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Passo do Simão e os homens que abriram caminho para Antônio Prado

Entre balsas, estradas e picadões, antigos moradores ajudaram a conectar Alfredo Chaves à nova colônia instalada além do Rio das Antas
(Foto: Divulgação)

Antes que existisse o município de Antônio Prado, o Rio das Antas era uma das grandes barreiras naturais que separava as terras já ocupadas pelos imigrantes italianos das extensas matas que se estendiam para o Norte.

Na margem esquerda encontravam-se os territórios ligados à antiga Colônia Caxias, entre eles o Travessão Alfredo Chaves. Do outro lado, na margem direita, começava uma região praticamente coberta pela mata, destinada pelo Governo Imperial à implantação de uma nova colônia de imigrantes.

Por volta de 1880, o paulista Simão David de Oliveira chegou à margem direita do Rio das Antas. Ele teria vindo a pé de São Paulo, entrando no Rio Grande do Sul pela região de Vacaria e chegado até o Rio das Antas. Ali estabeleceu o seu rancho, conhecido como Passo do Simão.

Em 1885, o Governo Imperial decidiu ampliar a área destinada à colonização italiana para além do Rio das Antas. A nova colônia seria implantada na margem direita do rio. Em maio de 1886, foi fundada a colônia Antônio Prado. O nome homenageia Antônio da Silva Prado, ligado à política imperial.

Em 17 de março de 1887, Camilo Marcantônio foi contratado para construir um barracão no Passo do Simão.

E foi aí que o Passo do Simão adquiriu importância extraordinária. Em 17 de fevereiro de 1887 foi contratado Manuel João Maria para construir uma balsa provisória para o Passo do Simão, pelo valor de 2:500$000.

A embarcação tinha capacidade para transportar quatro animais cargueiros e foi construída sobre três canoas, sete barrotes e pranchões. Posteriormente, foi construída outra balsa, com capacidade para transportar dez animais cargueiros.

Alguns empreiteiros a partir de 16 de julho de 1889, de acordo com a Comissão de Terras de Caxias, construíram um trecho de estrada “entre o Travessão Alfredo Chaves e o Passo do Simão, no Rio das Antas”, com extensão de 11 quilômetros.

Não se tratava simplesmente de uma estrada vicinal. Era uma via que conectava as terras colonizadas de Caxias/Alfredo Chaves ao ponto de travessia do Rio das Antas.

Em 1886, foi aberto um primeiro “picadão” a partir do Passo do Simão, seguindo em direção à Linha Silva Tavares. E esse caminho foi aberto sob responsabilidade do agricultor italiano Camilo Marcantonio.

Alfredo Chaves → estrada colonial → Rio das Antas → balsa do Passo do Simão → picadão → nova colônia de Antônio Prado.

Por esse caminho passaram famílias, animais, ferramentas, mantimentos, materiais para construção e tudo aquilo que era necessário para transformar a mata em uma nova comunidade colonial. Inclui-se aqui a construção de estradas, construção de balsas, medição dos lotes, transporte dos colonos e construção dos barracões destinados a recebê-los.

O desaparecimento do antigo Passo

Com o desenvolvimento das estradas e a construção de novas vias, o Passo do Simão perdeu gradualmente sua importância original. Posteriormente, outro ponto de travessia, conhecido como Passo do Zeferino, ganhou importância na ligação da região, a partir de 1900.

A antiga passagem, entretanto, permanece na memória histórica de Antônio Prado.

O próprio município reconhece oficialmente que o caminho aberto a partir do local onde Simão David de Oliveira se estabeleceu passou a ser conhecido como Passo do Simão e que esse caminho dava acesso à nova colônia.

OS NOSSOS HERÓIS

Giuseppe e Rosa Scortegagna: imigrantes que se estabeleceram no Travessão Marcolino Moura, atual área de Otávio Rocha.

Scortegagna tinha vindo com vários casais e filhos, de municípios próximos a Schio/Vicenza. Assim como outros, resolveu vender a sua colônia e partir para novas terras no Travessão Alfredo Chaves. Eis que se instala junto ao Passo do Simão, onde se transforma em receptor dos imigrantes que se dirigem a Antônio Prado. E faz também acolhimento de tropeiros, as tropas de gado ou mulas, que vem do outro lado do Rio, onde Simão é o herói desses primeiros tempos.

NOVA VENEZA – TRAVESSÃO ALFREDO CHAVES

Textos que apontam Nova Veneza, Santa Tereza e Nova Palmira como os três maiores centros comerciais concretizam uma distinção sem tamanho.

O livro extraordinário de Gissely Vailatti, “1884 – 2009: 125 anos de colonização do Travessão Alfredo Chaves”, resgatou a história. Interessante seria, agora, ter mais informações do lugar, valorizar e resgatar a estrada que foi a primeira via unindo a imigração italiana rumo a Vacaria dos Pinhais e ao centro do país.

Percorremos a histórica estradinha até o Rio das Antas, onde ficam as ruínas da casa do casal herói Scortegagna. O interessante “Caminhos do Alfredo” poderia resgatar essa rota, denominada Estrada Geral por mais de 20 anos. Com a abertura do Passo do Zeferino, o deslocamento mudou para Nova Trento, vila até então isolada.

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