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Flores da Cunha cai 92 colocações no ranking do IMERS, mas supera a marca do Estado

A Terra do Galo passou de 70,12, em 2024, para 68,95, em 2025, figurando na posição 224 da classificação estadual, que avaliou 497 municípios
Escola Francisco Zilli, em Otávio Rocha, é uma das que oferece Oficinas de alfabetização para alunos estrangeiros (Foto: Karine Bergozza)

Flores da Cunha teve uma diminuição na pontuação do Índice Municipal da Educação do Rio Grande do Sul (IMERS), divulgada pelo Governo do Estado em 21 de setembro. O município passou de 70,12, em 2024, para 68,95, em 2025, caindo 92 colocações. Dessa forma, a Terra do Galo figura na posição 224 do ranking estadual, composto pelo total de 497 municípios. No entanto, ao observarmos a média geral entre as cidades gaúchas, que foi de 66,97 pontos, Flores da Cunha está acima deste número.

A construção da nota considera quatro indicadores. O Índice de Qualidade da Alfabetização (IQA), o Índice de Qualidade dos Anos Iniciais (IQI) e o Índice de Qualidade dos Anos Finais (IQF). Nos três indicadores de aprendizagem, são considerados os resultados de Língua Portuguesa e Matemática. O índice é calculado a partir dos resultados do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Rio Grande do Sul (SAERS) e de dados de aprovação.

– Ficamos muito felizes que os municípios pequenos estão avançando, como Nova Roma do Sul e Nova Pádua. Mas quando o IMERS surgiu (em 2022), ninguém se preparou. Hoje, todo mundo está se preparando e trabalhando para isso. Nós olhamos para o índice e vemos que teve uma queda, mas não foi uma queda brusca – revela a secretária de Educação e Desporto, Neide Sonda de Godoy.

Neide observa que seria interessante realizar um comparativo entre municípios do mesmo porte que Flores da Cunha, ela acredita que o ideal seria levar em consideração o número de habitantes, escolas e alunos na construção do ranking.

– Quero deixar claro que não é que (esse número) não nos assusta, temos essa preocupação de continuar avançando, queremos continuar construindo uma educação de qualidade em Flores da Cunha, em parceria com toda a comunidade escolar, com os professores, com a rede. Sabemos que a educação é um compromisso de todos, e por isso precisamos olhar para isso.

A secretária adjunta de Educação, Cultura e Desporto, Graziele Dall’Acua explica que o IMERS é importante pois permite ter a dimensão do que o aluno e a turma atingiram na sua integralidade, possibilitando, como prática pedagógica, poder fazer a recomposição dessas aprendizagens.

– Acabamos olhando na individualidade de cada aluno. O que eu não atingi? O que o professor precisa trabalhar? O município precisa oferecer o apoio pedagógico? Que ações a gente precisa fazer? Essa avaliação nos dá esse subsídio, porque ela nos diz, aluno por aluno, nome por nome, qual habilidade ou não que ele atingiu.

O IMERS também entra no retorno do ICMS para o município. A Participação no Rateio da Cota-Parte da Educação (PRE) diminuiu de 0,34 para 0,32 em comparação a 2024. O percentual corresponde à participação do município no critério educacional do imposto e integra o Índice de Participação dos Municípios (IPM).

Os desafios da Proficiência

O comparativo com 2024 mostra que os estudantes avaliados apresentaram uma queda nos índices de qualidade da proficiência. Na alfabetização do 2º ano, o IQA passou de 62,21 para 60,06; nos anos iniciais (5º ano) houve uma leve diminuição no IQI de 77,92 para 77,83, e; nos anos finais (9º ano) uma queda no IQF de 54,85 para 53,57.

– Quando falamos em 2º ano, o aluno está em um ciclo de alfabetização e ele encerra no 3º ano. Naquele momento da prova, ou pela aplicação, ou pela prova, ou pela falta de aluno, ou por alguma situação, houve ali uma variável que interferiu nisso. E a gente vai olhar se realmente esse aluno está aprendendo ou não – afirma a secretária, a respeito da baixa na alfabetização.

Outro ponto destacado por Neide é que a proficiência também leva em consideração o índice de aprovação, que em Flores da Cunha não é 100%, diferente de outros municípios.

– A reprovação não é só da série dos níveis indicados, ela é de toda a escola e nós ainda temos reprovações, as escolas têm essa autonomia. Não somos favoráveis a reprovação, mas precisamos avaliar cada caso na sua individualidade.

Um desafio para o qual a secretária chama atenção é o município ter uma variável muito grande quando o assunto é migração de alunos.

– Quando falamos em inclusão, falamos daquele aluno que vem alfabetizado, daquele que não vem alfabetizado, do estrangeiro, de todo mundo. Então é nesse sentido que talvez a gente tenha que olhar para isso e pensar em metas e estratégias para recuperar.

Neide é complementada pela secretária adjunta, Graziele:

– Tivemos um crescente número de migrações de alunos estrangeiros e eles têm dificuldades na língua, obviamente, então eles também vão ter dificuldade, por exemplo, da sua nota em matemática (para interpretar).

Evolução

O IMERS também disponibiliza dados de evolução da proficiência. Neste quesito a categoria anos finais (9º ano) registrou a marca 1,67, enquanto anos iniciais (5º ano) 3,32.

– O que ficamos olhando, de modo geral, mais satisfeitos, é que nós estamos evoluindo no 5º ano. A criança do 2º está em um ciclo de alfabetização, mas quando ela chega no 5º, embora ela seja resultado de uma pandemia, de um aluno que foi alfabetizado em uma pandemia, isso nos mostra que o nosso processo está avançando – comemora Neide.

A secretária avalia que é necessário continuar pensando em estratégias e metas e identificar o que trouxe esse resultado para seguir avançando.

Conforme Graziele, os dados de evolução do 5º ano também mostram o crescimento em Língua Portuguesa, que passou de 234,6 para 235,0. O mesmo acontece com Matemática, que avançou de 247,9 para 254,9.

Nesse sentido, ela cita diversas ações desenvolvidas pela Secretaria para avançar continuamente na educação, tais como: reuniões mensais com diretoras, ações com coordenadoras, formação com os professores, reforço escolar no contraturno, estudo de caso do NIAE, promoção de oficinas para estrangeiros, participação do Alfabetiza Tchê, da Avaliação Contínua da Aprendizagem (ACA) do Ministério da Educação (MEC) e da Fluência Leitora.

Graziele adianta que uma das estratégias para 2027 é trabalhar a formação continuada dos professores, com foco na alfabetização.

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