Uma das características mais marcantes do novo Museu e Arquivo Histórico Pedro Rossi que será reinaugurado nesta sexta-feira (21), está justamente naquilo que o visitante não verá imediatamente. Em diferentes pontos do percurso, portas e ambientes foram transformados em pequenas experiências.
Uma delas fica no porão. A orientação da equipe é simples: “não deixe de abrir a porta”. Do outro lado, estará um personagem do imaginário popular florense, acompanhado de elementos sonoros.
Outra experiência levará o visitante a um ambiente escuro, inspirado nos antigos cabungos (estruturas usadas como banheiro nas antigas casas italianas). A sala reproduzirá a sensação de entrar em um desses espaços durante a noite, quando a iluminação e as condições de vida eram completamente diferentes das atuais.
— Teremos sons de bichos, da floresta e da noite. A ideia é que as pessoas possam realmente vivenciar como era entrar em um espaço como esse na madrugada, no escuro, ouvindo os barulhos ao redor e sentindo um pouco daquela experiência. Será como se você fosse ao banheiro à noite — detalhou a gestora cultural, Cristina Schneider.
A casa, as mulheres e os sonhos
A cozinha também ganhou uma nova leitura. O espaço reúne elementos do cotidiano doméstico e resgata a participação das mulheres na vida e na formação das famílias e da comunidade. A cenografia ainda estava em fase de finalização durante a visita do jornal O Florense aos ambientes, mas já era possível visualizar a proposta, com sacos de linhagem e produtos a granel.
Em outro espaço, a experiência será ainda mais imersiva. O visitante poderá deitar em uma cama e acompanhar uma projeção relacionada aos sonhos dos imigrantes que chegaram à região. A ideia é imaginar o que essas pessoas projetavam para a vida na nova terra, aproximando uma experiência íntima do visitante de uma história coletiva.
As experiências se espalham por diferentes ambientes e passam pelo cotidiano de quem ajudou a formar a comunidade. Objetos e cenários aproximam o visitante de histórias familiares, costumes e expectativas de quem viveu em outros tempos.
O poço que estava escondido
Entre as descobertas incorporadas ao novo percurso está um antigo poço existente no prédio. Durante anos, ele permaneceu praticamente escondido, em um pequeno espaço que funcionava como reserva técnica. O projeto de restauro permitiu revelar a estrutura e transformá-la em parte da narrativa do museu.
A partir dela, a exposição conta também a história do abastecimento de água e do saneamento de Flores da Cunha, relacionando o elemento encontrado no prédio aos avanços que levaram à implantação da rede pública.
— Raríssimas pessoas viram isso, porque eram só quem trabalhava mesmo e, de fato, ninguém nunca viu ele nessa plenitude — explicou a subsecretária de Cultura, Adriana Boeira Dotti.
A Prefeitura dentro do museu
A antiga função do prédio também volta a aparecer no percurso. Uma das salas reproduz o espaço que era ocupado pelo prefeito, ao lado da antiga sala da secretária. A escolha ajuda a lembrar que, antes de ser museu, o edifício foi palco de decisões administrativas e de parte da história política do município.
Mobiliários considerados parte dos primeiros patrimônios do município foram incorporados à exposição.
— Nós quisemos trazer de volta essa parte administrativa de Flores da Cunha. Temos mobiliários nesta sala que são os primeiros patrimônios do município —ressaltou Sayonara Guaresi, arquiteta responsável pelo projeto de restauro do museu.
Para todos os visitantes
A nova experiência também foi pensada para ampliar o acesso ao conteúdo. Os painéis apresentam informações em português e trechos em Talian. QR Codes permitem acessar conteúdos em italiano e inglês e também recursos de audiodescrição. A proposta é trabalhar a acessibilidade em diferentes dimensões, incluindo a estrutura física, a comunicação e a preparação das equipes que receberão os visitantes.
— O museu será acessível do ponto de vista físico, comunicacional e atitudinal — resumiu a museóloga Thais Creolezio.
Reinauguração do Museu e Arquivo Histórico Pedro Rossi
- Quando: sexta-feira (21), às 18h
- Onde: Avenida 25 de Julho, Flores da Cunha
- Atrações: recepção com Som Brasil e apresentação do Derico 5teto, grupo liderado pelo saxofonista Derico, conhecido pela trajetória no programa do Jô Soares
- Programação: durante a cerimônia, haverá o ato simbólico de abertura das portas do museu. Após a solenidade, o público poderá conhecer os ambientes restaurados e a nova exposição.
- Visitação: a partir de sábado (22), de segunda a sexta-feira, das 8h30 min às 17h, sem fechar ao meio-dia; aos sábados e domingos, das 9h às 17h.

