Os primeiros moradores de Otávio Rocha precisavam dirigir-se a Santa Justina, onde havia uma escola mantida por Caxias. Somente em 1910 foi construída a 1ª escola no Travessão Marcolino Moura, um pequeno prédio em terreno descampado, que mais tarde serviu como “bodega” da Capela de São Marcos.
Em 1927, o prédio foi substituído por uma nova escola, denominada Aula Municipal Octávio Rocha, nome adotado pelo distrito em 1924.Durante o governo de Heitor Curra, além da Subprefeitura, construída em 1935, foi erguido, em madeira, o Grupo Escolar Otávio Rocha. O terreno foi doado por Heitor Bigarella e pela Mitra Arquidiocesana de Porto Alegre.
Principais dados da escola de Otávio Rocha
- 24 de outubro de 1936 – criação do Grupo Escolar de Otávio Rocha.
- 1º de março de 1937 – início das atividades.
- 1963 – passa a chamar-se Grupo Escolar Rural de Otávio Rocha.
- 29 de dezembro de 1965 – Prefeitura doa ao Estado uma área de 20.000m², para a construção da nova escola.
- 2 de junho de 1968 – mudança para o prédio novo, utilizado até hoje.
- 13 de agosto de 1969 – passa a denominar-se Escola Rural de Otávio Rocha.
- 5 de setembro de 1976 – apresentação inaugural da Banda da Escola, fato importante na vida cultural de Otávio Rocha.
- Outubro de 1978 – recebe a denominação Escola Estadual de 1º Grau Incompleto Francisco Zilli.
- Francisco Zilli – personagem importante da história da localidade. Exerceu diversas atividades públicas e auxiliou na fundação de entidades que vieram unir a comunidade regional.
- 14 de agosto de 1988 – inauguração do Ginásio de Esportes Carlão, construído em parceria com o Grêmio Esportivo Otávio Rocha.
- 1990 – centralização de escolas multisseriadas na Francisco Zilli.
- 1996/1997 – transferência da manutenção para o município, tornando-se Escola Municipal de 1º Grau Francisco Zilli.
- 2002 – passa a chamar-se Escola Municipal de Ensino Fundamental Francisco Zilli.
Festejos: 27 de setembro. Com diversas atividades culturais a partir das 11h e almoço. Reservas de ingressos: (54) 3279.1383
Minhas experiências educacionais
Dos três quilômetros que separavam o Travessão Pinhal da escola, passando pelo Casarão dos Veronese, ficaram muitas lembranças. Levávamos nas costas a “bissaca”, alguns cadernos, lápis e borracha, enfrentando inverno, verão e até as rigorosas geadas. A escola, de madeira, sem água e sem luz, era municipal e chamava-se Dom José Barea, situada no cruzamento de duas estradas coloniais, junto ao pequeno Capitel de São Sebastião, existente desde 1951. A região, numa brincadeira, foi chamada de Nova Brasília, nome que permaneceu.
Uma única professora atendia cerca de 30 alunos, das quatro séries, numa verdadeira maratona entre alfabetização, ditado, tabuada e geografia. Para mim, o maior desafio era o português: até os sete anos, em casa, falava-se somente o dialeto de Vicenza.
Também não havia banheiro; as necessidades eram feitas no mato, nos fundos da escola. A merenda dependia da produção de cada família: pão com queijo, salame ou figada nos bons anos, e pinhão ou batata-doce quando a safra era ruim.
Em 1959, para cursar a quarta série, fui ao Grupo Escolar Otávio Rocha. Ali havia uma sala e uma professora para cada série, biblioteca, laboratório, mapas, festas e apresentações artísticas.
Depois de repetir o quarto ano, fui estudar nos Maristas, em Antônio Prado, atravessando de balsa o Rio das Antas. Foi a passagem da colônia para a cidade, um mundo novo, o “Bel Paese”.
Apesar das limitações, aqueles anos foram a base da minha formação, do respeito à pátria e da continuidade dos estudos até a universidade.
Hoje, ao recordar aquele tempo, agradeço tudo o que as novas gerações possuem: escolas modernas, merenda, transporte, computadores, internet, ginásios e professores.
Minha homenagem aos dedicados mestres que, mesmo diante de tantas dificuldades, nos ensinaram valores e conhecimentos que permanecem para toda a vida.
E guardo uma honra especial: ter sido escolhido como patrono da Sala de Leitura, homenagem que considero o reconhecimento maior que poderia receber aquele humilde aluno da década de 1950, que procurou preservar e contar a história local, regional e também nacional e internacional.

