo próprio fogo. Ele informou que a própria ação dos Bombeiros para tentar salvar o resto da estrutura acaba trazendo mais dificuldades para a perícia.
— De todas as causas possíveis, a gente percebeu que a mais provável foi a questão do curto-circuito na região superior, ou seja, no foco. Todavia a gente não conseguiu identificar de forma inequívoca que se tratava, por exemplo, de uma rede elétrica antiga que tinha na Igreja ou se foi de uma rede instalada pela empresa para fornecer luz elétrica para aqueles aparelhos, por exemplo. Não podemos bater o martelo em 100% e dizer que foi essa a causa — admitiu Kraemer.
— Se fosse um acidente parcial, talvez conseguíssemos identificar em separado. Olha, o curto foi nessa rede que já tinha ou de repente pode ter sido em uma rede implementada para fazer o serviço de troca. Mas, como queimou tudo, não temos essa informação, infelizmente. Por isso que ficamos entre as causas prováveis — lamentou o coordenador regional do IGP.
Câmeras na parte interna da Igreja
Sobre as câmeras da parte interna da Igreja, que funcionavam com movimento, a delegada Carla explicou que foram verificadas, mas as últimas gravações foram registradas ao meio-dia e 48 segundos.
— Depois desse horário, mesmo que tenha iniciado o foco de incêndio, não gravou nada da queda das coisas. Acredito que, talvez, a parte elétrica já tenha caído. A câmera é mais um indicativo da queda da rede elétrica.
“Não temos como confirmar ou afastar nenhuma dessas hipóteses”
A conclusão do laudo é que não foi possível identificar, de forma “exata” e “inequívoca”, o agente causador do incêndio.
—As hipóteses são relacionadas à falha elétrica, a ação humana direta ou indireta, a eventual relação com a atividade de reforma que estaria sendo executada na cobertura. Considerando que a origem do incêndio foi identificada nas proximidades de onde eles estavam trabalhando, não temos como confirmar ou afastar nenhuma dessas hipóteses — detalhou a delegada.
Carla Zanetti também explicou que o foco inicial (onde teria começado o incêndio) apontado pelo laudo do IGP, seria na região onde estaria sendo realizada a troca das últimas telhas.
—(Seria na parte) acima do altar, na parte longitudinal mais próximo ao altar, e no ponto de vista transversal próximo ao telhado — complementou o perito Kraemer.
Ministério Público poderá pedir novas diligências
Com base na conclusão do IGP, a delegada de Flores da Cunha explicou que não foi configurada a “culpa” de alguém em específico.
— Como ficou inconclusivo nesse ponto, a gente remeteu o inquérito sem indiciamento, porque não se apurou nenhuma pessoa responsável. Isso irá para análise do Judiciário e do Ministério Público (MP).Eles podem decidir por querer mais alguma diligência, ou se entendem pelo arquivamento (do caso).
Em relação ao fato de a seguradora estar aguardando o laudo pericial para poder calcular os valores e a porcentagem que deverá ser paga pela apólice da Igreja Matriz, a delegada Carla informa que o documento já foi repassado.
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