Na família Fiorezi, a música nunca foi apenas um hobby. Ela passou de pai para filho, inspirou nomes, aproximou gerações e se transformou em um legado que segue sendo escrito. O responsável por essa herança é o florense Valdocir Fiorezi, de 63 anos, que encontrou na paternidade uma forma de multiplicar a paixão que herdou do próprio pai.
Esse amor pela música acompanha a história da família em diferentes formas. Está presente nos nomes dos quatro filhos — Clariana, 36, Vinícius, 29, Marina, 28, e Lara, 19 —, todos inspirados por referências musicais, e também nas escolhas que cada um fez ao longo da vida.
Uns seguiram os palcos, outros desenvolveram diferentes talentos, mas todos cresceram em uma casa onde a música sempre ocupou um lugar especial.
A ligação de Valdocir com a música chegou até mesmo aos nomes dos filhos. Cada escolha carrega uma referência afetiva e revela um pouco da história do pai com as canções que marcaram sua vida.
Clariana recebeu o nome inspirado em “Clareana”, música de Joyce Moreno, uma composição que sempre o encantou. Marina foi uma homenagem à canção “Marina Morena”, enquanto Vinícius foi inspirado no músico brasileiro Vinícius Cantuária, artista que Valdocir admirava. Já Lara carrega a lembrança de “Tema de Lara”, composição que ficou conhecida como tema do filme “Doutor Jivago”.
— Eu respiro música e desejei que meus filhos tivessem esse mesmo amor. Cada nome tem um pedaço de uma música que eu amo — conta.
Mais do que ensinar música, Valdocir acredita que o principal legado deixado aos filhos são os valores.
— Tudo que eu aprendi nessa vida eu tento repassar para eles. Meus filhos são tudo para mim.
“Meu pai foi minha primeira inspiração”
A relação de Valdocir com a música começou na infância, ao lado do pai Casemiro. Com ele, aprendeu que não era preciso muito para fazer música.
— Meu pai pegava uma folha de laranjeira, dobrava e tocava qualquer música. Ele cantava e tocava muito bem, foi a minha primeira inspiração.
Mais tarde, ao acompanhar o irmão, Valdomiro nos estudos musicais, descobriu o clarinete e iniciou sua trajetória na Banda Florentina. Com o passar dos anos, encontrou o saxofone. Essa conexão com a música, naturalmente foi compartilhada com os quatro filhos.
— Como recebi o incentivo do meu pai, também incentivei meus filhos. Música inspira a gente a ser melhor. Ser pai é uma dádiva. Fico muito orgulhoso dos meus filhos. Sempre cuidei deles e sempre vou cuidar.
“É um prazer viver a música junto com um filho”
Entre os filhos, a música encontrou diferentes formas de expressão. Clariana entende como ninguém sobre a história de boas canções; Marina construiu uma trajetória musical, com trabalhos gravados; Vinícius tornou-se um músico completo, dominando diferentes instrumentos e seguindo os passos do pai também dentro da Banda Florentina; e Lara, a mais nova, começa a trilhar esse mesmo caminho, desenvolvendo a voz e participando das atividades da banda.
Para Valdocir, acompanhar os filhos seguindo esse caminho é uma das maiores alegrias de ser pai.
— É o melhor prazer que alguém pode ter: presenciar e viver a música junto do filho.
É ao lado de Vinícius, com quem divide ensaios e apresentações na Banda Florentina, que ele consegue viver de forma ainda mais próxima essa união entre a paternidade e a paixão que sempre guiou sua vida.
— Ele me ajuda muito. Quando ele está junto comigo, fico mais contente e mais seguro.

