No ano em que completa sete décadas de atuação na comunidade florense e paduense, o Hospital Nossa Senhora de Fátima reconhece o valor das pessoas que ajudaram a escrever essa história.

Bertinho Piccoli (Foto: Luizinho Bebber/ Divulgação)
Uma delas é Bertinho Piccoli, 62 anos, que atua voluntariamente como presidente da instituição desde 2022 e, neste momento de celebração, faz questão de relembrar detalhes vitais desta trajetória tão marcante e única para Flores da Cunha.
O presidente lembra que, na época da fundação, a cidade já contava com uma Casa de Saúde, mas havia uma necessidade maior, pois, o município estava crescendo. Nesse contexto surgiu a demanda por uma sede para o novo hospital.
— Em uma bela conversa, o Máximo Molon fez a doação do terreno todo. Então, o (Raymundo) Paviani começou a mobilizar todo mundo. Aí entrou o Frei Eugênio, o bispo Dom Benedito Zorzi, e chamaram as famílias. Se reuniram em torno de 46 famílias, com doações, e aí começou a construção do hospital.
Na época, as Irmãs de São Carlos, que já trabalhavam na Casa de Saúde, foram convidadas para atuar na nova instituição, afinal já tinham experiência com este tipo de atendimento. Piccoli cita o único sócio fundador vivo, Victorio Pegoraro, ao contar que cada família foi ajudando financeiramente com o pouco que podia. As pessoas faziam esse “sacrifício” para contribuir com um “bem muito maior”.
O presidente reforça que o hospital foi e continua sendo construído pela comunidade diariamente.
— Se nós olharmos a importância do hospital para Flores da Cunha, era uma necessidade, porque nós tínhamos Caxias (do Sul) perto, a cidade matriz, mas era muita dificuldade de deslocamento naqueles tempos. Estamos falando da década de 1950 — menciona Piccoli, sobre o caminho até a fundação da instituição de saúde, no dia 8 de julho de 1956.
“Nenhuma tecnologia ou estrutura substitui o valor humano”

Andreia Francescato Vignatti (Foto: Luizinho Bebber/ Divulgação)
Enquanto o presidente resgata o passado do Hospital Fátima, a diretora administrativa Andreia Francescato Viganatti, 50 anos, que está neste cargo há 16, volta os olhos para o futuro da instituição de saúde.
— Gerenciar um hospital é equilibrar diariamente a técnica do planejamento com a sensibilidade do cuidado. É transformar desafios em oportunidades para garantir que a saúde e o acolhimento cheguem a quem mais precisa.
Andreia defende que este equilíbrio é responsável por conquistas tão marcantes, como em maio deste ano, onde a instituição de saúde alcançou o selo máximo da saúde nacional: a certificação ONA Nível 3 – Acreditado com Excelência.
Para a diretora, essa conquista consolida o Hospital Fátima como uma grande referência em segurança e qualidade. O reconhecimento é visto como garantia de um atendimento seguro, eficiente e, para o Estado, a prova de que uma instituição local e comunitária pode estar no topo da gestão hospitalar nacional.
— Essa excelência é fruto de um esforço coletivo que vai muito além das nossas paredes. A sustentabilidade e o crescimento do hospital dependem da nossa busca constante por recursos nas esferas federal, estadual e municipal, além do apoio vital de clubes de serviços, promotoria pública, empresas e cooperativas parceiras. A união e a parceria estreita com os municípios de Flores da Cunha e Nova Pádua são fundamentais, sendo o alicerce que nos permite cuidar bem da nossa população.
Proximidade que também se reflete no Cartão Amigo do Hospital, projeto que aproxima a comunidade da instituição e ajuda a angariar recursos, e no Atendimento Domiciliar, que após um ano e meio de implantação se consolidou como um sucesso, levando o hospital até a casa das pessoas.
— Olhando para frente, o futuro já começou. Estamos desenhando o nosso Planejamento Estratégico 2027–2031 e preparando a instituição com o uso de IA, BI e o sistema Tasy para uma gestão mais ágil. Além disso, avançamos com a ampliação do nosso Centro Cirúrgico, um projeto que trará muito mais agilidade aos procedimentos e exames, aumentando nossa capacidade de oferta — afirma a diretora.


