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Carro cai em barranco e moradores denunciam risco ignorado há anos em Flores da Cunha

Acidente no bairro Pérola expõe falta de proteção e reclamações ignoradas por moradores há pelo menos quatro anos
(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)

Um carro caiu em um barranco de mais de quatro metros no último domingo (22), no bairro Pérola, em Flores da Cunha, expondo um problema antigo: a falta de proteção e sinalização na Rua das Pitangueiras. O local é alvo de reclamações pela comunidade há pelo menos quatro anos tanto pelo risco aos motoristas quanto pelo temor em relação às casas que ficam abaixo. Confira o vídeo do acidente no Instagram do Jornal O Florense.

O acidente ocorreu com a motorista Andrielly Alves Lima, 18 anos. Ela manobrava logo após sair da garagem de sua casa quando perdeu o controle do veículo e despencou pelo barranco. Apesar da violência do impacto, Andrielly não teve ferimentos graves. Segundo a mãe Simoni Mendes Chiossi de Ré, 39 anos, a jovem está bem, mas ainda realiza exames para avaliação neurológica devido à intensidade da queda.

— O carro acabou indo para trás e não tinha nenhuma proteção. O veículo despencou pelo barranco e capotou várias vezes. Foram umas quatro viradas do carro. Graças a Deus que não aconteceu nada de mais grave — relata.

A mãe relata que o ponto onde ocorreu o acidente apresenta um risco constante. O trecho fica à beira de um barranco íngreme, abaixo do qual há residências, sem qualquer tipo de barreira de contenção ou sinalização de perigo.

— Não tem placa, não tem guarda-corpo, não tem nada. É um risco para qualquer pessoa que passa por ali. Faz anos que todos (do bairro) reclamam, mas nada foi feito — afirma Simoni.

A reportagem procurou a Prefeitura de Flores da Cunha sobre a demanda na Rua das Pitangueiras e aguarda retorno.

“Tem medo de desmoronar”

A indignação não é recente. Lourenço Foscarini, 55, conta que é um dos moradores da Rua das Pitangueiras que buscou por “inúmeras vezes” o poder público.

— Faz quatro anos que a gente está em cima da Prefeitura. Já fui lá presencialmente mais de 20 vezes, além das ligações constantes. A resposta é sempre que vão ver, que vão resolver, mas até agora nada — lamenta.

Além da ausência de proteção, a via apresenta sinais de deterioração. Os moradores apontam que o asfalto está cedendo em alguns trechos, o que aumenta o risco de novos acidentes, especialmente em dias de chuva, quando o solo fica ainda mais instável.

— O caminhão do lixo, por exemplo, vem até certo ponto e não passa dali. Tem medo de desmoronar. Já tivemos que ajudar veículos que ficaram presos aqui, colocando tábua, levantando com macaco. Não tem meio-fio em boa parte da rua. Se o carro perde o controle, não tem nada que segure. Quando chove, piora tudo. O chão cede mais, fica escorregadio. A gente vive com medo — afirma Lourenço.

Simoni reforça que o acidente de sua filha, na tarde de domingo (22), não deve ser tratado como um caso isolado, mas sim como um alerta definitivo.

— A gente está cansado de pedir. Não dá mais para esperar acontecer algo pior. Se acontecer uma tragédia, alguém vai ter que responder por isso — desabafa a mãe.

(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)
(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)
(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)
(Foto: Divulgação)
(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)
(Foto: Sohfia Marcon Fiorese)

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