Em uma época em que muitas propriedades rurais enfrentam a dificuldade de encontrar sucessores, Ari Fabian olha para o lado e encontra nos três filhos a certeza de que o trabalho de uma vida continuará. Aos poucos, a propriedade construída pela família no Travessão Paredes, deixou de ser apenas um espaço de produção para se tornar também o lugar onde o conhecimento, o esforço e os ensinamentos atravessam gerações.
Filho de agricultores, Ari Fabian cresceu ouvindo dos pais que honestidade, trabalho e união familiar eram valores que não poderiam ser negociados. Décadas depois, aqueles ensinamentos continuam presentes na rotina da família.
— Eu recebi muitos ensinamentos dos meus pais que me diziam: “Trabalhe sempre certo, seja sempre uma pessoa honesta. Trabalhe sempre junto dos filhos e da família” — detalha o agricultor paduense.
Hoje, Jeferson, Michael e Samuel trabalham ao lado do pai e garantem a continuidade de uma propriedade que, como tantas outras no interior, poderia ter ficado sem sucessores.
— Eu só permaneci na lavoura porque tenho os filhos trabalhando comigo se não, já teria largado. Sempre que possível, a gente incentiva os filhos para que permaneçam. Na minha região, eu sou um dos únicos que teve a sorte de os guris quererem permanecer. Dos meus vizinhos mais próximos, quase todos foram para a cidade — conta Fabian.
Quando foi preciso mudar
A história da propriedade também é marcada pela capacidade de adaptação. Depois de trabalhar com viticultura e avicultura, Ari percebeu que seria preciso buscar novos caminhos para manter a atividade.
— Eu mudei os parreirais porque não tinha muita terra. Foi quando tive que “partir para outra”, que foram as verduras. Resolvi diversificar a nossa cultura com cenoura, beterraba, alho e cebola.
A decisão, tomada em 1995, transformou os rumos da propriedade. À medida que a produção crescia, também surgia a necessidade de ampliar a área cultivada.
— Como fomos ampliando as culturas, tivemos que ir alugando terrenos vizinhos até comprarmos as terras onde estamos hoje. O nosso carro-chefe é a cebola, com oito hectares, e também tenho quatro hectares de alho. São as duas culturas mais fortes. Cenoura e beterraba temos o ano inteiro, além dos morangos — ressalta.

Atualmente, além da propriedade em Nova Pádua, a família também cultiva áreas no município de Ipê, mantendo uma produção diversificada ao longo do ano.
Após mais de quatro décadas de trabalho, Ari viu a agricultura mudar estruturalmente. O esforço físico que antes dominava a rotina deu lugar à mecanização e às novas tecnologias.
— Hoje, com a tecnologia, é tudo mais fácil. Antigamente era tudo mais braçal, “tudo nas costas”. Quando comecei na colônia a gente puxava as coisas com mula e hoje é tudo mecanizado. O sistema de irrigação também veio para facilitar a nossa vida no campo — opina o morador do Travessão Paredes, que apesar dos avanços, acredita que a atividade ainda precisa de maior incentivo:
— Sem maquinário, nos dias de hoje, tu nem fica no campo. O Governo deveria nos ajudar mais, porque a colônia representa comida para as pessoas e todo mundo tem que se alimentar.
Quatro décadas na estrada
Muito antes de adquirir o primeiro caminhão, Ari Fabian já percorria o caminho entre Nova Pádua e Porto Alegre para comercializar a produção no Ceasa. No início, a viagem dependia da ajuda de outros agricultores.
— Faz mais de 40 anos que eu levo as nossas culturas para o Ceasa, em Porto Alegre. No início eu ia de carona com outros agricultores que tinham mais condição que eu. Depois de um tempo comprei um caminhãozinho — conta.
A rotina de viagens, iniciada ainda nos primeiros anos da produção de hortaliças, acompanha a trajetória de crescimento da propriedade e a consolidação da família paduense na agricultura.
Reconhecimento de uma trajetória
Nesta sexta-feira (24), Ari Fabian será homenageado pela Câmara de Vereadores de Nova Pádua com o título de Agricultor Destaque. O reconhecimento chega após uma trajetória marcada pela dedicação ao trabalho, pela capacidade de reinventar a propriedade e pelo compromisso de manter a família unida no campo.
Para ele, no entanto, a homenagem não pertence apenas a quem conduz a lavoura diariamente.
— Para mim ser indicado pelos vereadores como Agricultor Destaque é motivo de muito orgulho. Orgulho para mim e para toda minha família — conclui.
