Aos 53 anos, a irmã Maria Helena está aprendendo novamente a rotina que escolheu para a própria vida. Há pouco menos de um mês, a religiosa deixou Ponta Grossa (PR) e veio para a Flores da Cunha para integrar a comunidade do Mosteiro Nossa Senhora do Brasil, da Ordem das Irmãs Clarissas Capuchinhas.
Depois de quase dias décadas na vida ativa e outros 16 anos em uma comunidade contemplativa, Maria Helena decidiu dar este novo passo dentro de sua vocação.
A chegada também é emblemática para o próprio mosteiro, que vive um momento diferente daquele vivido décadas atrás. Em 2002, a comunidade chegou a reunir 15 irmãs. Atualmente, são apenas seis religiosas. A redução acompanha uma realidade cada vez mais presente em comunidades contemplativas: a dificuldade de encontrar mulheres dispostas a iniciar o caminho da vida religiosa e, especialmente, da clausura.
— É uma realidade que a gente percebe e que nos preocupa, porque uma comunidade precisa de novas vocações para continuar. Ao mesmo tempo, procuramos viver essa situação com confiança. A gente faz a nossa parte e procura mostrar, com a própria vida, que ainda é possível encontrar alegria e sentido nessa entrega a Deus — afirma a irmã.
No caso do Mosteiro Nossa Senhora do Brasil, parte da redução ocorreu porque cinco irmãs deixaram Flores da Cunha para iniciar uma nova comunidade em Macapá (AP). Outras religiosas, ao longo dos anos, perceberam que não tinham vocação para seguir na vida contemplativa e deixaram a comunidade.
O mosteiro foi inaugurado em 8 de dezembro de 1981, depois da chegada de cinco religiosas fundadoras vindas da Itália, em 1979.
E é nesse cenário que a Irmã Maria Helena chega para recomeçar. Natural de Rio Branco do Sul, ela ingressou na vida religiosa em julho de 1991.
— Antes, eu participava da liturgia e cantava. Desde pequena eu gostava de estar na comunidade. Mas Deus me chamou para algo a mais — conta a religiosa.
“Servir a Deus com alegria e disposição”
A primeira experiência de Maria Helena foi na vida religiosa ativa, junto às religiosas franciscanas. Nesse período, viveu em Ponta Grossa, Curitiba e São Paulo, além de atuar em diferentes trabalhos pastorais. Entre as atividades que mais a marcaram estão a catequese, o trabalho com crianças e a Infância Missionária.
— É uma idade em que eles estão despertando para essa realidade, para as coisas de Deus. Para mim, foi muito bonito fazer esse caminho com as crianças — conta.
Ao longo dos anos, porém, o desejo de viver uma rotina mais voltada à oração e à contemplação permaneceu. Depois de quase duas décadas na vida ativa, Maria Helena começou a perceber que precisava dar espaço a esse outro chamado.
— A minha família sempre teve uma ligação muito forte. Fazíamos reuniões no Natal, na Páscoa, passávamos esses momentos juntos. Então, quando eu comecei a pensar em uma vida contemplativa, houve uma certa resistência.
Ainda assim, a ideia não desapareceu. Em 2010, Maria Helena pediu uma transferência da vida religiosa ativa para a contemplativa. Na época ingressou na comunidade das Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua.
A experiência confirmou sua identificação com a vida de oração e recolhimento, mas também fez com que voltasse a olhar para o carisma franciscano. Foi nesse processo que passou a se aproximar das Clarissas Capuchinhas.
— Eu me coloquei em oração, com o coração muito aberto para que o Espírito Santo pudesse me mostrar se era necessário dar mais esse passo — relata.
A decisão levou Maria Helena até Flores da Cunha. Há pouco menos de um mês, ela está conhecendo uma nova rotina.
— A gente se reúne para rezar em média sete horas durante o dia. A minha expectativa aqui é crescer no amor a Deus, na intimidade com Ele e poder colaborar com a Igreja — conclui.

