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“Ninguém poderia imaginar o tamanho que a Feprocol teria”, recorda primeira rainha da festa

Nascida em 1983 para valorizar o trabalho do agricultor e a produção colonial, a festa cresceu junto com o município e se consolidou como símbolo da cultura, das raízes e da identidade de Nova Pádua
A primeira corte, em 1988, com a rainha Raquel Cecília Paviani e as princesas Rosemeri Reginato, Silvia Borella e Nair Panizzon (Foto: Arquivo Pessoal)

Valorizar o trabalho do agricultor, mostrar a força da produção colonial e apresentar ao mundo a identidade de um povo que tinha na terra sua principal fonte de sustento. Foi com esse propósito que nasceu, em Nova Pádua, uma festa que, mais de quatro décadas depois, deixou de ser apenas uma feira comunitária para se transformar no maior evento do município.

A história da Feprocol começa ainda quando Nova Pádua era o maior distrito de Flores da Cunha. Em meio às comemorações dos 70 anos da Banda Santa Cecília, hoje reconhecida como a banda mais antiga do Rio Grande do Sul em atividade ininterrupta, surgiu a ideia de criar uma programação capaz de reunir a comunidade e valorizar aquilo que era produzido pelas famílias locais.

À frente da iniciativa estava o então prefeito de Flores da Cunha, Ângelo Araldi. Em uma reunião realizada no Salão Paroquial, a proposta ganhou forma e também nome: Feira de Produtos Coloniais. Era 1983, e ninguém poderia imaginar que aquela primeira experiência se transformaria, décadas depois, em um evento capaz de reunir milhares de pessoas.

A primeira edição reuniu pequenos agricultores em estandes, a Exposição de Terneiros e Novilhas de Gado Leiteiro, a Mostra da Indústria Rural Caseira, atividades no Praial, junto ao Rio das Antas, e a primeira Gincana Colonial.

O primeiro presidente da feira foi Nestor Carlos Boniatti. Naquele início, a prefeitura de Flores da Cunha destinou Cr$ 150 mil para a realização do evento. A estrutura era simples, mas já revelava a intenção de transformar a produção e os costumes da comunidade em motivo de orgulho.

Na segunda edição, em 1984, a programação ganhou o slogan “Venha divertir-se conosco”. Produtos passaram a ser expostos também em estabelecimentos comerciais e no Salão Paroquial, ao lado de atividades envolvendo o gado leiteiro, canoagem, caiaque e manifestações da cultura italiana.

Em 1985, na terceira edição, surgiu oficialmente o nome Feprocol. A programação ganhou um mini rodeio no antigo campo do Paduense, considerado precursor das atividades que posteriormente seriam desenvolvidas pelo CTG Laço Italiano, além da corrida do elefantin, disputada com carreta agrícola.

Uma rainha de apenas 13 anos

A quarta edição, em 1986, acompanhou um momento importante para a comunidade, com a instalação da Subprefeitura e em 1988, veio outra novidade que se tornaria símbolo da festa: a escolha das primeiras soberanas.

Raquel Cecília Paviani tinha apenas 13 anos quando recebeu o convite para representar o Esporte Clube Paduense. Depois que outras meninas recusaram, ela aceitou e foi coroada como a primeira rainha da Feprocol.

— Não houve todo aquele glamour que existe hoje. Não tinha pré-concurso. Os vestidos também eram de gala, não eram trajes típicos. O orgulho de ter sido a primeira rainha, esse eu carrego comigo até hoje, com muito carinho e emoção — conta a primeira rainha, hoje com 52 anos.

Raquel também guarda a memória de uma festa muito diferente da atual.

— Em 1988, ninguém poderia imaginar o tamanho que a Feprocol teria. Era uma feira simples, de três dias, feita da comunidade para a comunidade. Eu espero que a Feprocol siga crescendo, levando consigo as suas raízes, a sua história e o orgulho de um povo. E que tenha ainda muitos e muitos anos de vida, encantando gerações.

A cada edição, a Feprocol acompanhava o próprio crescimento de Nova Pádua. Em 1991, recebeu cerca de 10 mil visitantes, em um período marcado pela mobilização pela emancipação política. Em 1998, o público chegou a 25 mil pessoas, e a programação passou a ocupar dois finais de semana.

Nos anos 2000, a feira incorporou novas atrações e segmentos: exposição de vinhos, gastronomia italiana, desfiles, gincanas, shows e atividades culturais. Já a transformação estrutural ganhou força em 2011, com reformas no espaço e a criação da Vila Colonial, festival gastronômico, praça de alimentação, feira de artesanato, Espaço Gaúcho e degustação de uvas. Foi também quando a Feira de Produtos Coloniais passou a ser chamada de Festa de Produtos Coloniais.

Em 2015, a Feprocol já tinha uma estrutura muito maior, com o novo Salão Paroquial e atrações de alcance nacional. A edição reuniu cerca de 30 mil visitantes. Em 2019, foram aproximadamente 40 mil.

O recorde chegou em 2023, na 15ª edição: 55 mil visitantes. A programação contou a história da comunidade desde a saída dos imigrantes de Gênova até a agricultura contemporânea. A edição também celebrou os 110 anos da Banda Santa Cecília, retomando a ligação entre a origem da festa e a história de Nova Pádua.

Para a atual presidente da Feprocol, Renata Zampieri, que também viveu a festa de uma perspectiva especial ao ser princesa da 14ª edição, a celebração é uma forma de reafirmar a identidade de Nova Pádua.

— Ela representa história, raízes, o trabalho das famílias, a produção colonial, a agricultura familiar, a gastronomia, a cultura e as tradições. É um momento de reencontro e de valorização da identidade de Nova Pádua. Quem vem para a Feprocol consegue conhecer um pouco da nossa história e daquilo que somos — define.

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