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Escaneamento da Igreja Matriz dá continuidade ao processo de reconstrução do templo

Atividade, que permitiu realizar o mapeamento de toda a edificação, ocorreu nesta terça-feira (30). O prazo para que a cobertura comece a ser executada é de 60 dias
Leila Schaedler e Daniel Nunes durante o escaneamento da edificação (Foto: Karine Bergozza)

Mais um passo foi dado no caminho da reconstrução da Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes, símbolo de Flores da Cunha que foi atingido por um incêndio no dia 25 de maio. Depois de o templo ter recebido uma limpeza, na semana passada, nesta terça-feira (30) ocorreu a etapa do escaneamento digital.

O escaneamento foi realizado pela empresa Maps 3D, de Porto Alegre, sob supervisão da  arquiteta Leila Schaedler, que compara o processo a uma medição digital da Igreja:

– O escaneamento tem o intuito de fazer esse mapeamento de toda a edificação, e com isso, depois, eu consigo colocar tudo dentro de um arquivo onde eu consiga trabalhar e fazer o projeto. Isso me facilita porque se não tivesse o escaneamento, eu ia ter que fazer o levantamento manual, com trena – explica a linha de frente da Leila Schaedler Arquitetura e Planejamento, com sede em Tupandi, no Vale do Caí.

O escaneamento 3D gera um modelo 3D de toda a edificação e possibilita a arquiteta ter acesso a plantas baixas, cortes, fachadas, para que consiga avaliar melhor cada situação e projetar a colocação da cobertura com cautela, devido ao fato de alguns tijolos poderem estar danificados.

Prazo para que a cobertura comece a ser executada é de 60 dias

A especialista em restauros adianta que, na próxima semana, deve retornar a Terra do Galo para verificar detalhes importantes para a cobertura, aspectos que não podem ser vistos da parte interna da Igreja.

– Vamos contratar um caminhão com aqueles cestos e vamos subir para dar uma olhada nas pontas das alvenarias, para ver como é que elas estão e avaliar se vamos poder colocar uma cinta de concreto ali por cima, ver como era o apoio da tesoura (estrutura de madeira ou metal que suporta o peso da cobertura e distribui a carga do telhado para as paredes e colunas da construção) original – detalha a profissional, que prossegue:

– Iremos projetar toda uma parte estrutural que vai fazer a amarração dessas paredes, porque hoje elas estão soltas. O que amarrava essas paredes era o telhado e ele se perdeu, então agora estamos cogitando a possibilidade de fazer uma cinta de concreto reforçada por cima de todas essas paredes para poder receber o apoio da tesoura.

A arquiteta frisa que a ideia é cobrir o templo o mais rápido possível, para que ele esteja protegido das intempéries e os trabalhos possam ter continuidade no interior do espaço.

Ela salienta que o prazo para que a cobertura comece a ser executada é de 60 dias.

“Ela não tem nenhum risco de cair”

Em relação às paredes, Leila revela que o projeto pretende apenas mexer no reboco, que está danificado por conta do fogo, mas que não se observa nenhuma rachadura estrutural na edificação que, portanto, não corre o risco de cair.

– As paredes a gente vai utilizar. O máximo que pode acontecer é, talvez, em alguns pontos, termos que desmanchar um pouco alguns tijolos que estejam soltos ou comprometidos e executar de novo para que a gente fique com as mesmas alturas, com os mesmos vãos – detalha, acrescentando:

– Como ela (Igreja) incendiou, essas paredes estão desprotegidas, elas não têm amarração, então pode acontecer sim, se entrar algum vendo muito forte, pode causar algum dano maior, por isso a urgência de conseguirmos colocar esse telhado logo. Mas agora ela (parede) está estável, ela não tem nenhum risco de cair assim como ela está agora.

“O incêndio, hoje, faz parte da história da Igreja”

A empresa de Leila será responsável por todo o projeto da Igreja, por isso sua equipe está acompanhando uma pesquisa histórica que está sendo feita sobre a Igreja, que em 1975 passou por um processo de restauro.

A arquiteta conta que o incêndio fez com que rebocos novos caíssem e acabassem trazendo à luz pinturas originais. Nesse sentido, estão sendo resgatadas fotos antigas que devem mostrar exatamente como esses trabalhos eram e quais as cores deles.

– Esse é o nosso trabalho de projeto agora, identificar esse tipo de coisa, reconstruir as esquadrias, reconstruir os vitrais, reconstruir o piso que está danificado. Então são tomadas de decisão (em conjunto com a Comissão de Reconstrução) que vão estar dentro do projeto que é o nosso escopo de trabalho – explica, acrescentado que ainda não se sabe qual empresa será responsável pela execução, pela obra em si.

Leila também fala sobre a importância desta etapa para dar prosseguimento às demais, definindo-a como “fundamental para que as outras existam”

– Ela é fundamental, até porque é ela quem vai contar essa história toda desde a construção da Igreja e, inclusive, o incêndio dela. O incêndio, hoje, faz parte da história da Igreja. Então é muito bacana podermos fazer essa leitura desde quando ela foi construída, todas as intervenções que foram feitas.

“Não adianta criarmos uma estrutura que não crie memória”

Leila conta que, apesar de ter experiência com restauro, nunca trabalhou com questões de incêndio e está sendo uma grande responsabilidade. Também por isso a empresa porto-alegrense Arquium Construções e Restauro está prestando assessoria no projeto, afinal ela tem experiência em edificações que já pegaram fogo, como o Mercado Público de Porto Alegre.

– Ao mesmo tempo em que é uma alegria e um orgulho muito grande poder participar e poder contribuir, também é uma sensação de responsabilidade, porque a gente sabe o quanto a comunidade espera ter esse bem de volta em sua integridade. E a comunidade também precisa se identificar com o que a gente vai devolver para eles. Não adianta criarmos uma estrutura aqui que não crie memória.

A profissional revela que vai ser “uma experiência muito bonita”, uma verdadeira “pós-graduação” essa obra.

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